Novela da Globo trouxe sátira política e sofreu com audiência há 12 anos
A nova versão de uma obra consagrada sofreu para subir a audiência e trouxe sátiras do momento político da época, além de efeitos especiais de ponta
Uma das obras mais consagradas da televisão, recebeu seu remake há 12 anos: Saramandaia estreou na faixa da novela das 23h. A adaptação do clássico de Dias Gomes sofreu para engatar na audiência e trouxe novas sátiras políticas para conversar com o momento que era exibida. A trama também trouxe uma estética diferenciada e efeitos especiais vistos em produções de Hollywood.
Ricardo Linhares foi o responsável pela nova versão e adicionou novos personagens, como Tibério Vilar e Vitória, interpretados por Tarcísio Meira e Lilia Cabral, respectivamente. O autor, na época, afirmou: "O que eu mais aproveitei da história do Dias foram esses personagens emblemáticos. Mas as histórias são outras, não é simplesmente um remake".
Momento político
A história de 1976 trazia metáforas sobre o período da Ditadura Militar (1964 - 1985). Como na nova obra precisaria de algo que fosse do momento presente, Nilson Xavier, do Teledramaturgia, relembra que as sátiras políticas da novela traziam o foco no escândalo do mensalão e as manifestações que pararam o Brasil em 2013. A novela também trouxe referências ao movimento LGBTQIAPN+, com personagens que viviam à margem da sociedade, traçando um paralelo com a expressão que usavam ("sair do armário"). Isto foi encabeçado por João Gibão (Sérgio Guizé) e Professor Aristóbulo (Gabriel Braga Nunes).
Audiência
Exibida na faixa das 23h, a obra sofreu um pouco para ter público. Nilson relembra que, em comparação com outros sucessos do horário, como os remakes de Gabriela e O Astro, acabou fechando com média inferior. Enquanto os dois casos tiveram 18 e 19 pontos, respectivamentes, Saramandaia ficou com 15. O enredo e a atenção do público voltaram com o foco da narrativa voltando aos movimentos políticos e aos personagens e suas particularidades, parte do mundo fantástico que a novela abordava.
Efeitos especiais
Com lobisomens, anjos e a própria Dona Redonda (Vera Holtz), a novela precisou de uma equipe focada nisto. Mark Coulier, que caracterizou Meryl Streep em A Dama de Ferro - e foi premiado - foi consultor da equipe para deixar a personagem que iria explodir no final da obra e adaptar as roupas dela. Xavier relembra que foram utilizados efeitos especiais em 3D alinhados ao mecânico/prático.