Zé de Abreu e o dilema dos artistas de se expor ou não na política
Vivemos um tempo no qual poucos artistas de TV se posicionam politicamente. Há temor de represália virtual e indisposição com as emissoras.
José de Abreu não está nem aí para possíveis ataques de haters ou dificuldade em conseguir novos trabalhos.
Ele milita abertamente pelo PT, especialmente no Twitter, onde tem quase 100 mil seguidores e já fez mais de 185 mil tweets.
Agora o artista deu um passo além: aceitou convite para ser o apresentador da propaganda política do PT. A exibição será no dia 6, às 20h30, em rede nacional de rádio e TV.
Independentemente da ideologia política ou ligação partidária, o Brasil precisava de mais artistas que dessem a cara a tapa para participar do atual momento do país.
No dia a dia, vemos os famosos comentando sobre casas, carros, grifes, viagens, moda, namoros e assuntos ainda mais privados.
Porém a maioria evita emitir uma simples opinião sobre a crise política e a situação econômica. É como se eles vivessem numa realidade paralela.
Muito influentes na mídia, os artistas brasileiros teriam um papel fundamental na discussão dos rumos da sociedade, assim como acontece com seus semelhantes em outros países.
Talvez temam o radicalismo que transforma oponentes em inimigos. Quando uma 'celebridade' se manifesta, seja em defesa do PT ou em sintonia com a oposição, vira alvo fácil de ilimitada artilharia.
Ao apoiar a esquerda recebem rótulos como 'fanáticos alienados' e 'cúmplices da corrupção'. Posicionados à direita, viram automaticamente 'reacionários' e 'coxinhas'.
E assim a classe artística, tão participativa na luta pela redemocratização nos anos 1980, hoje prefere omitir-se. Salvo exceções.
É como se o Brasil fosse aquele país maravilhoso mostrado nas páginas de 'Caras'.
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