Entrevistas individuais com presidenciáveis ressaltam irrelevância dos debates com falatório vazio
Emissoras de TV precisarão rever o formato se quiserem recuperar o prestígio da reunião de candidatos
As entrevistas com Lula no ‘Domingo Espetacular’, da Record, e Zema no ‘Eleições’, da Globo, serviram para comprovar a ineficácia dos debates tradicionais como o da Band no último domingo (23).
Com excesso de regras, tempos curtos para cada participante e poucas intervenções dos mediadores, o confronto entre vários candidatos se tornou apenas um show de exibicionismo.
Mesmo o bloco com perguntas de jornalistas não tem funcionado. Os participantes se sentem à vontade, até pela distância física, de ignorar o tema do questionamento ou dar respostas evasivas.
Já nas sabatinas individuais, olho no olho com os apresentadores, o candidato não escapa tão fácil. Pode ser interrompido e contestado com dados do próprio mandato, estatísticas confiáveis e incoerências de discurso.
O postulante à Presidência da República encontra menos espaço para o ‘politiquês’, a velha enrolação, e se vê obrigado a apresentar um argumento, se redimir, se comprometer.
Esse é o papel do jornalismo: tirar o candidato da zona de conforto, e não dar a ele um palco para apenas lançar ataques pessoais contra os adversários e produzir cortes roteirizados para as redes sociais.
O engessado e esvaziado debate na Band foi criticado por comentaristas de TV e deveria fazer as emissoras que vão realizar os próximos confrontos a oferecer conteúdo mais qualitativo ao telespectador.
Mas as condições impostas pelas equipes dos candidatos (marqueteiros, advogados, caciques de partidos etc.) não deverão ser mudadas.
O que interessa à maioria dos postulantes ao Palácio do Planalto é o tempo de vídeo, não necessariamente a oportunidade de detalhar propostas efetivas para a solução de problemas.
Perdem a televisão, o público e o país.
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