GloboNews surpreende ao elogiar Michelle Bolsonaro: “Olímpica e protagonista”
Jornalistas do canal dão lição de profissionalismo ao não reproduzir a hostilidade da qual são vítimas
Pela segunda semana seguida, Michelle Bolsonaro não saiu da boca de âncoras e comentaristas da GloboNews.
Foi a personagem política com mais tempo de tela no canal líder de audiência no segmento de notícias da TV paga.
Ela recebeu tanto espaço quanto o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro, ambos pré-candidatos à Presidência, e Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Ironicamente, a ex-líder do PL Mulher nunca deu uma entrevista longa para a emissora, considerada ‘de esquerda’ por bolsonaristas.
O programa que mais a promoveu foi o vespertino ‘Estúdio i’. Sua apresentadora, Andréia Sadi, não economizou elogios.
“Michelle Bolsonaro sai olímpica de todas essas crises e se coloca como protagonista”, afirmou ao repercutir o vídeo dela contra Flávio Bolsonaro.
Chama atenção que esse tratamento favorável tenha partido, sobretudo, das mulheres apresentadoras e comentaristas.
Muitas delas, como a própria Sadi, convivem há anos com ataques machistas e misóginos promovidos por setores da direita nas redes sociais.
Não é exagero enxergar uma implícita solidariedade feminina, agora que a esposa de Jair Bolsonaro também passou a ser alvo de hostilidade dentro do próprio campo conservador.
Muitas vezes criticada por suposta falta de imparcialidade, a GloboNews analisou Michelle Bolsonaro pelo peso político dos acontecimentos, e não pela identidade ideológica. Talvez esse seja o aspecto mais relevante da cobertura.
Independentemente das preferências ideológicas dos donos das emissoras de TV e de seus jornalistas, todos os personagens da política devem ser submetidos aos mesmos critérios.
Seja na hora de noticiar, criticar, cobrar ou elogiar. É justamente essa coerência que diferencia o jornalismo profissional da militância.
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