Débora Falabella exercita veia cômica em 'A Mulher Invisível'
- Geraldo Bessa
Como veículo de massa, a televisão geralmente evita grandes ousadias. No caso da teledramaturgia, se um ator faz sucesso com um personagem, corre o risco de interpretar tipos semelhantes pelo resto da carreira. Fugir do dilema de sempre fazer o mesmo papel é uma prioridade para Débora Falabella, a Clarisse de A Mulher Invisível, da Globo. "Felizmente, minha trajetória na tevê tem me garantido bons e diferentes papéis. Já fui vilã, mocinha, revoltada, sonhadora, e agora interpreto uma workaholic", enumera. No seriado, derivado do filme homônimo de 2009, Clarisse é a mulher de Pedro, de Selton Mello. Com a empresa à beira da falência e o casamento em crise, ela ainda tem de aprender a conviver com Amanda, de Luana Piovani, a amante imaginária do marido. "Amanda é a mulher idealizada. Já a Clarisse representa a mulher possível", define.
O seriado é a primeira parceria entre a Globo e a produtora Conspiração Filmes para a tevê, e surgiu na vida de Débora como uma boa oportunidade para o exercício da comédia. Gênero pouco explorado pela atriz. "Estou adorando. Acho que o grande lance do humor é não querer ser engraçado", ressalta. Em cinco episódios, Clarisse se vê diante de um triângulo amoroso surrealista, onde a personagem encara muitas surpresas. Desde a descoberta da traição, até a compreenção da loucura de Pedro. "Ela é inteligente. Prefere que o namorado tenha uma amante invisível do que uma real", dispara, aos risos.
Além do humor e da temática do seriado, outro ponto importante para a atriz é o ritmo de gravações de A Mulher Invisível. Com 12 horas intensas de trabalho por dia, e uma folga semanal, a rotina é muito parecida com a produção de um longa-metragem. "A direção é do Cláudio Torres, que também dirigiu o filme. A equipe é toda da produtora. Isso deixa o processo ainda mais próximo do cinema", garante. As filmagens começaram logo depois de Débora gravar sua participação nos últimos meses de Ti-Ti-Ti, em meados de março deste ano. Para fugir das comparações entre personagens seguidos, a atriz resolveu radicalizar na caracterização de Clarissa, que ostenta longos cachos. "Acho que o visual ficou mais maduro. Eu adoro mudar. Quanto mais informações e características diferentes, melhor. Ajuda a compor", admite.
Débora confessa um certo estranhamento quando começou a fazer as primeiras cenas de Clarisse, Pedro e Amanda. Como apenas o personagem de Selton enxerga a amante, a atriz tinha de ter todo cuidado para ignorar a presença de Luana no "set". "Foi complicado, estávamos os três em cena, quando ela falava alguma coisa, eu olhava. Mas fui me acostumando com essa coisa de contracenar com o nada, com o invisível", diverte-se.
Com o trabalho quase finalizado, a atriz agora está na expectativa de uma segunda temporada. Mas sabe que isso depende diretamente da audiência do seriado. "Adoraria. Acho que tem gás para continuar, muita história para contar", destaca, ciente da forte concorrência para ocupar as noites de terça, já que a Globo vem estreando vários seriados no horário. Para ela, o investimento da emissora em tipos diferentes de narrativas é uma boa iniciativa. "É uma grande sacada testar formatos até descobrir qual vai ficar na programação", analisa a atriz, fã de seriados americanos como Dexter, Família Soprano e Seinfeld. Enquanto aguarda notícias sobre o futuro de A Mulher Invísivel, Débora já começa a pensar em sua volta ao espetáculo O Amor e Outros Estranhos Rumores, encenada em São Paulo no ano passado. E com previsão de reestreia para o fim do ano, no Rio de Janeiro.
Presente e passado
Atualmente, é possível acompanhar dois momentos da carreira de Débora Falabella na televisão. Além do humor surreal de A Mulher Invisível, ela também está na dramática O Clone, trama reprisada no Vale a Pena Ver de Novo. Na história de Glória Perez, a atriz encarna a perdida Mel, um de seus trabalhos mais elogiados. "Foi uma novela muito especial e a personagem teve muita repercussão", lembra.
Mel era uma jovem problemática, que serviu como símbolo para a autora abordar a situação de jovens usuários de drogas pesadas. Autocrítica moderada, Débora costuma assistir a reprise de vez em quando. "A novela foi ao ar há 10 anos. Quando assisto, vejo alguns erros, mas sinto orgulho da carreira que estou construindo", gaba-se.
Instantâneas
# Esta não é a primeira vez que Débora Falabella e Selton Mello formam um casal na ficção. Em 2003, os dois protagonizaram o longa Lisbela e o Prisioneiro, de Guel Arraes.
# Guel é diretor de núcleo de A Mulher Invisível e foi ele quem convidou a atriz para o projeto.
# A maternidade mudou o ritmo de trabalho de Débora. Atualmente, ela pensa muito bem antes de se comprometer com projetos de longa duração. Tudo para não atrapalhar seus momentos com a pequena Nina, de 3 anos. "Me divido como todas as mães que trabalham muito. Mas estou preferindo projetos mais tranquilos", entrega.
# Além da carreira na tevê, a atriz mantém uma premiada trajetória no cinema. Entre outros prêmios, Débora já ganhou o troféu de melhor atriz do Festival de Brasília pelo filme Dois Perdidos Numa Noite Suja, de 2002.