Script = https://s1.trrsf.com/update-1789154714/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Publicidade

Zuenir Ventura: 4 livros para conhecer a obra e o olhar do jornalista sobre o Brasil

Morto aos 95 anos, escritor deixou obras que aproximam grandes acontecimentos da história brasileira das vidas de seus personagens

22 set 2026 - 13h14
Compartilhar
Exibir comentários
Resumo
Com a morte do jornalista e escritor Zuenir Ventura, aos 95 anos, sua obra ganha destaque ao retratar as transformações históricas e sociais do Brasil com rigor e sensibilidade. Quatro livros essenciais sintetizam seu legado: "1968: O Ano que Não Terminou", sobre a ditadura; "Cidade Partida", vencedor do Jabuti sobre a violência no Rio; "Chico Mendes: Crime e Castigo", focado nos conflitos na Amazônia; e o memorialista "Minhas Histórias dos Outros", que revisita sua trajetória e grandes personalidades.

Escritor, jornalista e intérprete do Brasil, Zuenir Ventura fez da reportagem um caminho para compreender as transformações políticas, culturais e sociais do País.

Morto nesta terça-feira, 22, aos 95 anos, deixou uma obra que combina investigação rigorosa, atenção aos personagens e uma escrita capaz de aproximar o leitor de acontecimentos decisivos da história brasileira.

O jornalista e escritor Zuenir Ventura faleceu nesta terça-feira, 22
O jornalista e escritor Zuenir Ventura faleceu nesta terça-feira, 22
Foto: Marcos de Paula/Estadão / Estadão

Nos livros, reconstituiu a efervescência de 1968, investigou as divisões do Rio de Janeiro e acompanhou os desdobramentos do assassinato de Chico Mendes. Também voltou o olhar para a própria trajetória, recuperando encontros e bastidores de décadas de jornalismo. A seguir, confira quatro leituras para conhecer diferentes aspectos de sua obra.

Quatro leituras para conhecer diferentes aspectos da obra do escritor, jornalista e intérprete do Brasil
Quatro leituras para conhecer diferentes aspectos da obra do escritor, jornalista e intérprete do Brasil
Foto: Divulgação / Estadão

'1968: O Ano que Não Terminou'

Publicado em 1988, o livro reconstitui um ano decisivo da história brasileira, marcado pela mobilização estudantil, pela renovação dos costumes e pelo endurecimento da ditadura militar. No livro, ele combina entrevistas e pesquisa para acompanhar os acontecimentos políticos e a intensa produção cultural do período, que terminou com a edição do AI-5. Um retrato de uma geração, de suas expectativas e dos conflitos que continuariam a repercutir nas décadas seguintes.

O livro serviu de inspiração para a minissérie Os anos rebeldes, produzida pela TV Globo. O capítulo Um herói solitário inspirou o filme O homem que disse não, que o cineasta Olivier Horn realizou para a televisão francesa.

'Cidade Partida'

A chacina de Vigário Geral, que deixou 21 mortos em agosto de 1993, é o ponto de partida desta investigação sobre a violência e a desigualdade no Rio de Janeiro. Durante dez meses, Zuenir frequentou a comunidade e ouviu moradores para compreender as distâncias entre grupos que dividem a mesma cidade, mas vivem realidades profundamente distintas. Publicado em 1994, o livro confronta essas separações e procura caminhos de aproximação. Rendeu a Zuenir o Prêmio Jabuti 1995 de Melhor Reportagem.

'Chico Mendes: Crime e Castigo'

Em Chico Mendes: Crime e Castigo, Zuenir reúne reportagens sobre o assassinato do líder seringueiro e ambientalista Chico Mendes, ocorrido em dezembro de 1988, no Acre. O livro acompanha a investigação do crime, o julgamento dos responsáveis e o retorno do jornalista à região, quinze anos após a morte. Ao seguir personagens e desdobramentos do caso, examina os conflitos em torno da terra e da preservação da Amazônia.

A obra é dividida em três partes: "O crime", com as reportagens feitas para o Jornal do Brasil no começo de 1989, logo após o assassinato do seringueiro. "O castigo", que traz as reportagens produzidas dois anos depois, em 1990, juntamente com Marcelo Auler, durante a segunda e a terceira viagens do repórter ao Acre, para cobrir o julgamento dos assassinos. E "15 anos depois", a terceira parte, conta com textos de outubro de 2003, quando Zuenir revisitou lugares e personagens envolvidos no crime.

'Minhas Histórias dos Outros'

Zuenir revisita a própria vida por meio das pessoas com quem conviveu, entre elas Nelson Rodrigues, Betinho, Darcy Ribeiro e Glauber Rocha. São memórias pessoais que se misturam aos bastidores das redações e das reportagens, compondo um retrato do jornalista e de seu tempo. A obra é uma oportunidade de conhecer o autor por seus afetos, suas experiências e pela curiosidade com que se aproximava dos outros. O livro é descrito como "um acerto de contas com seu passado e suas lembranças".

Estadão
Compartilhar
TAGS

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra