Erro do PowerPoint na GloboNews gera reuniões tensas e medo de dano à imagem de apresentadora
Caso da arte tentando vincular Lula a Vorcaro afeta reputação de rigor jornalístico do canal de notícias
Na sexta-feira (20), o erro. No fim de semana, a repercussão negativa nas redes sociais e em parte da imprensa. Na segunda (23), um comunicado admitindo a falha e um pedido de desculpas.
O caso do PowerPoint no programa ‘Estúdio i’, em que se forçou uma ligação imprópria entre Lula e o PT e o banqueiro Daniel Vorcaro, fez a GloboNews viver um de seus maiores constrangimentos em quase 30 anos no ar.
Em outros tempos, quando as emissoras da família Marinho gozavam de poder quase hegemônico, o canal de notícias poderia ignorar as críticas. Mas estamos em outro momento da história.
Seria suicídio de credibilidade não responder aos questionamentos da internet, da mídia e até de ex-repórteres globais indignados com a arte exibida (confira post em destaque).
A coluna apurou que aconteceram reuniões de emergência, por videochamadas e presenciais, para definir como administrar a crise. A direção de jornalismo da GloboNews e da Globo atuaram diretamente.
Além do impacto nocivo do erro, houve preocupação em evitar prejuízo à imagem da apresentadora do ‘Estúdio i’, Andréia Sadi, uma das jornalistas de TV mais bem-avaliadas do país, respeitada da direita à esquerda. Ela também ancora, em plantões de sábado, o 'Jornal Hoje'.
Por sua atuação considerada imparcial e fiel aos fatos, ela tem fontes no 1º escalão do governo lulista e também na cúpula da oposição. Seria danosa, argumentaram nos bastidores, a desconfiança de que seu programa atacou sem provas um lado do espectro político e beneficiou — intencionalmente ou não — o outro.
Coube à própria Sadi ler ao vivo o comunicado oficial (chamado de “registro”) informando que o “material estava errado e incompleto” e “em desacordo” com os “princípios editoriais” da Globo. “A gente pede desculpas”, finalizou.
O episódio deve suscitar efeito colateral: um olhar ainda mais atencioso dos telespectadores, de políticos e das redes sociais à cobertura das eleições deste ano pela Globo e GloboNews.
O jornalismo do clã Marinho já foi rotulado de anti-Lula, pró-Bolsonaro e anti-Bolsonaro. Algumas equipes de reportagem chegaram a ser agredidas nas ruas e âncoras como William Bonner foram ameaçados.
Está em jogo um capital de valor imensurável: o compromisso com a isenção dos canais de maior audiência do telejornalismo na TV aberta e na TV paga.