Gerson Brenner foi um dos últimos galãs alfa da Globo e era querido nos bastidores
Ator se especializou em interpretar tipos brutos que estimulavam a imaginação de mulheres e gays
A morte de Gerson Brenner encerra um martírio de quase 27 anos, quando sofreu diariamente as graves sequelas do tiro na cabeça em um assalto.
Quando a tragédia aconteceu, ele vivia um ótimo momento na carreira: saboreava o sucesso do personagem Jorginho, um fazendeiro romântico em ‘Corpo Dourado’.
O trabalho bem-sucedido marcou sua volta à Globo após passagem rápida e com pouca repercussão pela teledramaturgia da Record.
‘Moreno alto, bonito e sensual’, como diz a música ‘Amante Profissional’, da banda Herva Doce, Brener foi um dos últimos galãs alfa a surgir na TV.
Mesmo quando fazia personagens cômicos e apaixonados, ele representava o homem rústico e viril, com aparência bem masculina e dominante.
Foi assim, por exemplo, com o policial Giovanne de ‘Perigosas Peruas’ e o Gerson de ‘Rainha da Sucata’ (que ressurgiu em ‘Deus nos Acuda’): o brucutu exalando testosterona que pegava as mulheres no colo e as fazia se sentir protegidas.
O ator e seus tipos fictícios despertaram fortes paixões nas telespectadoras e também agradavam ao público gay, que sempre idolatrou o estereótipo do hétero raiz.
A partir dos anos 2000, este perfil se tornou raro nas novelas e séries: prevaleceram os galãs desconstruídos, sensíveis e visualmente menos másculos.
Atrás das câmeras, Gerson Brenner tinha a simpatia de colegas atores e das equipes técnicas. Sempre sorridente e acessível, sem estrelismo.
Sua partida, aos 66 anos, é o capítulo final de uma história dramática que parece pertencer a uma novela de Manoel Carlos.
Ele sai de cena com silenciosa dignidade e deixa boas recordações na memória de todos.