Ex-repórter da Globo critica o jornalismo do canal: “Não assisto mais”
Cristina Serra argumenta contra a linha editorial da emissora mais influente do país
“Eu não assisto a TV Globo mais. Nem o canal aberto, muito menos o canal de debates (GloboNews). Debates entre aspas, porque ali tem uma voz predominante que é a da empresa”, afirmou Cristina Serra em live com o comunicador Leandro Fortes, do canal Galo Preto.
“Comecei a me irritar profundamente com o que eu via. Estava ficando impossível assistir. Eu perco meu tempo, não me informo direito, não preciso.”
A jornalista trabalhou 26 anos na Globo. Além do longo período na reportagem em Brasília, foi correspondente em Nova York e comentarista de política.
Ela também atuou na GloboNews. Deixou o grupo de mídia da família Marinho em 2018.
Cristina se manifestou a respeito do PowerPoint exibido no programa ‘Estúdio i’, que dois dias depois obrigou a apresentadora Andréia Sadi a admitir que a arte estava “incompleta” e pedir desculpas (confira postagem no destaque).
“Como trabalhei lá na Globo e conheço como as coisas funcionam internamente, me veio logo à mente o processo como aquilo foi feito e fiz uma associação com o debate Lula Collor de 1989”, disse a veterana, hoje contratada da estatal TV Brasil e do progressista ILC Notícias.
No episódio citado, o material exibido no ‘Jornal Hoje’ foi reeditado para a exibição no ‘Jornal Nacional’, a fim de beneficiar o candidato preferido do dono da Globo, Roberto Marinho. Consequentemente, houve o desfavorecimento do candidato do PT.
“Os responsáveis pela edição do Jornal Nacional afirmaram, tempos depois, que usaram o mesmo critério de edição de uma partida de futebol, na qual são selecionados os melhores momentos de cada time. Segundo eles, o objetivo era que ficasse claro que Collor tinha sido o vencedor do debate, pois Lula realmente havia se saído mal”, esclarece texto no site ‘Memória Globo’, da própria emissora.
“Mas o episódio provocou um inequívoco dano à imagem da Globo. Por isso, hoje, a emissora adota como norma não editar debates políticos; eles devem ser vistos na íntegra e ao vivo”, conclui a mensagem de ‘mea-culpa’.
A coluna deixa espaço aberto aos citados.