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Danilo Gentili rebate críticas: "não existe patrulha moral"

O Terra acompanhou um dia da rotina de gravações de Danilo Gentili no SBT. Em entrevista exclusiva, o humorista que comanda o 'The Noite' falou sobre carreira, polêmicas e Copa do Mundo

11 jun 2014 - 10h36
(atualizado às 20h20)
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"Tem que zelar pela liberdade de expressão", diz Gentili sobre perseguição:

Ele é amado por uma legião de fãs, mas também odiado por grupos que o acusam de machismo, racismo, entre outros termos nada almejados por figuras públicas. Para desvendar um pouco de um dos humoristas brasileiros mais comentados da atualidade, o Terra acompanhou um dia da rotina de Danilo Gentili no SBT, onde ele apresenta o talk show The Noite.

Em uma tarde fria em Osasco (SP), a reportagem chegou ao SBT às 17h30. As gravações tinham acabado de começar, mas, segundo Gentili relatou mais tarde, ele já estava nos estúdios desde cedo, para acompanhar todas as etapas da produção do programa.

Apesar da empatia com a plateia, equipe, elenco e fãs que acompanham o humorista, ele é alvo constante de processos judiciais. Seria ele mais um alvo de patrulha moral, principalmente nas redes sociais? Gentili acha que não: “não existe uma patrulha moral da população. O que existem são minorias que militam sua causa, e essas minorias têm uma grande parte no mainstream, na imprensa”.

“Quando aparece uma pessoa que dá uma opinião divergente, uma opinião contrária ao que essas pessoas querem ouvir, eles querem fazer com que isso pareça a opinião da população, e não é”, completou.

Reportagem do Terra acompanhou um dia da rotina de gravações de Danilo Gentili no talk show 'The Noite', do SBT, e depois bateu um papo com o humorista em seu camarim
Reportagem do Terra acompanhou um dia da rotina de gravações de Danilo Gentili no talk show 'The Noite', do SBT, e depois bateu um papo com o humorista em seu camarim
Foto: Alan Morici / Terra
Pastor drag queen e stand-up comedy

17h50: no estúdio de gravação, Danilo Gentili entrevista o pastor travesti Marcos Lorde, que nas horas vagas ainda se transforma na drag queen Luandha Perón. Membro da Igreja da Comunidade Metropolitana, que recebe homossexuais, ele respondeu até mesmo a perguntas embaraçosas com muito bom humor.

Formado em Publicidade, Gentili introduz características da stand-up comedy em suas entrevistas. “Eu já gostava de comédia stand-up mesmo quando não sabia que se chamava stand-up”, contou ele, que gostava de assistir a séries estrangeiras do tipo. Com a ascensão da internet, ele começou a buscar mais referências, além de conhecer outras pessoas que também tinham o mesmo interesse e lugares onde poderiam se apresentar.

Considerado um dos precursores do estilo no Brasil, Gentili afirmou que o começo não foi fácil. “Toda entrevista que a gente dava, e até mesmo flyer de divulgação ou site, tinha que ter uma área destinada a explicar o que estávamos fazendo”, relembrou. Foi então que, "por meio do boca a boca", o público composto por “alguns gatos pingados” começou a crescer, antes mesmo dos humoristas chegarem à TV.

Zoação, CQC e “o terror dos políticos”

18h15:

Léo Lins e Murilo Couto gravam o quadro

Cyberbullying

, enquanto Gentili, sentado em sua mesa no cenário, brinca com um boneco ventríloquo. O Ultraje A Rigor, banda liderada por Roger Moreira também grava passagens.

Reportagem do Terra acompanhou um dia da rotina de gravações de Danilo Gentili no talk show 'The Noite', do SBT, e depois bateu um papo com o humorista em seu camarim
Reportagem do Terra acompanhou um dia da rotina de gravações de Danilo Gentili no talk show 'The Noite', do SBT, e depois bateu um papo com o humorista em seu camarim
Foto: Alan Morici / Terra
18h39: hora do intervalo. Os camarins da equipe são duas salas em que Gentili e o elenco circulam, rindo e fazendo piadas entre eles. Enquanto isso, o diretor do programa, Marcelo Zaccariotto, percorre os corredores conferindo se tudo está correndo bem.

