Globo 'cura' gay bandido para evitar a ira conservadora
Extra! Extra! Extra! A Globo descobriu a cura gay! Basta trancar o homossexual no armário antes que se assuma publicamente e tirar da cartola uma bela esposa para ele.
É o que acontece com Orlando, o cientista inescrupuloso e membro de facção criminosa interpretado por Eduardo Moscovis em A Regra do Jogo.
Pela sinopse apresentada pelo autor João Emanuel Carneiro e aprovada pela cúpula da teledramaturgia da emissora, o personagem seria um gay enrustido que sustentaria um amante garotão.
O namoro meramente por interesse com a tantã Nelita (Bárbara Paz) já estava previsto desde o início. Porém agora a sexualidade de Orlando mudou.
De homossexual disfarçado ele passará a ser hétero convicto e terá até uma esposa belíssima que não fazia parte da trama original: Sandra, vivida por Carolina Dieckmann.
Depois de aberto o armário para a saída de gays cintilantes como Visky (Rainer Cadete) em Verdades Secretas, Téo Pereira (Paulo Betti) em Império e Félix (Mateus Solano) em Amor à Vida, a Globo trancou a cadeado possíveis novos homos.
Essa decisão de evitar polêmica sobre preferência sexual de personagem faz parte do 'pacote' de correção de rumo de A Regra do Jogo.
Até aqui, o folhetim está com audiência considerada baixa: 24.8 pontos de média nos 43 capítulos já exibidos, ante os 25.4 pontos da antecessora, Babilônia, no mesmo período. Uma controvérsia gay poderia, na visão do canal, piorar ainda mais o ibope.
A direção da Globo recomendou aos autores que as novelas evitem temas que possam escandalizar o telespectador menos liberal (ou conservador, se preferir) e valorizem histórias de amor hétero e conflitos familiares leves.
Ou seja, beijo gay, nem pensar.
Em A Regra do Jogo há um discreto casal de lésbicas, Duda (Giselle Batista) e Úrsula (Júlia Rabello). Está previsto que Duda se apaixonará pelo irmão mulherengo de Úrsula, Vavá (Marcello Novaes).
Ainda que João Emanuel Carneiro mantenha o censurável triângulo amoroso no roteiro, não deverá chocar o público.
O amor entre mulheres — e seus desdobramentos dramatúrgicos — é mais facilmente aceito pelos telespectadores do que o relacionamento entre homens.