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'Game of Thrones': última temporada tem a difícil missão de agradar

8ª temporada de 'GoT' estreia no dia 14 de abril de 2019; 'Nunca mais vou estar numa produção assim', diz Rory McCann, ator que interpreta o Cão de Caça

11 mar 2019
03h11
atualizado em 12/3/2019 às 11h13
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LONDRES — A espera está próxima do fim: a 8ª e última temporada de Game of Thrones estreia no dia 14 de abril na HBO. Com apenas seis episódios (de duração maior do que a habitual), a série tem de amarrar os fios narrativos que foram abertos durante os últimos anos e carrega a difícil missão de agradar fãs e críticos de uma produção que se tornou a maior da TV (de todos os tempos, é possível).

São 47 prêmios Emmy - o maior número para qualquer série roteirizada - e uma média de 30 milhões de espectadores apenas nos EUA, em todas as plataformas: no Brasil e em outros 170 países, a série também é exibida pelo HBO Go, o streaming da emissora. Isso tudo sem contar a pirataria: desde 2012 a série é a líder nos sites de torrent.

Desde o início, em 2011, a série construiu seu arco principal ao redor do Trono de Ferro - quem é o reclamante legítimo do mais alto cargo da nobreza de Westeros sempre foi (e continua sendo) uma questão em debate. Mas aos poucos o foco foi se movendo para além da Muralha, ao norte do continente: aos Caminhantes Brancos e a seu enorme exército de mortos vivos que se multiplica, fortalece e aproxima.

A última cena que vimos da série foi o Rei da Noite - o misterioso vilão cujas motivações ainda são completamente obscuras - montado em seu dragão de gelo derrubando a Muralha que por milhares de anos protegeu os humanos. O que vai acontecer agora?

Os atores já sabem, mas os segredos de Thrones sempre foram bem guardados. Na coletiva de imprensa de divulgação da última temporada, em fevereiro, com participação do Estado, jornalistas tentaram arrancar informações, mas o treinamento de mídia é poderoso.

"Pode parecer que somos preciosistas fazendo isso", disse Liam Cunningham (Davos Seaworth). "Mas um dos aspectos da série são as enormes surpresas que aparecem na tela."

Provocado sobre o fim de tudo, o ator norueguês Kristofer Hivju (Tormund Giantsbane) comentou que Thrones criou a possibilidade de estar aberto a qualquer desdobramento depois de matar o protagonista antes do fim da primeira temporada. "A vida não é previsível. As coisas acontecem. É uma forma brilhante criar um personagem e depois distribuir o amor que as pessoas nutriam por ele para seus herdeiros."

Rory McCann (Sandor Clegane, Cão de Caça) conta que a leitura final do roteiro com a equipe resultou numa ovação de 10 minutos para os criadores David Benioff e D. B. Weiss. "Nem todo mundo vai ficar feliz, mas adivinhem, quem escreveu foram eles", provocou. Com um toque de humor, comentou: "Nunca mais vou estar numa produção assim. Minha carreira é ladeira abaixo (risos)".

Para a jovem Maisie Williams (Arya Stark), envolvida na série há 10 anos, desde que tinha 11, porém, o futuro é uma promessa.

"Depois que você passa a ser pago para fazer o que ama, há muita pressão. Às vezes só é legal ser criativo de um jeito e se sentir vivo, e é assim que estou me sentido nos últimos seis meses."

Uma das intérpretes mais queridas por conta da insolência de Arya nas temporadas inicias, Williams surpreendentemente diz se sentir uma atriz menos habilidosa agora. "Vejo algumas coisas da temporada um e me pergunto como fiz aquilo. Eram emoções reais. Havia uma verdade e uma ingenuidade sobre o mundo, eu era aquela garota. Com o tempo a gente perde o espanto. No teste para o papel eu tinha furos nos jeans. Agora uso roupas realmente caras (risos)."

Thrones mudou a vida de muitos: a esperança é que ela siga mudando depois de 14 de abril.

Entrevista - Gwendoline Christie, a Brienne de 'GoT'

Há 8 anos, quando Gwendoline Christie ficou sabendo da vaga para interpretar Brienne de Tarth em Game of Thrones, ela realmente deu a vida pela personagem. "Era o papel que esperei por toda minha vida", disse ela em Londres, na coletiva de imprensa da última temporada da série. Ela comentou como a personagem mudou a percepção de si mesma - e um pouco do que podemos esperar esse ano.

O que você pensou quando leu que Brienne não era uma princesa, nem uma prostituta, nem outro padrão de personagem mulher, mas uma guerreira?

Fiquei encantada. Eu perguntava aos agentes se existiam papéis que não eram nenhuma dessas coisas e as pessoas falavam "não". Fiquei entusiasmada pela oportunidade de explorar esse tipo de personagem, capitalizar minha materialidade e descobrir algo por mim mesma. Havia um número inegável de semelhanças entre a personagem e eu, e isso foi assustador, mas foi tão emocionante porque sabia que essa oportunidade era raríssima. É difícil lutar por 10 horas seguidas. A beleza de Game of Thrones é que as lutas são narrativas, cada gesto conta uma história. É um potencial enorme. Foram meses de treinamentos físicos, fazer esportes, lutas de espadas. Mesmo cortar meu cabelo, foi algo gigante, porque era a máscara com que eu me escondia, que disfarça as imperfeições do meu rosto, que alterava a proporção do meu corpo. Ajudava a me feminilizar, e eu não seria criticada por isso. E isso foi tirado de mim. Foi uma grande evolução pessoal encontrar a força que existia apenas dentro de mim e não mais me esconder, e entender quem eu era.

Há uma cena tocante de Arya (Maisie Williams) e Brienne na sétima temporada, com as duas treinando e indo até o limite de suas capacidades. Você acha representativo de como as mulheres são representadas na série?

A cena não era uma luta, era um teste dos limites das capacidades de cada uma. Amo que foi uma relação que nasceu do respeito mútuo. Brienne sempre sentiu uma proteção em relação a Sansa (Sophie Turner) e Arya, mas também existe a ideia de que essas duas mulheres que estão fora das normas da sociedade. É diferente fazer uma cena daquela. É um processo intelectual, mais do que físico e emocional. É na maior parte sobre descobrir uma a outra, e a emoção emerge daquilo. No fim você vê o respeito brilhar na face de Brienne, espero. É importante ver isso numa série de TV mainstream.

Brienne teve ligações viscerais com alguns personagens durante a série, e uma relação de humor com Tormund (Kristofer Hivju). Por quem ela pode se sentir atraída nesse ano?

Daenerys (Emilia Clarke). É para onde meus pensamentos vão. É uma mulher extraordinária que decidiu ser líder e exibiu coragem em suas convicções, isso é muito atraente.

E Tormund?

É louco, porque aquele momento (um olhar de Tormund para Brienne que virou sensação entre fãs) nunca esteve no roteiro. O que estava era "Tormund olha para Brienne". Kristofer tinha ensaiado essa coisa por dias e no momento foi muito engraçado. Ele transforma o momento apenas com o olhar e basicamente rouba o foco de Brienne na cena (risos). Ele tem uma energia tão extraordinária que você também quer brincar. Foi natural responder de um jeito meio ríspido. Não podia acreditar que eles estavam permitindo aquilo. E aí a coisa se torna um meme.

Estadão
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