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Excesso de maldades contra a mocinha de ‘Quem Ama Cuida’ pode espantar o público

Trama das 21h da Globo oferece poucas pausas para respirar em meio à sucessão de tragédias da protagonista Adriana

16 jun 2026 - 10h36
(atualizado às 10h36)
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Se fosse pela heroína da trama, ‘Quem Ama Cuida’ deveria se chamar ‘Quem Ama Sofre’. Como padece a pobre Adriana (Letícia Colin)!

Perde a casa e o marido. É humilhada por ser pobre. Acusada de ser interesseira. Vê o protetor ser assassinado após o casamento.

Torna-se a principal suspeita do crime. A mãe adoece. Acaba presa (e será condenada). Come o pão que o diabo amassou na cadeia. Fica impedida de amar Pedro (Chay Suede).

É uma overdose de agonia e lágrimas. Não há um respiro. 

Essa sequência interminável de adversidades faz parte do arco dramático para que, na segunda fase, ela faça a aguardada volta por cima. 

Já vimos o mesmo em outros folhetins, como em ‘O Outro Lado do Paraíso’, do mesmo autor Walcyr Carrasco, quando Clara (Bianca Bin) foi até jogada viva dentro de um caixão no mar antes de ressurgir dizendo ‘Não imaginam o prazer que é estar de volta’.

Mas, talvez, o público esteja cansado de tanta tristeza. ‘Quem Ama Cuida’ se excede no tom sombrio. Falta equilibrar a narrativa e permitir que o espectador crie uma relação mais prazerosa com os personagens.

Novela também é escapismo. O telespectador quer sofrer com os mocinhos, mas precisa ser recompensado com momentos de romance, humor e esperança. 

Sem esse contraponto, a sucessão de desgraças corre o risco de provocar cansaço em vez de envolvimento.

Não por acaso, alguns dos maiores sucessos do gênero souberam dosar o sofrimento dos protagonistas com alívios cômicos e pequenas vitórias ao longo do caminho, como aconteceu nas recentes ‘Três Graças’ e ‘Vale Tudo’.

O brasileiro já sofre demais no dia a dia (acordar cedo, transporte público lotado, trabalho exaustivo, boletos a vencer, sonhos frustrados…), por isso, a telenovela precisa oferecer um conforto emocional. 

Por enquanto, ‘Quem Ama Cuida’ falha nesse propósito.

A reação fria das redes sociais e da audiência parece ser resultado dessa dose exagerada de maldades contra a batalhadora Adriana. 

Quem se identifica com ela pode ter o impulso de mudar de canal para não sofrer junto. Afinal, ninguém quer ir para a cama deprimido.

Este artigo teve a colaboração do jornalista Glauco Lopes, do Terra.

Adriana (Letícia Colin) é massacrada com sequência interminável de sofrimento
Adriana (Letícia Colin) é massacrada com sequência interminável de sofrimento
Foto: Reprodução
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