BBB26 se torna repetitivo com hiperfoco em Ana Paula e excesso de ‘vilões’
Entre conflitos diários e torcida inflamada, reality fica previsível ao concentrar poder e enredo numa única competidora
Sim, esta 26ª é uma das melhores edições do ‘Big Brother Brasil’. Não há um único dia de monotonia. O público recebe fartura de acontecimentos, declarações e polêmicas.
Mas, a dinâmica narrativa começa a ficar repetitiva. O reality show gira em torno de Ana Paula Renault, seja da parte dos aliados — docilmente submissos a ela — ou dos adversários, que falam da competidora quase 24 horas por dia.
Faltam outros assuntos, novos protagonismos (ainda que temporários), situações surpreendentes.
Tudo parece se resumir às discussões da jornalista contra a maioria da casa e os planos esdrúxulos para eliminá-la.
Com o público a enxergando como heroína e campeã antecipada, criou-se um excesso de ‘vilões’ ao seu redor. Qualquer um que se distancie dela é automaticamente demonizado.
Qualquer palavra ou olhar de desaprovação direcionado à veterana já deixa os fãs revoltados, armados contra o alvo inimigo.
Essa ‘santificação’ de Ana Paula insere um perigoso maniqueísmo no ‘BBB’, como se cada participante fosse 100% bom ou 100% mau, sem direito às nuances inerentes ao ser humano.
Ela parece ter o dom de despertar sentimentos assustadoramente ruins dos rivais, porém, não podemos esquecer que ninguém é perfeito e todos estão em um ambiente atípico e sob pressão absurda.
Por fim, o que estamos a testemunhar é um fenômeno de popularidade que arrebata a torcida e dita o rumo do jogo com força raramente vista.
Cada conversa, cada prova, cada votação e cada festa acabam reinterpretadas a partir do impacto que terão sobre Ana Paula, fazendo dos demais moradores da casa meros coadjuvantes precocemente derrotados.
O ‘Big Brother Brasil’ sempre se alimentou de figuras magnéticas que organizam a temporada em torno de si: Kléber Bambam, Diego Alemão, Juliette Freire, Arthur Aguiar, Davi Brito…
O problema, agora, é que o programa estagnou e começou a girar em torno de si mesmo, como uma novela que só tem uma trama e se arrasta sem reservar nenhuma surpresa para o último capítulo.