Seriado "trash" ocupa programação vespertina da Band
Todo mundo gosta de alguma coisa esquisita. Pode ser coleção de sabonetes de hotel, pêssego em calda com maionese, aparelho nos dentes, todas as roupas da mesma cor. Ou, coisa muito mais normal, assistir aos mais estranhos seriados de TV. Como, por exemplo, Mundo Perdido, que a Band oferece nas tardes de semana.
O seriado tem produção de John Landis, que dirigiu filmes ótimos, como Os Irmãos Cara-de-Pau. E segue a mesma linha de duas outras séries que volta e meia reaparecem na TV aberta: Xena, a Princesa Guerreira e Hércules, ambos produzidos por Sam Raimi, diretor das séries de cinema O Homem-Aranha e Uma Noite Alucinante. Uma linhagem que explica um pouco como todas estas atrações se tornaram cultuadas por seletos fãs de diversos países.
Mundo Perdido é um quarto de despejo de tudo o que se pode encontrar a respeito de ficção científica e fantasia produzidos da maneira mais tosca e bizarra. A produção canadense-australiana-neo-zelandesa baseia-se no livro homônimo de Sir Arthur Conan Doyle, o mesmo que criou o detetive Sherlock Holmes. No alto de um platô nas selvas tropicais, estão perdidos os aventureiros George Challenger, de Peter McCauley, Lord John Roxton, de William Snow, e Ned Malone, de David Orth, além da financista Marguerite Krux, de Rachel Blakely, e da órfã Verônica, de Jennifer O'Dell, sempre de minissaia, barriguinha de fora e enfiada num top de couro. O fato de que pouca gente vai conseguir se lembrar destes atores em outras produções não faz a menor diferença. Quando uma produção tem um orçamento mais modesto, ela costuma ser classificada como B.
Mundo Perdido não chega a Z. No alto do tal platô, os heróis enfrentam pterodátilos e velociraptors, caubóis, caçadores de escravos da Antiguidade, plantas carnívoras, deuses malvados, cavaleiros medievais, vikings, robôs, canibais, ETs de variadas cepas e vampiros mais vergonhosos que os pastiches do cineasta Ivan Cardoso.
A sucessão de elementos é tão variada e bizarra que a série consegue transmitir o efeito do "quanto pior melhor". Nem mesmo os muitos "defeitos especiais" aplicados nas telenovelas brasileiras - das quais a trilogia Mutantes, da Record, é imbatível - consegue superar o resultado tosco e artificial da série. Nada disso tem a menor importância para os fãs. Mundo Perdido é uma espécie de território livre da imaginação onde qualquer coisa pode acontecer, quem sabe até uma boa atuação.
Nas tardes perdidas da televisão brasileira, dominadas por filmes ingênuos e programas que variam entre religião, crime e fofoca, até que assistir uns dinossauros sendo esbofeteados por uma loura de "top" pode ser divertido. Questão de gosto.