Falem mal, mas as novelas alegram a vida dos brasileiros
Tramas inéditas e reprises garantem o entretenimento diário de um povo que não liga para cultura.
A uma população que lê pouco, vai raramente ao teatro e cinema, e só lota estádios para ver pop stars gringos, resta se distrair com as novelas.
Os folhetins são uma opção barata de escapismo. Chegar em casa, ligar a TV e esquecer por algum tempo dos problemas e frustrações cotidianas. Quase terapêutico.
Há décadas anunciam o fim das tramas diárias. E elas continuam aí, com público numeroso e gerando lucro às emissoras.
Os críticos da teledramaturgia tipicamente brasileira podem continuar a maldizer o gênero. O efeito é nulo. A novelinha nossa de cada dia se mostra inabalável.
Depois de um período em baixa, ‘O Outro Lado do Paraíso’ bate recorde atrás de recorde no Ibope. Capítulos recentes conquistaram 42 pontos, índice que uma produção das 21h costuma atingir apenas na reta final.
Esse número surpreendente representa 8,5 milhões de pessoas diante do aparelho de TV, somente na Grande São Paulo, para acompanhar a vingança da mocinha justiceira Clara (Bianca Bin) e a derrocada da vilã Sophia (Marieta Severo).
Multiplique esse número por outras regiões metropolitanas, cidades médias e milhares de pequenos municípios Brasil afora. É muita gente dando audiência para a Globo.
Aliás, o canal da família Marinho vive um momento especial: suas principais produções de ficção têm desempenho positivo no Ibope. As novelas garantem liderança com folga no ranking.
No SBT, ‘Carinha de Anjo’ e a reexibição de ‘Chiquititas’ produzem média de 10 pontos cada. Resultado satisfatório para os padrões da empresa de Silvio Santos.
Na faixa vespertina, as mexicanas ‘Sortilégio’ e ‘Um Caminho para o Destino’ registram entre 6 e 8 pontos por capítulo. Nada mal considerando o baixo investimento na compra desses dramalhões.
Com três reprises diárias – ‘Ribeirão do Tempo’, ‘Bicho do Mato’ e ‘Os Dez Mandamentos’ –, a Record não pode reclamar da pontuação média: 5 a 6 pontos.
Já suas tramas inéditas, ‘Belaventura’ (6 pontos) e ‘Apocalipse’ (9 pontos), atraem menos noveleiros do que se previa. Ainda assim, mobilizam de 1 milhão a 2 milhões de telespectadores toda noite, na área expandida da capital paulista.
No Canal Viva, reprises fazem milhares de pessoas ficar acordadas até de madrugada para acompanhar romances, farsas e tragédias de ótimas produções de antigamente.
Acusadas de ‘alienar’, ‘idiotizar’ e ‘desvirtuar’ a família brasileira, as telenovelas não servem apenas como entretenimento. Muitas delas suscitam o debate nacional a respeito de questões relevantes.
Com seus heróis e bandidos, são um retrato do País. Do que ele tem de melhor e pior.
As gerações passam, os costumes mudam, a sociedade evolui e regride, e a novela permanece entre nós.