Maria Flor volta para seus dois maridos em 'Aline'
- Geraldo Bessa
Desde que passou no teste para protagonizar a série Aline, Maria Flor previu que seria uma boa oportunidade para experimentar a comédia em sua carreira. "Meus personagens sempre foram pesados e dramáticos. Estava querendo variar", relembrou a atriz que, a partir do dia 3 de fevereiro, volta a interpretar a espevitada personagem-título, na segunda temporada do seriado. Baseado na obra do cartunista gaúcho Adão Iturrusgarai, Aline estreou na TV em 2008 como um especial de fim de ano, sob o comando do diretor Maurício Farias. "Não foi nada muito pensando. A série veio devagar e foi dando certo", acreditou Maria.
Para atriz, é perceptível a evolução dos dramas da personagem ao longo dos oito episódios da atual temporada. "As loucuras dela ainda são frequentes. Mas acho que o texto está mais encorpado e real", adiantou. Algumas situações permanecem inalteradas. Os figurinos e cenários continuam misturando cores e referências, e Aline ainda é o centro de um triângulo amoroso composto pelos preguiçosos Pedro, de Pedro Neschling, e Otto, de Bernardo Marinho. "É uma relação muito bonita e sem complicações. Os dois são amigos e amam a mesma mulher. Mas agora eles vão acordar para a vida e para as responsabilidades", destacou.
Nesta segunda temporada, os conflitos de sua personagem ficam mais sérios. O que você acha dessa mudança de rumo na vida da Aline?
Encaro isso de forma muito natural. Não foram só os personagens que amadureceram. Eu, Pedro e Bernardo também envelhecemos e estamos diante de novos riscos. Achei muito perspicaz da parte dos roteiristas seguir por esse caminho. Antes esse trio só brincava e pensava em festas, coisas da juventude. Agora, estão diante de novas experiências. Eles vão se aventurar em buscas profissionais e têm vários conflitos relacionados com trabalho.
Ela vai tentar construir uma carreira em qual profissão?
A Aline vai investir na carreira de estilista. O figurino dela tem personalidade, então a escolha pelo mundo da moda vai ser natural. Essa possibilidade já tinha até sido conversada, devido ao jeito e aos interesses dela. Inclusive, um dos episódios novos foi inspirado no filme O Diabo Veste Prada. O título ficou O Diabo Veste Aline. Ela vai ser assistente de uma dessas megeras do universo fashion, interpretada pela Bianca Byington. Essa mulher é dona de uma famosa marca de roupas e tem duas assistentes. Ela faz uma competição para saber qual é a melhor. A vencedora vai para Paris, apresentar um desfile com a chefa.
Dar vida a um personagem tão libertário e extravagante como a Aline mudou alguma coisa na sua personalidade?
Fico com algumas coisas da personagem durante o processo de trabalho. Mas quando acaba, eu me faço esquecer, aquilo não pertence a mim. Acho que ela ficou mais com as minhas atitudes, do que eu com as dela. Ela tem uma conduta muito mais livre e despreocupada do que eu. Mas emprestei a ela um jeito mais romântico. Ela é carinhosa com todo mundo, nervosa e intempestiva, assim como eu. Pouco a pouco, fui introduzindo esses aspectos na personagem.
Você ainda fica receosa com a repercussão em torno do relacionamento a três entre os personagens principais?
Na televisão, a relação deles é mais baseada em sentimentos do que em sexo. Nos quadrinhos, a parte sexual é melhor explorada. Acho que esse tipo de relação deve ser bem mais comum do que a gente imagina. É algo livre de preconceitos e bobagens sociais. Eu nunca passei por uma situação como essa, mas respeito. Sou muito careta para viver algo do tipo.
A interação entre você, Bernando e Pedro é inegável. Vocês já se conheciam antes do projeto?
Nos conhecemos fazendo os testes para entrar no elenco. Eu fiz o teste com vários atores e eles com outras atrizes. Ter uma química entre os três intérpretes era fundamental para a direção e a gente foi escolhido. Com o tempo veio a admiração, o trabalho em equipe, e a amizade foi se fortalecendo. Hoje a gente se fala sempre, se liga, marca de sair, conhecemos nossas famílias. Acabou que eles entraram para a minha vida.
Esta é a terceira vez que você interpreta a personagem. Existe alguma preocupação em ficar muito marcada pelo papel?
Não penso muito nisso. O programa me deu inúmeras possibilidades de interpretação e estou aproveitando esse aprendizado. Talvez se a série existir por umas dez temporadas, eu possa ficar conhecida como a menina que faz a Aline. Mas nem a terceira temporada está garantida ainda. Isso depende muito do resultado desse ano no ibope. A Globo está fazendo um rodízio na programação. A gente só vai saber se a série terá fôlego para uma continuação se houver resposta do público. Torço para que tudo dê certo e a gente consiga trabalhar novas histórias.