Gentili tinha um camarim exclusivo quando estreou o programa, mas pediu para mudar para ficar mais próximo ao elenco. Assim, todos aproveitam o intervalo para, juntos, passarem o roteiro e discutirem algumas piadas para o próximo bloco.

Conhecido pelo grande público após integrar o programa Custe O Que Custar, da TV Bandeirantes, Gentili foi convidado para participar da atração após assistirem a uma de suas apresentações em um bar. Ele, que inicialmente foi contratado como temporário, conquistou sua vaga definitiva com entrevistas bem sucedidas no quadro Repórter Inexperiente - entre elas, com Agnaldo Timóteo.

Depois, ele se destacou com matérias de política e de rua, em que fazia perguntas diretas e ácidas a homens públicos, o que lhe rendeu o título de “terror dos políticos”. “Eu gostava muito. Provavelmente foi uma das épocas em que fui mais feliz trabalhando, realizado profissionalmente. O dia-a-dia e as condições de trabalho eram muito desgastantes, mas eu gostava muito do resultado final, de fazer aquilo, do momento de perguntar para os políticos o que eu queria, de fato, perguntar. Acho que foi uma das partes mais gratificantes da minha carreira”, comentou.

Uma das situações que mais marcou o humorista nessa época foi quando o segurança de José Sarney o agrediu. “Eu era agredido constantemente por seguranças, os caras batiam abaixo da linha da cintura, que era onde a câmera não pegava”, relatou. “Mas eu gostava disso tudo, eu gostava dessa loucura, eu fazia com prazer. Se eu saía pra gravar e não tinha umas loucuras dessas, eu achava que não tinha ido até o limite”.

Reportagem do Terra acompanhou um dia da rotina de gravações de Danilo Gentili no talk show 'The Noite', do SBT, e depois bateu um papo com o humorista em seu camarim
Reportagem do Terra acompanhou um dia da rotina de gravações de Danilo Gentili no talk show 'The Noite', do SBT, e depois bateu um papo com o humorista em seu camarim
Foto: Alan Morici / Terra
Jantar exótico e Agora É Tarde

19h25:

depois do intervalo, Gentili e elenco voltam ao palco para mais um bloco de gravações.

19h30: começa entrevista com o próximo convidado da noite, o apresentador Álvaro Garnero, do programa de viagens 50 por 1, da Record. Depois de conversar com Gentili, Álvaro mostrou a surpresa que preparou para o humorista: um jantar exótico, que incluiu uma mesa no meio do estúdio e iguarias como carpaccio de búfalo, barbatana de tubarão e miolo e testículos de boi.

20h05: fim da entrevista com Álvaro Garnero. A equipe refaz alguns takes.

Depois do sucesso adquirido no CQC, em 2011 Gentili ganhou sua própria atração, o talk show Agora É Tarde, também na Band. Segundo ele, não houve nenhum tipo de ciúmes de seus colegas do antigo programa. Eles, inclusive, continuam amigos até hoje. “Todos ficaram feliz e foram recebidos no Agora É Tarde”, comentou.

Reportagem do Terra acompanhou um dia da rotina de gravações de Danilo Gentili no talk show 'The Noite', do SBT, e depois bateu um papo com o humorista em seu camarim
Reportagem do Terra acompanhou um dia da rotina de gravações de Danilo Gentili no talk show 'The Noite', do SBT, e depois bateu um papo com o humorista em seu camarim
Foto: Alan Morici / Terra

Na época, surgiram notícias de que muitos dos primeiros convidados teriam rejeitado o convite para participar do talk show. O humorista, então, explicou o caso: “não rolou isso a princípio, mas depois foi uma mentira que virou verdade, porque os convidados estavam (aceitando), sim. Tinha uma boa semana para começar o programa”, relatou.

