Sucesso da Escolinha comprova: o público quer mesmo é rir
O humor pode ser uma relevante plataforma de crítica social. E pode também ter uma função menos 'nobre', ainda que igualmente importante: fazer rir sem nenhum compromisso ideológico.
Não se trata de alienação, e sim de expurgar uma alegria às vezes represada pelas circunstâncias.
O brasileiro em geral teve poucos motivos para gargalhar em 2015. Foi um ano com overdose de violência, corrupção, tragédias naturais, perdas humanas, menos dinheiro no bolso.
"O dólar subiu novamente." "Recorde de desemprego." "Caos na saúde." "Mais brigas no Congresso." "Haverá ou não impeachment?"
A TV teve um período com mais polêmicas do que inovações. Por isso é compreensível que uma fórmula simples e repetitiva como a da Escolinha do Professor Raimundo atinja um êxito surpreendente.
Os três primeiros episódios, exibidos aos domingos na Globo, registraram média de 15 pontos. No último dia 27, o programa marcou 16.5 e superou a audiência do Domingão do Faustão.
A nova fase da Escolinha chega a encostar no índice do Zorra, que vai ao ar no horário nobre aos sábados e marcou 17 pontos de média nas últimas três semanas.
Empolgada com o resultado, a Globo deu sinal verde para a produção de novos episódios. A última temporada da atração havia sido gravada em 2001.
Durante anos, Chico Anysio tentou convencer a emissora a retomar a produção para que voltasse a interpretar o professor Raimundo.
Porém ele morreu em abril de 2012, aos 80 anos, sem ter o pedido atendido pelo canal no qual trabalhou por mais de quatro décadas.
A versão 2015 da Escolinha tem dois filhos do genial humorista: Bruno Mazzeo, que interpreta o Professor Raimundo, e Nizo Netto, que faz parte da equipe de roteiristas e antes interpretava o engomadinho Ptolomeu.