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Protesto na porta da Globo reflete aumento do ódio ao canal

Emissora sofre mais ataques nas redes sociais e volta a registrar a invasão de gente furiosa no 'ao vivo'

12 abr 2020
10h18
atualizado às 10h22
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A audiência da Globo cresce dia após dia desde o início da pandemia global provocada pela disseminação do novo coronavírus. De acordo com dados do Painel Nacional de Televisão, a emissora subiu 12,6% no ranking da Kantar Ibope nas 15 regiões metropolitanas onde a empresa afere o público consumidor de TV. Nessas áreas, o canal ganhou cerca de 1,1 milhão de novos telespectadores entre fevereiro e março. RecordTV e SBT cresceram apenas 1 décimo (cerca de 70 mil pessoas cada) no mesmo período.

Globo sob ataque: emissora cresce em audiência enquanto aumentam as críticas a seu jornalismo
Globo sob ataque: emissora cresce em audiência enquanto aumentam as críticas a seu jornalismo
Foto: Ilustração: Blog Sala de TV

Proporcionalmente à curva ascendente de audiência aumentaram as manifestações de repúdio à emissora carioca. Os antiGlobo estão mais indignados do que nunca. Nas redes sociais, eles afirmam que o jornalismo da emissora produz alarmismo intencional na população ao mostrar hospitais lotados, as restrições nas cerimônias de enterro dos mortos pela covid-19 e os números crescentes de contaminados e vítimas fatais.

A Globo também virou alvo de críticas por apoiar e divulgar as recomendações de distanciamento social da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde sob o comando de Luiz Henrique Mandetta. Todas as noites, no Jornal Nacional, os âncoras William Bonner e Renata Vasconcellos recomendam aos telespectadores o respeito à quarentena decretada pelos governos estaduais a fim de minimizar o risco de contágio.

O discurso dos descontentes com essa orientação é o mesmo do presidente Jair Bolsonaro, que considera o Grupo Globo, do qual a TV Globo faz parte, seu "inimigo" na mídia. Os protestos contra o canal não acontecem apenas na internet. Há quem se manifeste diante das câmeras da emissora. Na sexta-feira (10) uma mulher tomou o microfone do repórter Renato Peters durante 'link' (transmissão ao vivo) no telejornal local SP1. "A Globo é um lixo, o Bolsonaro tem razão", disse a anônima em fúria.

Outro episódio de agressividade ocorreu em 11 de março, quando um homem surgiu atrás da repórter Laura Cassano, em uma entrada ao vivo no Bom Dia São Paulo, e passou a dizer palavrões e mostrar os dedos do meio à câmera. A geração de imagens foi interrompida. Recentes flagras de dois jornalistas da Globo, Renata Ceribelli e Marcelo Cosme, 'quebrando' o distanciamento social para se exercitar na rua também suscitaram reclamações a respeito da emissora por conta da campanha de incentivo ao autoisolamento divulgada em sua programação. Essa hostilidade lembra a onda de violência contra equipes do canal registrada após as manifestações de 2013 e no período do processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff.

Na tarde de sábado (11), cerca de 200 apoiadores do presidente Jair Bolsonaro protestaram contra a Globo diante da entrada principal da sede paulistana da emissora, no bairro do Brooklin. Houve buzinaço e gritos de boicote ao canal. O distanciamento social não minimizou a polarização político-ideológica que impulsiona os antiGlobo. Com mais gente em casa, diante da TV, a execração ao canal da família Marinho se intensificou. A hashtag #GloboLixo voltou com tudo e agora rivaliza com a #FiqueEmCasa.

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