Advent capta US$ 30 bi; parte dos recursos deve vir para o Brasil
Gestora que compra participações em empresas e investiu recentemente em Natura, Skyone e Inspira comemora captação em momento difícil, de juros altos em todo o mundo
A gestora Advent captou US$ 30 bilhões para seus fundos, superando o cenário desafiador do mercado global de private equity. O principal fundo, com US$ 27 bilhões, pode destinar até 20% a países emergentes, tornando o Brasil um forte candidato a novos aportes, além de contar com a possibilidade de co-investimento com o fundo regional LAPEF. Com foco em setores como consumo, tecnologia e saúde, a empresa mantém visão de longo prazo no país, onde já investiu mais de US$ 6,6 bilhões desde 1997.
Um dos principais investidores globais de private equity (que compra participações em empresas), o Advent captou US$ 30 bilhões (cerca de R$ 160 bilhões) em seu conjunto de fundos. Foram US$ 27 bilhões para o seu 11º fundo principal, o Advent International GPE XI e outros US$ 3 bilhões voltados para uma nova estratégia de empresas de médio porte, o Mid-Market Fund, que vai alocar recursos somente na Europa e nos Estados Unidos.
A captação dos recursos foi comemorada pelo Advent, dado o momento da indústria de private equity, que globalmente enfrenta dificuldades para realizar desinvestimentos e captar mais recursos para novas alocações.
"O mercado está desafiador", diz Juan Pablo Zucchini, sócio gerente em São Paulo e chefe de private equity da América Latina da Advent. "Com o juro elevado nos Estados Unidos, o processo de captação é mais difícil e impacta no tamanho dos novos fundos, por isso é um grande sucesso porque está fora da curva da indústria."
Além da captação em si, 2026 está entre os anos com maior volume de desinvestimentos globalmente do Advent. Foram negociados, até agora, aproximadamente US$ 13 bilhões, em 27 empresas.
Segundo ele, o fundo global pode investir até 20% em países emergentes, ou cerca de US$ 5,4 bilhões, incluindo a América Latina. Zucchini diz que o fundo global pode ainda co-investir com um fundo dedicado à América Latina, o LAPEF, que têm US$ 2 bilhões, e aloca entre 60% a 70% no Brasil. Portanto, "podem ser alocados recursos em América Latina e Brasil, mas não está definido quanto virá para o Brasil", afirmou.
Zucchini disse que a alocação não é direcionada a um país em específico, mas a setores e oportunidades com potencialidade de retorno. "Evidentemente, o Brasil, como a maior economia da América Latina, é o candidato natural a receber esse porcentual de investimentos", afirmou.
A reeleição do presidente Lula para mais quatro anos de mandato não é um tema para o Advent, segundo ele, já que a gestora investe no Brasil há 30 anos. Entre os investimentos recentes estão, por exemplo, Natura, a empresa de tecnologia Skyone e operadora de educação básica Inspira.
"Temos um olhar de longo prazo, olhamos muito os setores e, dentre eles, as melhores oportunidades", afirmou. "Cada investimento dura até seis anos, e não temos uma visão de curto prazo e somente macroeconômica."
O Advent investe globalmente em cinco setores principais: serviços financeiros, consumo, saúde, industrial e tecnologia. Segundo Zucchini, a gestora está olhando para todos eles no Brasil, mas que a maior parte das aquisições tem acontecido nos segmentos de consumo e tecnologia. "Estamos olhando o setor de saúde com interesse porque vemos bastante oportunidades", afirmou. "Dentro dele, os de prestadores de serviços e de medicamentos, nos quais tivemos experiências bem-sucedidas."
Fundos para médias investirá até US$ 350 milhões
O Mid-Market Fund é o primeiro veículo de investimento da Advent voltado a aquisições de menor porte e a investimentos de crescimento, focado em setores específicos e em melhoria operacional. A estratégia vai complementar a dos fundos GPE e contará com as mesmas equipes de investimento, com prioridade em aportes de US$ 100 milhões a US$ 350 milhões em empresas com valor de até US$ 1,25 bilhão, principalmente na América do Norte e na Europa.
"É um segmento no qual há demanda de grandes investidores institucionais, que querem diversificar carteira, e também o potencial de crescimento das companhias é maior. É uma coisa nova para a Advent, mas é um produto que está no mercado há bastante tempo", disse Zucchini.
Os recursos para esse novo fundo foram captados entre investidores novos e atuais, incluindo fundos de pensão públicos e privados, fundos soberanos, endowments e fundações, gestores de fundos institucionais, family offices e indivíduos de alta renda.
O Advent abriu seu escritório em São Paulo em 1997, e seu primeiro investimento ocorreu no mesmo ano, com aquisição da Cardsystem. De lá para cá, já investiu mais de US$ 6,6 bilhões no Brasil em 35 transações, incluindo desinvestimentos. Entre as saídas mais recentes estão a Allied, o Grupo CRM, Nubank e o Grupo BIG.
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