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Advent capta US$ 30 bi; parte dos recursos deve vir para o Brasil

Gestora que compra participações em empresas e investiu recentemente em Natura, Skyone e Inspira comemora captação em momento difícil, de juros altos em todo o mundo

27 out 2026 - 16h11
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Resumo
A gestora Advent captou US$ 30 bilhões para seus fundos, superando o cenário desafiador do mercado global de private equity. O principal fundo, com US$ 27 bilhões, pode destinar até 20% a países emergentes, tornando o Brasil um forte candidato a novos aportes, além de contar com a possibilidade de co-investimento com o fundo regional LAPEF. Com foco em setores como consumo, tecnologia e saúde, a empresa mantém visão de longo prazo no país, onde já investiu mais de US$ 6,6 bilhões desde 1997.

Um dos principais investidores globais de private equity (que compra participações em empresas), o Advent captou US$ 30 bilhões (cerca de R$ 160 bilhões) em seu conjunto de fundos. Foram US$ 27 bilhões para o seu 11º fundo principal, o Advent International GPE XI e outros US$ 3 bilhões voltados para uma nova estratégia de empresas de médio porte, o Mid-Market Fund, que vai alocar recursos somente na Europa e nos Estados Unidos.

A captação dos recursos foi comemorada pelo Advent, dado o momento da indústria de private equity, que globalmente enfrenta dificuldades para realizar desinvestimentos e captar mais recursos para novas alocações.

"O mercado está desafiador", diz Juan Pablo Zucchini, sócio gerente em São Paulo e chefe de private equity da América Latina da Advent. "Com o juro elevado nos Estados Unidos, o processo de captação é mais difícil e impacta no tamanho dos novos fundos, por isso é um grande sucesso porque está fora da curva da indústria."

Fábrica da Natura: Advent ocupa cadeira no conselho da empresa
Fábrica da Natura: Advent ocupa cadeira no conselho da empresa
Foto: Natura/Divulgação / Estadão

Além da captação em si, 2026 está entre os anos com maior volume de desinvestimentos globalmente do Advent. Foram negociados, até agora, aproximadamente US$ 13 bilhões, em 27 empresas.

Segundo ele, o fundo global pode investir até 20% em países emergentes, ou cerca de US$ 5,4 bilhões, incluindo a América Latina. Zucchini diz que o fundo global pode ainda co-investir com um fundo dedicado à América Latina, o LAPEF, que têm US$ 2 bilhões, e aloca entre 60% a 70% no Brasil. Portanto, "podem ser alocados recursos em América Latina e Brasil, mas não está definido quanto virá para o Brasil", afirmou.

Zucchini disse que a alocação não é direcionada a um país em específico, mas a setores e oportunidades com potencialidade de retorno. "Evidentemente, o Brasil, como a maior economia da América Latina, é o candidato natural a receber esse porcentual de investimentos", afirmou.

A reeleição do presidente Lula para mais quatro anos de mandato não é um tema para o Advent, segundo ele, já que a gestora investe no Brasil há 30 anos. Entre os investimentos recentes estão, por exemplo, Natura, a empresa de tecnologia Skyone e operadora de educação básica Inspira.

"Temos um olhar de longo prazo, olhamos muito os setores e, dentre eles, as melhores oportunidades", afirmou. "Cada investimento dura até seis anos, e não temos uma visão de curto prazo e somente macroeconômica."

O Advent investe globalmente em cinco setores principais: serviços financeiros, consumo, saúde, industrial e tecnologia. Segundo Zucchini, a gestora está olhando para todos eles no Brasil, mas que a maior parte das aquisições tem acontecido nos segmentos de consumo e tecnologia. "Estamos olhando o setor de saúde com interesse porque vemos bastante oportunidades", afirmou. "Dentro dele, os de prestadores de serviços e de medicamentos, nos quais tivemos experiências bem-sucedidas."

Fundos para médias investirá até US$ 350 milhões

O Mid-Market Fund é o primeiro veículo de investimento da Advent voltado a aquisições de menor porte e a investimentos de crescimento, focado em setores específicos e em melhoria operacional. A estratégia vai complementar a dos fundos GPE e contará com as mesmas equipes de investimento, com prioridade em aportes de US$ 100 milhões a US$ 350 milhões em empresas com valor de até US$ 1,25 bilhão, principalmente na América do Norte e na Europa.

"É um segmento no qual há demanda de grandes investidores institucionais, que querem diversificar carteira, e também o potencial de crescimento das companhias é maior. É uma coisa nova para a Advent, mas é um produto que está no mercado há bastante tempo", disse Zucchini.

Os recursos para esse novo fundo foram captados entre investidores novos e atuais, incluindo fundos de pensão públicos e privados, fundos soberanos, endowments e fundações, gestores de fundos institucionais, family offices e indivíduos de alta renda.

O Advent abriu seu escritório em São Paulo em 1997, e seu primeiro investimento ocorreu no mesmo ano, com aquisição da Cardsystem. De lá para cá, já investiu mais de US$ 6,6 bilhões no Brasil em 35 transações, incluindo desinvestimentos. Entre as saídas mais recentes estão a Allied, o Grupo CRM, Nubank e o Grupo BIG.

Estadão
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