Alcolumbre diz que, se houver pedido para acelerar PEC do fim da 6x1, vai colocá-lo em votação
Votação antes da eleição preocupa oposição, que admite que a aprovação da proposta neste momento ajuda Lula
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, afirmou que colocará em votação qualquer pedido formal para acelerar a tramitação da PEC do fim da escala 6x1, embora ainda não tenha recebido requerimentos. A medida é bandeira de Lula e gera forte disputa eleitoral contra Flávio Bolsonaro, cuja oposição tenta adiar o debate para evitar ganhos políticos ao petista antes do segundo turno. Alcolumbre garantiu que não vai barrar a apreciação da matéria caso as assinaturas necessárias sejam apresentadas.
BRASÍLIA - O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), afirmou que ainda não recebeu nenhum requerimento para acelerar o andamento da proposta de fim da escala 6x1 e que poderá colocar o pedido para votação somente se alguém o fizer. As declarações ocorreram durante a tarde desta quarta-feira, 7, no Congresso Nacional, em entrevista a jornalistas.
"Hoje, eu não tenho nenhum requerimento de calendário especial, nenhum requerimento de quebra de interstício", afirmou. "Não tenho na Mesa. Eu não posso deliberar. Se aparecer um requerimento na Mesa para quebrar o interstício após a votação em primeiro turno ou para um calendário especial para a gente deliberar sem a discussão das outras quatro sessões, eu como presidente do Senado vou submeter ao voto."
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), que disputarão o segundo turno da eleição à Presidência da República, entraram em embate sobre o tema nesta semana. A PEC, bandeira eleitoral do petista, enfrenta resistência da oposição, que tenta barrar a discussão para esvaziar o ativo do candidato à reeleição.
Procurada pelo Estadão/Broadcast, a assessoria da liderança do governo no Senado informou que ainda estão sendo recolhidas as assinaturas para apresentar o requerimento a Alcolumbre. Na prática, a eventual aprovação desse requerimento pode ajudar o presidente Lula a se beneficiar politicamente do fim da escala 6x1 antes da eleição de 25 de outubro contra Flávio Bolsonaro.
A votação antes da eleição preocupa a oposição, que admite que a aprovação da proposta neste momento ajuda Lula. Os apoiadores de Flávio, portanto, pressionam Alcolumbre para adiar a análise do projeto de fim da escala 6x1, que permite a redução da jornada de trabalho sem redução de salário. Flávio tem defendido outra proposta, de jornada flexível, que permite a redução salarial.
Aos jornalistas, Alcolumbre afirmou que segurou a votação até a eleição legislativa de 4 de outubro para não prejudicar os senadores que concorriam à reeleição. Agora, segundo o presidente do Senado, "todos estão livres" para votar de acordo com a própria consciência. Ele afirmou ainda que "não pode ter uma versão" de que a PEC não pode ser apreciada antes da eleição de 25 de outubro.
"As eleições do dia 4, que era meu compromisso não votar, já se passaram", disse Alcolumbre. "O que eu tiver em mãos, vou deliberar."
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