“Mas aí saiu em algum site, de um colunista de TV, que os convidados não queriam ir, que estavam me rejeitando. Aí os convidados que já estavam marcados começaram a desmarcar por causa disso. Eles disseram: ‘ah, eu li que ninguém vai, então não vou ser o único’. Nós dissemos que era mentira, mas começaram a desmarcar. Ainda assim conseguimos estrear com o Marcelo Adnet e Marília Gabriela. Bastaram esses dois programas para a crítica virar e as pessoas começarem a ligar para participar”.

Copa x manifestações

20h15:

Murilo Couto se junta a Gentili no palco para comentar uma notícia sobre os preços abusivos que serão cobrados nos estádios da Copa do Mundo. Murilo, então, dá dicas para os torcedores esconderem petiscos na entrada dos jogos. Os dois ainda interagem com a plateia.

20h35: mais um intervalo e o elenco vai para os camarins. 

Reportagem do Terra acompanhou um dia da rotina de gravações de Danilo Gentili no talk show 'The Noite', do SBT, e depois bateu um papo com o humorista em seu camarim
Reportagem do Terra acompanhou um dia da rotina de gravações de Danilo Gentili no talk show 'The Noite', do SBT, e depois bateu um papo com o humorista em seu camarim
Foto: Alan Morici / Terra

O assunto política é constantemente abordado nas piadas de Gentili. E em tempos de manifestações contra a Copa do Mundo, o humorista expôs sua opinião sobre o assunto na entrevista ao Terra. “Eu acho chato e dá preguiça (protestos contra a Copa). Pra começar, as manifestações não falam o nome de ninguém, é uma coisa genérica. É tipo, vou ao Raul Gil e ele pergunta ‘pra quem você não tira o chapéu?’, e eu respondo “para a fome, sou contra a fome”. Aí a fome fica preocupada: ‘ai meu Deus, tem uma pessoa contra mim’. É a mesma coisa com ‘sou contra a Copa’. A Copa deve estar puta na casa dela”, opinou.

“Precisava saber os nomes. Se as pessoas que estão se manifestando não dizem o nome, o porquê e contra quem eles são, fica difícil eu achar que é sério. Parece mais manipulação política do que, de fato, um protesto genuíno. Quando você está contra alguém, você está contra alguém, e não contra conceitos”, continuou.

“Eu quero saber o nome. Você é contra quem? Contra qual político? Por quê? O que esse cara fez de errado? É o organizador da Copa? É o presidente? Vamos falar. Mas se fica genérico, todo grupo político usa isso ao seu favor, por isso dá a impressão de que é mais manifestação partidária do que outra coisa. Todo mundo que quiser usa isso ao seu favor. No horário político, todos os partidos vão dizer ‘olha só, somos contra a corrupção’. E quem não é?”, finalizou.

Reportagem do Terra acompanhou um dia da rotina de gravações de Danilo Gentili no talk show 'The Noite', do SBT, e depois bateu um papo com o humorista em seu camarim
Reportagem do Terra acompanhou um dia da rotina de gravações de Danilo Gentili no talk show 'The Noite', do SBT, e depois bateu um papo com o humorista em seu camarim
Foto: Alan Morici / Terra
Marcos Oliver e suposta censura na Band

20h46: de volta ao estúdio, elenco regrava vinhetas com a banda e algumas chamadas.

20h50: Gentili chama o último convidado da noite de gravações, o ex-ator do Teste de Fidelidade Marcos Oliver e ex-participante do reality show A Fazenda. O bloco é focado na fama de sedutor do artista, que dá dicas sobre como conquistar o sexo aposto.

Oliver ainda comentou sobre sua recente prisão, em que ficou atrás das grades durante 30 dias por não pagar pensão alimentícia. “É uma coisa muito desagradável, sofri muito no tempo que fiquei ali”, comentou o ator, ao contar que ex-colegas do reality show A Fazenda chegaram a organizar uma festa para arrecadar dinheiro. “Mas muita gente entrou VIP”, disse, arrancando risadas de Gentili e da plateia.