Sua última novela foi Eterna Magia, de 2007. Após isso você trabalhou nas séries Som e Fúria e Aline. Você está preferindo atuar em projetos de curta duração?
São coisas diferentes. Não procurei fazer apenas séries nestes últimos anos, mas acabou acontecendo. Afinal, estava reservada para Aline. Por isso, não poderia ser escalada para outros trabalhos na emissora. Acho bem divertido e gosto do formato. Primeiro, porque é uma obra fechada, então é possível ter mais controle sobre o personagem. Além disso, você trabalha intensamente durante quatro meses, mas depois fica um tempo maior livre e pode se dedicar a outras coisas.
Você tem entremeado trabalhos na televisão e projetos no cinema. É uma maneira de buscar novos personagens, já que na TV você tem o compromisso com o seriado?
Na verdade, é uma maneira de diversificar mais a minha carreira. De ter outras experiências e trabalhar com pessoas que gosto. Entre uma temporada e outra, fiz alguns filmes, sendo que "O Bem Amado", do Guel Arraes, estreou em 2010 e acabou de passar na Globo em formato de microssérie. Dois longas que participei serão lançados este ano. Tem o "Xingu", filme dirigido pelo Cao Hamburger, que filmei pouco antes de começar a gravar essa segunda temporada. E "O Senhor do Labirinto", do Geraldo Motta, que conta a história do artista sergipano Arthur Bispo do Rosário.
Aline - Globo - Quinta, às 23h20.
Pais e canções
O roteirista Mauro Wilson foi o grande responsável por levar as histórias de Aline para a TV. Muito amigo de Adão Iturrusgarai, criador dos quadrinhos, Mauro mostrou o projeto para o diretor Maurício Farias e os dois começaram a decidir qual seria o melhor jeito de adaptar o texto para o veículo. "A série surgiu como uma mistura de referências da cultura 'pop' e isso criou uma conexão com os jovens. Agora queremos expandir esse público com o desenvolvimento do núcleo adulto da trama", contou Mauro, referindo-se ao núcleo formado pelos pais de Aline, Zé e Dolores, respectivamente interpretados por Daniel Dantas e Malu Galli. "Eles viviam brigando e agora vão realmente dar um tempo e se envolver com outras pessoas", falou Daniel. Por conta disso, o seriado ganha dois personagens fixos com a entrada de Vera e João, de Maria Luisa Mendonça e Kiko Mascarenhas.
Além de novos atores, a trama conta com várias participações especiais. Nomes como Nathalia Dill, Mariana Lima e Lucélia Santos, interpretando a mãe de Pedro. "Foi muito bom fazer essa brincadeira entre a realidade e a ficção ao contracenar com a minha mãe", ressaltou Pedro Neschling. Outra novidade é a utilização de vários gêneros da dramaturgia. Aline não vai deixar a comédia de lado, mas ela vai dividir espaço com o suspense e o drama. Além disso, terá um episódio inteiramente musical. "Queríamos trazer coisas diferentes para essa nova temporada. Por isso, em um dos episódios, todos os atores vão cantar clássicos do rock nacional dos anos 80. Vai ser uma festa", aposta o diretor Maurício Farias. Entre as músicas, estão Inútil, do grupo Ultraje a Rigor, e Você Não Soube Me Amar, da Blitz. Os arranjos e a preparação dos atores para as performances foram acompanhadas de perto pelos produtores musicais do seriado, Branco Mello e Emerson Villani. "Achei a ideia sensacional, pois é um projeto extremamente musical", empolgou-se Branco.
Rotina puxada
Previsto para ir ao ar no segundo semestre de 2010, Aline teve a estreia adiada para entrar na programação de verão da Globo. Reservada pela emissora para o projeto, Maria Flor começou a gravar o novo trabalho em setembro do ano passado. "O ritmo era intenso. Passamos um mês gravando em São Paulo. Foram muitas noturnas e poucas horas de sono, mas o resultado compensa", valorizou Maria. Depois disso, a equipe fez as cenas de estúdio na Central Globo de Produção, no Rio de Janeiro. Atualmente, a atriz só quer saber de descansar e espera a repercussão da segunda temporada para dar continuidade à personagem. "O período de trabalho é menor, mas você grava exaustivamente. Quando acaba, você demora a entender que acabou" concluiu.
Trajetória Televisiva
# Malhação (Globo, 2003) - Regina Portobelo.
# Cabocla (Globo, 2004) - Tina.
# Belíssima (Globo, 2005) - Thaís Güney.
# Eterna Magia (Globo, 2007) - Nina.
# Som e Fúria (Globo, 2009) - Kátia.
# O Bem Amado (Globo, 2011) - Violeta.
# Aline (Globo, 2008/2009/2011) - Aline.