Script = https://s1.trrsf.com/update-1765905308/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Guilherme Weber explora tom farsesco de 'Tempos Modernos'

11 fev 2010 - 17h17
(atualizado às 18h20)
Compartilhar
Márcio Maio
Direto do Rio

Guilherme Weber deixa sempre claro que não tem grandes planos em relação à tevê. Fundador, ao lado do colega Felipe Hirsch, da Sutil Companhia de Teatro, o ator se diverte encarnando o intragável Albano de Tempos Modernos, novela das sete da Globo. Mas assume que não são os personagens que lhe dão mais motivação para assumir um compromisso com a televisão. "Me interessam as parcerias. Não cultivo o romantismo de achar que algumas coisas são melhores e outras são piores dentro da tevê", argumenta. Contratado da Globo até 2012, este curitibano só quer continuar conciliando suas aparições nas novelas com o pilar que o sustentou, até agora, nas artes dramáticas: o teatro. "Desde que assinei meu primeiro contrato longo, consegui me dividir. Fico um ano atuando nos palcos e outro nos estúdios", explica ele, que deixou o elenco de Passione, próxima trama das oito da Globo, para se juntar ao autor Bosco Brasil e ao diretor José Luiz Villamarim em Tempos Modernos.

Antes de ser escalado para Tempos Modernos, você estava reservado para Passione, do Sílvio de Abreu. O que o fez mudar de produção?

Tenho uma parceria já estruturada com a (diretora) Denise Saraceni e o Sílvio de Abreu, que estão juntos em Passione. Mas quando o José Luiz Villamarim, diretor de Tempos Modernos, me chamou, tanto a Denise quanto o Sílvio ainda não tinham encontrado, na sinopse da novela deles, um personagem que se encaixasse no meu perfil. A própria Denise achou que talvez fosse melhor eu ser liberado para fazer o folhetim do Bosco, já que o papel era bem bacana. Então eu fui.

Você chegou a se preocupar com o fato de ser outro vilão de novela das sete, papel que você experimentou na sua estreia, em 2004, em Da Cor do Pecado?

No início, realmente cheguei a pensar um pouco se não seria muito próximo do que fiz em Da Cor do Pecado. Só que a gente tem de abrir mão dessas comparações. As escolhas estão muito pouco na nossa mão quando se trata de televisão. Não existe muito o 'não fazer isso para fazer aquilo'. A minha relação com a tevê é muito imediata. E esse arquétipo de vilão de novela das sete é um título, mas você pode diferenciar muito entre um e outro, o que é estimulante. Cheguei em um momento da carreira em que me instigam mais as parcerias que os personagens. Trabalhar com o Bosco, que é um cara do teatro, e com o Zé Luiz, com quem eu nunca trabalhei e é pós-moderno, pesou muito.

Como foi seu trabalho de criação do Albano para estabelecer essa diferença?

A trama central foi inspirada em Rei Lear, mas isso era só um ponto de partida. Então, fui buscar na minha própria memória emotiva um pouco do que as novelas tinham nos anos 80. Era uma sensação, um tipo de embocadura, uma situação corporal diferente do que se vê hoje, bem menos naturalista. Cheguei a pensar em olhar coisas da época, mas eu não sei o quanto minha memória já modificou esse material e queria exatamente o que estava na minha cabeça.

Como é essa memória?

Lembro das novelas do Cassiano Gabus Mendes, do Lauro César Muniz, do Sílvio de Abreu, que tinham uma estética que influenciava a interpretação. Era um jeito de falar, de se mexer muito mais teatral. Especialmente nos personagens com mais composição. Mas também recorri um pouco ao clima dos filmes ingleses dos anos 70, de espionagem, aqueles que o Michael Caine fazia. Até encasquetei com uns óculos gigantes, de grau, que ele usava em alguns filmes e acabei conseguindo trazer isso para o Albano. Às vezes, a construção vem muito de dentro e, outras bem de fora. Em Queridos Amigos, quando fiz o Benny, minha construção foi totalmente interiorizada, um mergulho sentimental na literatura. Nessa novela, a composição veio de referências concretas e estéticas. Quando eu coloquei os óculos, por exemplo, esse personagem teve uma cara para mim.

Você passou anos no teatro sem buscar espaço na tevê. Como divide hoje sua rotina de ator da Globo e fundador de uma companhia teatral?

Direcionei minha vida para o teatro durante muito tempo, me dediquei à companhia e, depois que ela se estabeleceu, fiquei um ou dois anos muito dedicado a outras coisas que até então não tinham tanto espaço na minha vida, como o cinema e a televisão. Acho que cheguei no equilíbrio. Hoje, já tenho uma história na tevê, uma produtividade grande, a ponto de me quererem, me reservarem. Já cheguei a recusar algumas coisas. Posso me dividir e fazer uma média de um ano lá e outro cá. E essa é a minha ideia: conciliar sempre.

Você disse que já recusou papéis. Por quê?

Tenho seis anos de tevê, então não foram tantos. Eu não tenho a ilusão de fazer distinções de coisas dentro da televisão. Não cultivo o romantismo de achar que algumas coisas são melhores que outras. Existem, sim, parcerias que me estimulam mais. Para mim, o foco é sempre o contato humano, a troca, o artista, o parceiro. Quando eu recuso, geralmente, é em função de uma nova proposta. Tenho uma relação bem profissional com o veículo. Sei que existe uma empresa que me contrata e fico constrangido por ficar tempos sem trabalhar ou recusar coisas. Ano passado, quando comecei a recuar, foi porque eu tinha feito muitos trabalhos seguidos. Aí parei, fiquei seis meses sem gravar e veio o convite para entrar em Malhação. O que eu evito é o excesso de trabalho e das aparições no vídeo.

Como é o retorno de público?

Muito bom. Estou acostumado a fazer corpo a corpo no teatro e sou de uma companhia que tem sempre muito público. Mas a tevê está em milhares de lares todos os dias. Por mais que falem do trabalho atual, é claro, muitos se lembram bastante do Tony, de Da Cor do Pecado. A novela foi um fenômeno. É a mais vendida da história da Globo. Já dei autógrafos por causa dela na Itália, Espanha, França, Portugal, Rússia e outros lugares que não recordo agora. E não falo de brasileiros que estavam lá, e sim população local, que assistiu à novela. Foi um personagem muito forte, o de maior repercussão na minha carreira.

O que você ainda espera da tevê?

Sou de fato estimulado por parcerias. Quero trabalhar com outros autores e diretores. Não tenho ambições pessoais dentro da televisão. É um lado a mais da minha carreira que não fica tanto na minha mão. Até tenho a ideia de desenvolver um programa, mas foi algo que pintou, porque não tenho um foco de construção dentro da tevê. No teatro, sim, eu sei que posso construir. Fora dele, prefiro deixar acontecer. Não procuro nada, espero as oportunidades que chegam. Não alimento, não fico estimulando ninguém e também não tenho a ansiedade de estar no ar. Meu projeto inicial nunca foi a fama ou ser conhecido. E isso não vai mudar.

Tempos Modernos - Segunda a sábado, às 19h15, na Globo.

Inspiração divina

A paixão de Guilherme Weber pelas artes começou ainda pequeno, de um jeito inusitado. O ator descobriu na infância o livro A Vida dos Santos na biblioteca de sua escola e, a partir dali, cultivou verdadeiro fascínio sobre o assunto. "Hoje eu vejo que o que me interessava era o lado teatral daqueles textos. Quanto mais sofrida era a história, mas me prendia", lembra. Depois de ler tudo o que encontrava sobre as figuras religiosas, Guilherme se deparou com um álbum de fotos colecionadas por sua mãe que abriram, de vez, as portas da dramaturgia em sua vida. "Era um apanhado de imagens de atores americanos dos anos 30 e 40. Por causa delas, cismei que eu queria fazer cinema em Hollywood. Mas tinha de ser igual àquela época, em preto e branco", diverte-se.

Percebendo o interesse do filho, a mãe de Guilherme o matriculou em um curso de Teatro. "Graças a isso eu descobri que, embora não pudesse ser um ator americano dos anos 30, podia ser um ator de teatro", recorda. Esse foi o primeiro passo de uma sólida carreira nos palcos, que já completa 19 anos. E também o fim do sonho da avó do ator, que esperava que o neto seguisse uma profissão bem diferente. "Pela vontade dela, eu me prepararia para ser diplomata", diverte-se.

Novos colegas

Atuar em Tempos Modernos é uma excelente oportunidade de estabelecer mais contatos no meio artístico para Guilherme Weber. Isso porque o ator garante que não conhecia quase todas as pessoas que mais dividem os estúdios com ele na novela. "Nem da tevê, nem dos palcos, nem dos bares, de nenhum lugar", enfatiza. Parceiro de Grazi Massafera no folhetim, Guilherme é só elogios para a convivência com a atriz. "Ela estava escalada para interpretar outro papel e batalhou para encarnar a vilã. Acho admirável uma artista que não deita sobre os 'louros' conquistados e prefere bater cabeça e buscar outros caminhos", valoriza.

Trajetória televisiva

Um Anjo Caiu do Céu (Globo, 2001) - Carl (participação).

Da Cor do Pecado (Globo, 2004) - Tony.

Belíssima (Globo, 2005) - Freddy Schneider.

Malhação (Globo, 2007) - Leôncio Gurgel.

Queridos Amigos (Globo, 2008) - Benny.

Ciranda de Pedra (Globo, 2008) - Arthur.

O Natal do Menino Imperador (Globo, 2008) - Marquês de Itanhaém.

Malhação (Globo, 2009) - João.

Tempos Modernos (Globo, 2010) - Albano.

guilherme weber
guilherme weber
Foto: Reprodução
Fonte: TV Press
Compartilhar
TAGS
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra