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“Vivi sem freios, regras e medos”, afirma Vera Fischer

A atriz, o diretor Daniel Ghivelder e o produtor Marcio Rosario falaram com exclusividade ao "Terra" a respeito do filme "Quase Alguém"

5 fev 2019
14h55
atualizado em 13/2/2019 às 16h13
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Numa tarde de sol inclemente, com o termômetro marcando 40 graus no Rio de Janeiro, surge Vera Fischer vestindo um trench coat para rodar uma cena sob chuva cenográfica num cemitério da cidade.

A sequência faz parte do teaser promocional de "Quase Alguém", filme que marcará o retorno da atriz ao cinema após quase duas décadas.

O longa, ainda sem patrocínio oficial, tem roteiro final de Sylvio Gonçalves e produção de Marcio Rosario, Marcelo Pedrazzi e Daniel Ghivelder, que também assina o roteiro e a direção.

A trama gira em torno de Gilda, uma atriz que decide registrar em livro suas profundas cicatrizes emocionais.

Qualquer semelhança com a vida de Vera Fischer não é mera coincidência. Personagem e intérprete misturam-se entre ficção e realidade.

O Terra conversou com três integrantes da equipe de "Quase Alguém".

Vera Fischer na pele de Gilda Borba: “Nunca sofri na intensidade do sofrimento dessa personagem”
Vera Fischer na pele de Gilda Borba: “Nunca sofri na intensidade do sofrimento dessa personagem”
Foto: Michel Ângelo / Divulgação
A atriz vista em um monitor no set de Quase Alguém: um drama sobre amor e desamor
A atriz vista em um monitor no set de Quase Alguém: um drama sobre amor e desamor
Foto: Michel Ângelo / Divulgação

Assim como você, Gilda é atriz e escritora, e acaba julgada por ter vivido como quis. É terapêutico interpretar uma personagem com tantas semelhanças?

O que acontece comigo é que não há uma interrupção na minha vida enquanto estou vivendo qualquer personagem. O que se passa na vida pessoal pode refletir ou não na interpretação. No caso da Gilda, ao interpretá-la eu consigo imprimir sofrimento na cena, muito mais agora do que no passado. Eu, Vera, nunca sofri na intensidade do sofrimento dessa personagem. Agora, tudo é mais maduro, até a interpretação do sofrimento. Mas é, também, terapêutico. Atuar é terapêutico.

Em certo momento do roteiro, sua personagem diz que viveu “sem freios, sem regras, sem medos”. Você também escolheu viver assim?

Sim, vivi sem freios, sem regras, sem medos, ou seja, com coragem e verdade. E, sim, eu escolhi viver assim. O preço foi e é alto. Mas eu paguei, quitei e faria tudo igualmente. Do contrário, eu não seria a mulher que me tornei hoje e não teria a linda família que tenho, não teria os meus amigos, o meu trabalho, a minha obra, tudo que eu amo e respeito, e não seria tão absurdamente feliz e realizada como sou hoje.

Qual a sensação de voltar a fazer cinema depois de tantos anos longe das telonas?

Fazer teatro e TV sempre foi, e é, altamente positivo e compensador. O público é maravilhoso! Voltar ao cinema com este filme do querido Daniel Ghivelder, e com essa equipe sensacional, me deixa muito emocionada. A personagem é incrível, parece escrita pra mim, e vou me jogar inteira, com cor e paixão até o final das filmagens.

Você lançou dois livros de memórias (‘Vera, a Pequena Moisi’ e ‘Um Leão Por Dia’). Pensa em escrever outra obra autobiográfica?

Por enquanto ainda estou vivendo (risos), tenho muita coisa nova e diferente para fazer. Por isso, não penso em nada neste sentido, nem livro nem filme. Isso é coisa, talvez, para se pensar no futuro.

O diretor Daniel Ghivelder num ensaio e em uma filmagem externa com Vera Fischer
O diretor Daniel Ghivelder num ensaio e em uma filmagem externa com Vera Fischer
Foto: Michel Ângelo / Divulgação

Diretor de novelas, séries e filmes, Daniel Ghivelder traz a paixão pelo audiovisual no DNA: é filho da atriz Sônia Clara e do redator e produtor de TV Zevi Ghivelder.

Em 2014, o cineasta foi premiado no "Los Angeles Brazilian Film Festival", nos Estados Unidos, pelo curta "Filho do Crime". Agora se dedica a "Quase Alguém".

Como é dirigir um ícone artístico como Vera Fischer? O diretor respondeu a esta e outras perguntas.

Quais musas o inspiraram a escrever o roteiro?

Na verdade, a grande inspiração não foi propriamente alguma musa ou diva do cinema, mas sim a grande diversidade humana na sua forma mais ampla. É um mergulho no labirinto emocional dos relacionamentos, nos nossos porões, na liberdade e nas suas consequências. Me encanta o universo em que nós, artistas, vivemos e trabalhamos. Somos um turbilhão de sentimentos, emoções e escolhas. Sempre acreditei que para explorar universos completamente distintos entre mãe e filha, como o filme mostra, essa mãe deveria ser uma artista, o oposto da filha.

O cinema brasileiro está dependente das comédias. Acha importante filmar um drama?

Concordo. Há um número muito maior de comédias atualmente. É um gênero de que gosto muito e quero levá-lo às telas com a minha assinatura numa próxima ocasião. Vivemos num País de realidade dramática e trágica, onde a comédia será sempre um momento de leveza para o espectador fugir um pouco do caos que o cerca no dia a dia. Mas acho fundamental o cinema brasileiro apresentar dramas de consistência e abrangência universal. A trama de Quase Alguém certamente vai tocar a todos de alguma forma, já que as relações e conflitos de família estão no cotidiano de todas as casas, de qualquer família. Não existe relação perfeita entre mães e filhos, pais e filhos. Esse filme fala sobre o perdão, a aceitação, a diversidade de escolhas profissionais e pessoais. Acredito que isso possa h umanizar e aproximar relações.

Como tem sido trabalhar com Vera Fischer?

Tem sido incrível! Vera é uma escalação perfeita. Não pela sua vida pessoal, mas pela atriz verdadeira, visceral e emotiva que ela é. Veste a personagem com muita sensibilidade e sem defesas. Além disso, é uma pessoa encantadora, doce, alegre e carinhosa com todos. Claro que muitas das passagens da personagem se misturam com fatos já vividos por ela. Isso valoriza, sim, suas próprias memórias afetivas e o que o ela traz de intensidade para as cenas.

Você já ganhou prêmio internacional de cinema. Pensa numa carreira em Hollywood?

Foi uma experiência única que vivi ao lado do produtor do curta Filho do Crime, Marcio Rosario. Ver um filme independente voar alto e ser premiado é uma alegria infinita. Penso muito em carreira internacional. Sou apaixonado pelo cinemas americano, argentino e europeu. Adoro Los Angeles e pretendo levar minha carreira para lá em algum momento. Meryl Streep, Viola Davis, Denzel Washington e Gael García Bernal são alguns dos atores com quem gostaria de trabalhar.

O produtor Marcio Rosario com a atriz Rita Elmôr, o diretor Daniel Ghivelder e a estrela Vera Fischer
O produtor Marcio Rosario com a atriz Rita Elmôr, o diretor Daniel Ghivelder e a estrela Vera Fischer
Foto: Michel Ângelo / Divulgação

O produtor do longa, Marcio Rosário, também conversou com o blog.

Como foi seu envolvimento com a produção do filme?

Havia trabalhado com o Daniel em O Filho do Crime, melhor curta-metragem no Los Angeles Brazilian Film Festival. Estamos na fase de transformá-lo em um seriado para TV. Agora filmamos um trecho promocional de Quase Alguém para poder rodar o longa no final do ano.

O que achou do roteiro? Sugeriu mudanças, como quase todo produtor faz?

Gostei muito do roteiro, senão não teria embarcado nessa jornada. Produzir no Brasil sempre foi difícil e doloroso, mas quando se tem um roteiro interessante, fica mais fácil contar a história. Todo produtor acaba sugerindo mudanças. Eu venho de uma formação diferente, pois estudei produção executiva em Los Angeles e uma das coisas que aprendemos lá é que devemos auxiliar o diretor e o roteirista. Destacar o melhor do projeto, valorizar suas potencialidades artísticas para conseguir bom resultado de crítica, público e bilheteria. Não sugeri mudar nada do texto inicial do Daniel. Contamos também com o talentoso Sylvio Goncalves, roteirista de sucessos como S.O.S Mulheres ao Mar.

Como é sua relação com Daniel Ghivelder?

Temos parceria e afinidades. Sou muito prático e ele, mais ainda. Isso agiliza o processo. É difícil achar jovens diretores com o ótimo currículo dele e que sabem exatamente o que querem em um set. Fazer esse teaser, que tem o formato de um curta-metragem, foi maravilhoso e gratificante. Quase Alguém é uma obra cinematográfica importante pelos temas que aborda.

Teve influência na escalação de Vera Fischer?

Buscamos o elenco juntos, e o nome da Vera logo surgiu. Ela é muito mais do que uma atriz bonita. Oferece uma interpretação visceral, humaniza a personagem Gilda.

Como tem sido conviver com uma grande diva como Vera Fischer?

Sou um ator que produz ou, se preferir, um produtor que atua. Por isso, meu nível emocional com o elenco sempre vai ser diferente. Como ator, ver a Vera no set me faz querer assistir a todos os takes. Ela imprime brilhantismo e verdade em cada gesto, cada frase do roteiro. Além disso, nos bastidores, gera alegria. É uma artista generosa com os colegas e a equipe. O termo ‘grande diva’ pode ser aplicado a poucas atrizes brasileiras. Vera Fischer está entre elas.

O que você aplica de sua experiência no cinema norte-americano nas produções brasileiras das quais faz parte?

Durante 15 anos, tive a honra de trabalhar com grandes atores e diretores em filmes de baixo e grande orçamentos. Posso afirmar que nosso filme fará bonito no Brasil e no exterior. Quase Alguém é uma história universal que vai emocionar as mais diversas plateias.

Vera Fischer em cena rodada no cemitério São João Batista, no Rio, e a capa do livro escrito por sua personagem Gilda
Vera Fischer em cena rodada no cemitério São João Batista, no Rio, e a capa do livro escrito por sua personagem Gilda
Foto: Michel Ângelo / Divulgação

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