Michel Tikhomiroff revela detalhes do processo de votação do prêmio Emmy Internacional
Diretor de cinema e séries está entre os votantes que definem os vencedores
“And International Emmy goes to…”
O Brasil já ganhou alguns troféus na prestigiada premiação realizada nos Estados Unidos.
O que pouca gente sabe é que há brasileiros entre os jurados.
Um deles é o cineasta e diretor de séries Michel Tikhomiroff.
Nesta entrevista, o carioca responsável pelo êxito de ‘O Negócio’ — uma das primeiras séries de streaming a viralizar no país — conta detalhes dos bastidores.
Como e quando começou a ser jurado do Emmy Internacional?
Se não me engano a primeira vez foi em 2015, quando fui convidado pela HBO (host do Emmy Internacional naquele ano) para fazer parte do seu corpo de jurados em Miami.
Pode detalhar como funciona o processo para conhecer e votar nos indicados?
Tem basicamente duas maneiras. Uma é participando presencialmente com um corpo de jurados na sede de alguma empresa ‘host’ do evento na fase final das votações ou por votação online nas fases preliminares. Em ambos os casos, os jurados são designados a votar em alguma categoria específica da premiação (como melhor série dramática ou melhor atriz ou minissérie, etc) e assistem a episódios (ou telefilmes) dos concorrentes para avaliação. Em seguida, têm que dar notas individualmente e em sigilo seguindo os critérios estabelecidos pelo Emmy Internacional.
Você, como jurado, participa da cerimônia nos Estados Unidos? Tem contato com os outros julgadores?
Como jurado e membro da International Academy of Television Arts & Science (Emmy Internacional) sou sempre convidado a participar da cerimônia em Nova York.
Produções brasileiras aparecem com frequência entre os nomeados. Avalia que nossa TV tem uma produção consistente na comparação com a de outros países?
Sem dúvida. Como membro e jurado tenho o privilégio de acessar a muitas obras vindas de todos os continentes, muitas vezes difíceis de serem acessadas. E posso afirmar que as produções brasileiras têm competência para competir e qualidade para se destacar no cenário audiovisual mundial. As produções brasileiras não são apenas constantemente nomeadas, mas são vencedoras frequentes de Emmys em diversas categorias.
Você dirigiu uma das séries mais bem-sucedidas da TV paga, ‘O Negócio’. Olhando com a distância temporal, como explica aquele sucesso?
Acredito que o sucesso veio da combinação de um conceito ousado com roteiros sólidos e uma produção arrojada. ‘O Negócio’ surgiu antes da era dos streamings, mas já tinha características das séries recentes que engajam o público com personagens carismáticos, histórias surpreendentes e ganchos potentes. Não por acaso, ainda aparece com frequência no Top 10 de mais assistidas da HBO Max hoje em dia!
Quais seus projetos para este e o próximo ano?
Além de estar envolvido com longas-metragens e séries em diferentes fases de desenvolvimento, dirigi recentemente uma série para a Globoplay que está em fase de pós produção. Ainda não posso divulgar, mas adoro e acredito muito no potencial dessa nova série.
(Nota: segunda a coluna apurou, trata-se de ‘Instinto’, série policial com forte contexto erótico ambientada em São Paulo; ainda sem data de lançamento.)
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