Virginia Cambuci celebra 25 anos de carreira entre o Brasil e a França com o álbum 'Après Tout'
Cantora, compositora e instrumentista, Virginia Cambuci apresenta ao público o álbum "Après Tout" ("Depois de tudo", em português), seu trabalho mais recente, coroando uma trajetória de 25 anos construída entre o Brasil e a Europa. Nascida no Tocantins, criada em Fortaleza e radicada na França desde 2011, ela leva sua mistura de música popular brasileira, jazz e ritmos afro-brasileiros contemporâneos a festivais e importantes palcos de jazz da capital francesa.
Celebrando 25 anos de carreira entre o Brasil e a Europa, a cantora independente Virginia Cambuci lança o álbum pessoal "Après Tout", influenciado pelo jazz brasileiro e suas vivências recentes. Marcada pela fusão cultural que vai do gospel à música afro-brasileira, a artista também gravou com o ex-jogador Raí e lidera o grupo Cambuci, projeto focado em temas como a luta feminina e a natureza, com o qual se apresenta em Paris destacando sua identidade plural e resiliente.
Virginia descobriu sua vocação artística na música gospel e deu os primeiros passos profissionais em Fortaleza antes de se mudar para a Europa. A experiência vivida entre a Espanha e a França ajudou a moldar uma obra aberta ao diálogo entre diferentes culturas e linguagens musicais.
"Foi aos 17 anos que eu comecei a trabalhar com a música no Brasil, já em Fortaleza. Viajei para a Espanha aos 22 anos e, desde então, faço essas viagens entre Espanha e França", conta.
Essa experiência de deslocamento geográfico e cultural aparece de forma particularmente forte em "Tantas Histórias para Contar", álbum lançado em 2015. O disco reúne influências diversas e inclui uma canção em francês, Le noir gris de Paris, inspirada pelos primeiros anos de adaptação à capital francesa.
"Foi um trabalho onde eu pude escrever as experiências que vivi desde a minha saída do Brasil. Os dois primeiros anos aqui foram difíceis", relembra. Apesar da década transcorrida desde o lançamento, o álbum continua ocupando um lugar central em sua trajetória. "Até hoje eu faço festivais de música do mundo com esse álbum."
O novo trabalho reflete algumas das transformações mais marcantes vividas pela artista nos últimos anos, entre elas a pandemia de Covid-19, uma separação e o nascimento do filho. Desse conjunto de experiências surgiu um repertório mais pessoal, que dialoga com o universo do jazz brasileiro.
"Depois de tudo isso, eu ainda consegui voltar a escrever, a compor e a fazer novas canções", diz Cambuci. Artista independente, ela vê o disco como uma reafirmação de sua trajetória criativa. "Apesar de tudo, volto a atacar com outras composições."
Do formato intimista às formações mais amplas
Ao longo da carreira, a cantora transitou entre diferentes formações e projetos, buscando músicos capazes de dialogar com universos específicos, da música afro-brasileira ao jazz, sem perder a conexão com as raízes brasileiras.
"Eu tenho a sorte de ter encontrado músicos extraordinários desde o começo da minha carreira", afirma. "Para cada formação, preciso de pessoas que possam me dar o som que estou buscando."
Essa abertura também foi ampliada pelo contato com músicos de diferentes nacionalidades. Segundo ela, a convivência artística na Europa permitiu expandir as possibilidades da música brasileira sem abrir mão de sua identidade.
"Eu pude abrir o leque de opções da música e do que eu posso fazer com a música brasileira. Outros artistas colocam outras cores. Por isso é tão prazeroso e tão rico."
Parceria com Raí
Essa capacidade de construir pontes entre universos distintos ficou evidente na recente parceria com o ex-jogador Raí na canção Subindo a Ladeira, lançada durante a Temporada Cultural Brasil-França, em 2025. A ideia nasceu depois que a cantora assistiu a uma apresentação informal do ex-capitão da Seleção Brasileira e do PSG.
"Eu pensei: 'Espera, mas ele canta bem'", diverte-se. O convite foi aceito de imediato e a gravação surpreendeu pela rapidez. "Ele gravou, cantou e ainda dançou."
Paralelamente ao trabalho solo, Virginia também apresenta o grupo Cambuci, dedicado a uma sonoridade afro-brasileira contemporânea. O projeto estará em destaque nesta quinta-feira, 8 de outubro, no Café de la Danse, em Paris, onde a artista fará a primeira parte do show da cantora de jazz Manu Le Prince. O repertório reúne canções que abordam temas como a condição feminina, a natureza e o cotidiano, sempre sob o signo da positividade.
"A gente decidiu fazer letras que sejam positivas. Vamos falar sobre a luta da mulher, sobre a natureza, sobre o dia a dia, mas sempre com muita positividade."
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