Script = https://s1.trrsf.com/update-1778180706/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Publicidade

Edson Celulari: novelas vivem seu momento de questionamento

"Acho que as séries chegam para ficar, não tem jeito", diz ator que está em 'Animal'

9 set 2014 - 16h02
(atualizado às 16h26)
Compartilhar
Exibir comentários

A simplicidade e o discurso tranquilo de Edson Celulari chamam atenção. Aos 36 anos de carreira na televisão e com muitos protagonistas no currículo, o ator passa longe da glamourização que envolve o meio artístico. Apaixonado pelo que faz, o que interessa para ele é, simplesmente, exercer seu ofício e viver personagens instigantes. Por isso, se animou com a possibilidade de interpretar o biólogo Dr. Gil, na série Animal, exibida pelo GNT.

Siga Terra Diversão no Twitter

Cercado por uma trama de mistério, o personagem sofre de teriantropia, uma doença degenerativa e hereditária que o faz acreditar ser um animal em momentos de crise, mais especificamente um puma. Logo depois que a produção sair do ar, em outubro, Celulari retorna às novelas em Alto Astral, próxima novela das sete, na pele de Marcelo, dono de uma editora. E, em maio de 2015, volta a gravar Animal, que já está com sua segunda temporada garantida. Descanso, por enquanto, é algo que não faz parte dos planos do ator. "Devo ter seis ou sete dias de férias entre a novela e a série. Mas a expectativa é tão bacana de poder realizar esses dois trabalhos que está dando para levar", pondera.

Nascido em Bauru, interior de São Paulo, Celulari nunca foi de planejar a própria carreira. Começou no teatro amador e, em 1978, estreou na televisão em uma participação em Salário Mínimo, da extinta Tupi. Tendo como referência nomes como Lima Duarte, Tarcísio Meira, Francisco Cuoco e Tony Ramos, entre outros, o ator, pouco a pouco, viu crescer o tamanho dos personagens para os quais era escalado. "Tive esse privilégio do meu aprendizado corresponder à responsabilidade de um papel maior ou menor conforme fui levando o meu ofício. Acho que o contrário pode se tornar muito mais difícil, quando, em um primeiro ou segundo personagem da vida, a pessoa já assume uma responsabilidade maior", imagina.

Depois de tantas novelas e produções de canal aberto, o que mais chamou sua atenção ao participar de Animal, que é exibida no GNT para um público segmentado?

Antes de qualquer coisa, me foi oferecido um personagem maravilhoso. É o que a gente quer, é o que o ator procura. Obviamente, que é uma boa circunstância, uma boa situação e um bom roteiro. Não existe um bom personagem sem um bom roteiro. É tudo junto. Mas o formato é diferente, claro que é. Acho que as séries chegam para ficar, não tem jeito. As telenovelas seguem, vivem seu momento de questionamento, o que eu acho maravilhoso. Eu adoro fazer novela e acho que nós fazemos com muita qualidade artística.

Foto: Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias / TV Press

foto: Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias

O que quer dizer com "momento de questionamento"?

Acho que fazemos telenovela muitíssimo bem e há um momento de discussão de para onde ela vai. Acho que é mais uma crise de tamanho, talvez de escrita, mas a qualidade de produção é indiscutível. E o público, que tem muitas outras ofertas de entretenimento hoje em dia, está pedindo produtos diferentes também. É um momento que revitaliza o mercado. Todos nós saímos ganhando: o público, que vai ter um bom produto, e o mercado como um todo. Essa busca de qualidade e de formatos é saudável para todo mundo.

A princípio, a ideia era que Animal fosse ao ar pela Globo, mas não havia espaço na grade. Como encarou a solução encontrada pela emissora de exibir a série pelo GNT, em uma coprodução entre Globo e Globosat? 

A iniciativa da Globo em levar essa ideia adiante, exibir na TV a cabo e buscar uma produtora para executar fora foi uma grande ideia. Acho que isso é um caminho para também desafogar um pouco lá dentro. E a própria sorte de fazer fora da Globo eu acho saudável para esses formatos serem testados de uma forma um pouco mais inteira. Talvez uma série com este propósito, se fosse feita no Projac (complexo de estúdios da Globo, localizado na Zona Oeste do Rio de Janeiro), tivesse um pouco dos ares de lá nessa linguagem. Não que seja ruim, mas acho que a tentativa é buscar novas formas de se fazer, além de novos formatos de produto. Então, foi uma experiência maravilhosa. Já temos a segunda temporada aprovada, algo que nos diz que gostaram do produto, que acertamos. E isso me deixa muito feliz.

Em Animal, Dr. Gil sofre de teriantropia. Já tinha ouvido falar dessa doença que faz o portador pensar ser um animal em momentos de crise – no caso do seu personagem, um puma?

Não, nunca tinha ouvido falar. É uma doença muito rara mesmo, são pouquíssimos casos levantados de pessoas vivas hoje. É uma doença que não desperta muito interesse na indústria farmacêutica porque vai vender para seis pessoas e não vai dar dinheiro. É um distúrbio psicológico cruel. O Paulo Nascimento (roteirista e diretor) usou essa doença, obviamente, de uma forma também ficcional. É baseada na realidade, mas ele faz umas pequenas variações dentro dessas crises que o meu personagem tem.

Foto: TV Globo / Divulgação

De que maneira?

Na realidade, os surtos nessas pessoas acontecem, às vezes, por períodos muito longos, um mês inteiro e até dois meses sem parar. E, no caso do Dr. Gil, Paulo deu um pouco de liberdade para que esses surtos aconteçam e já no outro dia ele volte ao normal, sem a memória do que fez. Então, isso dá um elemento dramático muito bom. Mas é um comportamento humano real, não é ficcional, mágico. Estamos falando da condição humana na sua essência. Quando ele diz Animal, entendemos como o momento em que ficamos cegos. Todos nós temos esse momento. E no caso do personagem, ele leva isso ao extremo. Ele até pode ser diferente, mas tem de estar baseado naquilo que é real.

Como assim?

O público tem de identificar essa trama como algo verdadeiro. Agora, existe uma regra, digamos assim, básica, nessa coisa da escrita dramática, principalmente em série e cinema, que é criar um personagem que atinja o público. Primeiro, o público precisa se interessar pelo personagem. Depois é que vai se interessar pela história. Porque você não pode chegar na história se não tiver um condutor crível, verdadeiro e interessante. E acho que Dr. Gil tem essas qualidades. 

Durante sua preparação, você chegou a ler algum caso de teriantropia?

Eu li algumas coisas. Por exemplo, tem gente que pensa ser um animal violento. Algumas famílias mantêm uma jaula dentro de casa para poder conviver com essa pessoa em crise. Como são períodos maiores, a pessoa fica lá dentro e servem a comida do lado de fora para poder ter a garantia de que ela não vai ter um surto violento a ponto de colocar em risco a vida dos familiares. Tem gente que pensa ser uma ave e fica tentando botar um ovo. É um distúrbio psíquico, uma doença cruel. Existem muitos distúrbios e foi bacana o Paulo ter descoberto esse. Ele pesquisou e usou isso em função do produto artístico, da narrativa. Acho que é disso que a gente precisa. Nós temos personagens brasileiros, uma história brasileira, em uma região do Brasil que poucas pessoas conhecem – eu não conhecia – no extremo sul do Rio Grande do Sul, em Minas do Camaquã, distrito de Caçapava do Sul.

Foto: TV Globo / Divulgação

Além da complexidade do perfil de Dr. Gil, a trama possui muitas cenas de ação. Em que momento o personagem exigiu mais de você como ator?

Houve várias passagens que agora vejo como divertidas até. Na hora, não era nada divertido. Teve uma cena em que era uma noite muito fria do Sul e eu tive de fazer uma saída em surto. O personagem corria, saía de casa e estava chovendo. E a água era muito fria. Tive de repetir a sequência várias vezes porque é o normal, é assim mesmo. Mas com uma equipe muito bem preparada. Assim que acabei a cena, tinha um caminhão-camarim com ar-condicionado quente, coisa que eu nunca tinha visto na minha vida. Também teve momentos em que tive de comer carne crua. O que, para mim, particularmente, até que não foi tão difícil. A equipe é que ficava um pouco aflita. Claro que não estávamos fazendo cinema-verdade, poderia ser de faz de conta. Mas deu para fazer com carne mesmo. Além disso, em outros momentos da história, eu tive de subir em pedras enormes, com rapidez, e repetir diversas vezes.

E precisou de algum preparo físico específico para subir nas pedras?

Não. Eu rezava para não cair e ia (risos). Tinha o perigo e também tinha a força física. Eu fazia a cena e repetia também várias vezes. Mas foi tudo possível. Eu pesquisei um pouco desse movimento do felino, mas acho que, mais do que isso, a intenção não era parecer um bicho. Era usar essa informação e a narrativa que o Paulo pedia como diretor para dar profundidade ao personagem com o mínimo possível.

Na pele do Dr. Gil, você aparece com barba e cabelos longos, um visual bem diferente dos que o público se acostumou a vê-lo interpretando galãs de novela. Como foi a experiência?

Foi confortável nesse sentido realizar um personagem sem nenhuma preocupação de vaidade. Não tinha esse negócio de "arruma o cabelinho". Foi muito bom fazer isso. Não é sempre que se pega um personagem que oferece esse tipo de conforto. Meses antes das gravações, Paulo me falou que o projeto havia dado certo e pediu para eu não cortar mais o cabelo. Fui deixando crescer, a barba também foi crescendo durante as gravações. Agora eu cortei um pouco tudo. Mas termino a temporada com um cabelo muito maior, barba maior, unhas crescidas e tudo mais. Foi uma experiência incrível.

Aliás, você exerce a função de galã com frequência nas novelas. Você encarou o personagem em Animal como uma oportunidade de sair um pouco dessa linha?

A gente busca a diversificação e é saudável, sem dúvida. Mas, além da diversificação, formatos diferentes, equipes diferentes, tudo isso eu acho que é uma forma de você se estimular. Mas busco, essencialmente, um bom personagem. Esse papel tem uma curva extremamente dramática, é um personagem que vive no limite o tempo todo, é uma corda esticada. E isso, para o ator, é um elemento extremamente rico de se trabalhar.

Graça e romance

Depois de interpretar um tipo mais rústico em Animal, Edson Celulari volta às novelas, em breve, dentro de um núcleo romântico. Em Alto Astral, ele vive Marcelo, dono de uma editora. Na história, anos atrás, o personagem se envolve amorosamente com Maria Inês, de Christiane Torloni. Mas os dois acabam seguindo caminhos distintos e se casam com outras pessoas. Até que se reencontram e Marcelo tenta recuperar o tempo perdido com o verdadeiro amor de sua vida. "Meu personagem entra no capítulo 16, um pouco mais para frente. Estou muito feliz e disponível para realizar da melhor maneira", anima-se.

Foto: TV Globo / Divulgação

Ser escalado para a próxima novela das sete foi um caminho natural para Celulari. Afinal, a trama original é da já falecida Andréa Maltarolli, com quem o ator trabalhou em Beleza Pura, de 2008. Daniel Ortiz, que foi colaborador por muitos anos de Silvio de Abreu, outro autor recorrente na trajetória de Celulari, assumiu o texto. "É uma novela que se encaixa muito bem para esse perfil da faixa das sete. Tem a comédia e tem também o universo do sobrenatural, os espíritos se comunicam com os vivos. Estou com uma ótima expectativa sobre o resultado", afirma.

Além da beleza

A imagem de galã que tanto acompanha Edson Celulari não é vista com incômodo pelo ator. Mas ele sabe que não é essa a sua busca na carreira. Por isso, lida com a passagem do tempo de maneira natural. Elegante e "bonitão" como sempre, o ator de 56 anos quer mais é personagens com conflitos maduros e não tentar se manter, a qualquer custo, com uma aparência jovial por pura vaidade. "Quero poder realizar personagens para os quais eu possa colaborar com meu entendimento da condição humana. É isso que me interessa. Eu não tenho a expectativa de me manter embalsamado, seria muita burrice da minha parte", ressalta.

Trajetória televisiva

- "Salário Mínimo" (Tupi, 1978) - Orlando.

- "Gaivotas" (Tupi, 1979) - Mário.

- "Marina" (Globo, 1980) - Ivan.

- "Plumas & Paetês" (Globo, 1980) - Kurlan.

- "Ciranda de Pedra" (Globo, 1981) - Sérgio.

- "O Homem Proibido" (Globo, 1982) - Carlos.

- "Louco Amor" (Globo, 1983) - Marcelo.

- "Guerra dos Sexos" (Globo, 1983) - Zenon.

- "Amor Com Amor Se Paga" (Globo, 1984) - Tomás.

- "Um Sonho a Mais" (Globo, 1985) - Joaquim.

- "Cambalacho" (Globo, 1986) - Thiago.

- "Sassaricando" (Globo, 1987) - Jorge.

- "Chapadão do Bugre" (Band, 1988) - José.

- "Que Rei Sou Eu?" (Globo, 1989) - Jean-Pierre.

- "Brasileiras e Brasileiros" (SBT, 1990) - Totó.

- "Deus nos Acuda" (Globo, 1992) - Ricardo.

- "Fera Ferida" (Globo, 1993) - Flamel.

- "Decadência" (Globo, 1995) - Mariel.

- "Explode Coração" (Globo, 1995) - Júlio.

- "Dona Flor e Seus Dois Maridos" (Globo, 1998) - Vadinho.

- "Torre de Babel" (Globo, 1998) - Henrique.

- "Vila Madalena" (Globo, 1999) - Solano.

- "Aquarela do Brasil" (Globo, 2000) - Hélio.

- "As Filhas da Mãe" (Globo, 2001) - Edmilson.

- "Sabor da Paixão" (Globo, 2002) - Jean.

- "América" (Globo, 2005) - Glauco.

- "Páginas da Vida" (Globo, 2006) - Sílvio.

- "Beleza Pura" (Globo, 2008) - Guilherme.

- "Araguaia" (Globo, 2010) - Fernando.

- "Guerra dos Sexos" (Globo, 2012) - Felipe.

- "Animal" (GNT, 2014) - João Paulo Gil.

- Alto Astral (Globo, 2014) - Marcelo.

Fonte: TV Press
Compartilhar
TAGS

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra