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Seriado juvenil combina dissecações e tensão sexual para criar "clima"

13 dez 2010 - 07h16
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Mauro Trindade

Adolescentes costumam combinar uma explosão hormonal com gostos estranhos e muita dificuldade de relacionamentos. É o caso de Dexter, personagem-título do seriado do Showtime, que a Rede TV! passou a exibir na semana passada. É uma história feita sob medida para a puberdade.

Dexter Morgan é um jovem e talentoso patologista da Polícia de Miami, capaz de resolver os casos mais intrincados, sempre com raciocínio dedutivo e provas materiais. Mas, nas horas vagas, o rapaz assume sua identidade secreta de serial killer, descoberta pelo pai quando Dexter ainda era um menino. Sem saber o porquê, o garoto tem uma compulsão de matar qualquer ser vivo. E, para evitar que o filho se tornasse um criminoso, o pai o ensina a matar. Mas apenas outros assassinos. Assim a "justiça" seria feita.

Psicologia barata e saldão de ética à parte, Dexter é o perfeito adolescente nerd. É muito inteligente, não se alimenta direito e costuma mastigar junk food fazendo outras coisas ao mesmo tempo. Não consegue se relacionar com ninguém, pois acredita que ninguém é como ele. Especialmente garotas, pois acha sexo um tanto esquisito - afinal, ficará exposto e terá de repartir algo com os outros. E, finalmente, gosta de situações bizarras e objetos particularmente macabros. Como corpos desmembrados e banhos de sangue.

Mas é a afeição pelos mortos que atrai o espectador. Como em outras série - e C.S.I. é o melhor exemplo - é o corpo o protagonista, exposto sem terror, desumanizado, com a mesma emoção de uma prótese de silicone.

Além de cabelos desalinhados e a aparência teen dada ao seu personagem, Michael Hall oferece o jeito dissimulado de um bom adolescente. O ator tem um histórico de tipos extravagantes, desde sua estreia no teatro, em um revival de Cabaret. Foi ainda o filho gay da série Six Under Feet.

O filme Frenesi, de Alfred Hitchcock, parece um tanto premonitório dos caminhos que o cinema e a TV seguiriam. Naquela produção de 1972, ele mostra como o filme policial deixaria de lado a elegância visual que sempre foi sua marca registrada para mergulhar em obras visualmente escandalosas. O grande diretor termina o filme com uma mulher estrangulada e nua com a língua de fora. Era a própria imagem da vulgarização do sexo e da violência que o diretor de Vertigo tanto abominava.

Dexter faz parte dessa nova sensibilidade. O que vale é o corpo, despido de toda a transcendência e toda a humanidade, servido em uma história divertida e ligeira. E ponto final.

Dexter - Rede TV! - Segunda, às 22h50.

Seriado 'Dexter' tenta criar clima juvenil
Seriado 'Dexter' tenta criar clima juvenil
Foto: Michael C. Hall/Rede TV! / Divulgação
Fonte: TV Press
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