21h24: fim da entrevista com Oliver. São gravadas mais passagens e chamadas. O dia de Gentili estava prestes a acabar. Mas ele ainda tinha a reportagem do Terra para encarar. No final de 2013, Gentili deixou a TV Band para assumir o talk show The Noite, no SBT, levando consigo quase todo o elenco da atração. Na ocasião, saíram notícias de que o humorista sofria supostas censuras na antiga emissora. Ele, no entanto, negou.

“É que, na verdade, acontece assim... Eu chego e falo: ‘estou muito feliz no SBT, porque o SBT me dá 1000% de liberdade. Eu já tinha liberdade na Band, mas no SBT tenho mais ainda’. Daí sai uma manchete assim: ‘Danilo diz que não tinha liberdade na Band’, sendo que eu nunca disse”, esclareceu ele, ao opinar que existe muita “desinformação” na busca por audiência. “O que eu disse foi, que se antes eu tinha 100% de liberdade, hoje eu tenho 1000%, e de fato eu tenho”.

Reportagem do Terra acompanhou um dia da rotina de gravações de Danilo Gentili no talk show 'The Noite', do SBT, e depois bateu um papo com o humorista em seu camarim
Reportagem do Terra acompanhou um dia da rotina de gravações de Danilo Gentili no talk show 'The Noite', do SBT, e depois bateu um papo com o humorista em seu camarim
Foto: Alan Morici / Terra
Fim das gravações e patrulha moral

21h25:

fim das gravações. Plateia e elenco deixam o estúdio e a reportagem do

Terra

vai ao camarim. Visivelmente cansado, o humorista contou que chegou ao SBT de manhã, já que participa de todas as decisões do programa. Apesar da maratona, Gentili foi solícito ao responder até mesmo a perguntas mais delicadas.

Além de estar presente na mídia por seu papel de apresentador, o apresentador costuma estampar notícias que envolvem polêmicas sobre piadas. Questionado se acredita que existe uma patrulha moral nas redes sociais, o humorista discordou.

“Na verdade não existe uma patrulha moral da população, o que existem são minorias que militam sua causa, e essas minorias têm uma grande parte no mainstream, na imprensa. Quando aparece uma pessoa que dá uma opinião divergente, uma opinião contrária ao que essas pessoas querem ouvir, eles querem fazer com que isso pareça a opinião da população, e não é”, avaliou.

“Ou seja, não reflete a opinião da população, reflete a opinião de uma minoria de uma ideologia onde eles tentam forçar a causa política deles pegando espantalhos para bater”, continuou. “Resumindo, tem que tacar o foda-se, fazer o que você quer e zelar pela sua liberdade de expressão”.

Piadas com o opressor ou com o oprimido?

Muito se fala sobre o verdadeiro humorista ser aquele que faz piadas com o opressor, e não com o oprimido. Mas Gentili também discorda. “Eu acho uma cagação de regras gigantesca, porque os caras se contradizem nos próprios exemplos quando falam sobre isso. O que é o oprimido? O que é o opressor? Quem define isso? Sabe quem define isso? Esses grupos de minorias que refletem suas ideologias”, opinou.

“Quem são os exemplos, então, de quem faz piadas com o oprimido e com o opressor? Eu já vi feminista falando que o Woody Allen é um exemplo (de quem faz piada com o opressor). O Woody Allen, que fez piada com a mulher dele que foi estuprada. Eu já ouvi falar que no tempo do Chico Anysio que era bom, que não tinha isso. O Chico Anysio, que fazia piada com negros, com nordestinos, machista e o caramba. Então, na verdade, esse discurso é muito mentiroso, e é facilmente rebatido”.

Mas quem são esses grupos de minorias que Gentili menciona? Ele explica: “basta você falar alguma coisa que desagrada a algum desses grupos. Eu não sei o que eu vou falar amanhã, e de repente tem um grupo se organizando para decidir que não pode usar gravata preta, só branca. Eu nunca sei. Às vezes você tem que pedir desculpas antes de falar, você tem que ficar com medo de falar. Eu prefiro não saber quais grupos são e continuar falando o que eu acho que tem que ser falado”.

Fonte: Terra
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