Todos os dedos estão apontados para Malu Gaspar, inclusive o de alguns colegas da GloboNews
Clima estranho entre a comentarista e outros jornalistas do canal vira o lado B da cobertura da crise no STF
A discordância em um debate na TV é saudável por gerar a necessária pluralidade de opiniões.
Mas, na GloboNews, passou a gerar incômodo na frente e atrás das câmeras. Além disso, provoca repercussão ruidosa nas redes sociais e na imprensa.
De um lado, Malu Gaspar e suas informações exclusivas atribuídas a fontes da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal.
Do outro, colegas de emissora que enxergam parcialidade nas análises feitas por ela — supostamente a favor do ministro André Mendonça e, consequentemente, contra o ministro Alexandre de Moraes.
O episódio mais tenso envolveu Octávio Guedes. Sentindo-se incomodado com um questionamento de Malu a seu respeito, lançou um torpedo verbal.
“Eu estou aqui de repórter, ouvindo e trazendo informação. Não estou advogando para ninguém.”
Outros profissionais de vídeo da GloboNews, como Camila Bomfim, também já demonstraram desconforto com Malu e fizeram contrapontos imediatos a algumas falas dela.
Na internet, a comentarista recebe pesadas críticas. Inclusive de personalidades conhecidas do campo progressista, como a também jornalista Hildegard Angel.
Mas também é defendida por quem vê sua atuação como imprescindível por nadar contra a corrente na grande mídia.
Este caso evidencia um problema recorrente na GloboNews: o confronto de ideias raramente acontece de maneira tranquila.
É como se discordar do colega ou da maioria no estúdio fosse um ultraje e exigisse um pedido de desculpas.
Já vimos bate-bocas desnecessários a partir de simples divergências. Por exemplo, entre Gerson Camarotti e Demétrio Magnoli.
Em outros canais, como a CNN Brasil, os debates entre jornalistas acontecem com mais naturalidade, sem que o choque de interpretações termine em embate pessoal.
Além disso, a irritação provocada por Malu Gaspar reaviva a velha discussão sobre a impossibilidade de existir jornalismo 100% imparcial.
Donos de emissoras, chefes de redação, editores e apresentadores carregam suas próprias inclinações no espectro político.
O que se espera de âncoras, analistas e formadores de opinião é o bom senso de ouvir sempre o contraditório.
Esse equilíbrio separa o jornalismo correto da tendenciosidade, da desinformação deliberada e da militância que abandona o compromisso com os fatos.
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