Pedro Monteiro viverá múltiplas histórias de amor na TV
"Amar é sofrer. Para evitar sofrer, você não deve amar. Mas, dessa maneira, vai sofrer por não amar. Então, amar é sofrer, não amar é sofrer, sofrer é sofrer."
A frase do cineasta Woody Allen, típica de seu humor um tanto esquizofrênico, é uma representação adequada daquilo que o ator Pedro Monteiro viverá em 'Amor Veríssimo'.
A série baseada em crônicas do escritor Luis Fernando Veríssimo terá a segunda temporada exibida a partir de 11 de março no canal GNT.
Pedro, 35 anos, aparece em 12 dos 13 episódios, sendo protagonista de seis deles.
Rosto bastante conhecido de comerciais de TV, o ator comenta nesta entrevista seu processo de construção de múltiplos personagens, os rumos da carreira e suas produções no teatro.
Identificou-se com as tramas da série Amor Veríssimo? Sua vida amorosa renderia mais episódios dramáticos ou cômicos?
Em alguns episódios a identificação era enorme, pois são histórias de amor, falta de amor ou loucuras de amor. Assim era difícil não se identificar. Sim, a minha vida renderia algum episódio (risos). Acho que teriam episódios dramáticos e cômicos. E nenhum trágico, ainda bem! (risos)
Como foi o processo de criação em sequência de vários personagens? Recorreu mais à técnica ou ao instinto?
Tem uma hora em que o instinto não é mais suficiente. E essa hora é logo no início, no começo dos trabalhos. Por isso, fiz questão de ler alguns livros do Veríssimo, ver a 'Comédia da Vida Privada' e reler todos os episódios pelo menos duas vezes. Imagina? Cada episódio tinha 40 páginas. E depois estudo, e decoreba, decoreba e estudo. Na hora da ação, o instinto e a parceria com os outros atores ajudam e muito.
Você tem 20 anos de carreira, formação acadêmica sólida e currículo extenso. O que acha desse modismo em ser ator e se apresentar como tal, mesmo sem jamais ter estudado ou realizado um trabalho profissional? A profissão foi banalizada por conta da busca por fama rápida?
Hoje, sem sombra de dúvida, existe mais quantidade de trabalho para ator no Brasil desde quando Dom João chegou aqui. Hoje tem cinema, TV (aberta e fechada), publicidade, dublagem, teatro e mais umas seis funções para as quais os produtores procuram atores. E não há tempo, e nem uma quantidade de escolas de formação qualificada, para dar vazão a isso tudo. O que fazer? Contratar pessoas descoladas e desinibidas para suprir isso. Daí pode se perder a qualidade e banalizar a profissão. É triste, mas é a realidade.
Montou um espetáculo sobre a origem e a trajetória do funk. Como começou sua ligação com esse gênero musical? Os funkeiros que fazem sucesso na mídia representam a cultura do funk?
O musical 'Funk Brasil - 40 anos' de baile estreou em 2012 e até agora continuamos com a peça. Em breve faremos apresentações pela periferia carioca. Sou carioca, ouvia funk no intervalo das aulas na década de 90. Gosto do som, gosto do ritmo. Dancei muito Claudinho e Buchecha e Stevie B. Frequentei bailes do Morro do Leme, do Morro Santa Marta e muitos bailes de charme no viaduto de Madureira e no Clube Vera Cruz. Hoje temos um funk extenso, de várias tendências, com vários ídolos e tocando em todos os lugares. Mas volto afirmar que, para mim, antes de mais nada, funk é música. E música não faz mal a ninguém.
Você e Leandro Hassum trabalharam juntos fazendo animação de festas infantis. Quais as memórias daquele período?
Conheci o Hassum em 1997, no Tablado. Lá tinha uma galera boa, boa mesmo: Hassum, Mateus Solano, Fernando Caruso e Álamo Facó. Todos estudando, lendo e improvisando no inesquecível Tablado. Só que precisávamos de dinheiro para continuar sobrevivendo. E aí defendíamos o lanche do fim do semana, ou o dinheiro da mensalidade, como dava. Surge então o mundo mágico da animação de festa. Era uma alegria, fazíamos as crianças se divertirem e o gênio do Hassum fazia do trabalho um pequeno stand-up. É um dos caras mais engraçados que eu conheço. Páreo a páreo com o Marcelo Adnet.
Liderou um movimento de reivindicação de mais espaço para os ruivos na mídia. Hoje vocês estão em evidência, especialmente na moda, na publicidade e na TV. Veja aí o sucesso de Marina Ruy Barbosa, Camila Morgado, João Cortês e outros. Acha que existe preconceito contra os atores ruivos?
Não! Não acho que há preconceito contra atores ruivos, mas o mote da peça era trazer o preconceito para o teatro por meio do humor. Assim criei 'Os Ruivos', que estreou em 2008 e ficou em cartaz até 2011, com mais de 200 apresentações em 10 estados do Brasil. Lá nós clamávamos por: mico leão dourado como mascote das Olimpíadas de 2016; protetor solar fator 100; meia-entrada nos dermatologistas; cota ruiva nas universidades. Afinal de contas, o negócio tá russo pro ruivo, mas agora tá melhorando.
Pingue pongue:
O que você vê na TV aberta: Tá no Ar, Escolinha do Professor Raimundo e documentários.
Programas preferidos (ou canais) da TV paga: Globo News, GNT e Canal Brasil.
Personagem de novela que gostaria de ter interpretado: O personagem do Selton Mello apaixonado pela Grampola. Acho maneiro. (Na novela A Indomada, de 1997, atualmente reexibida no canal Viva, Selton viveu o jovem Emanuel, par romântico de Grampola, papel de Karla Muga).
Descreva a melhor cena que já fez em TV: Sou um novato na TV, ainda engatinho, mas acredito que a performance da campanha 'Skol - Adocica' é bem positiva. Não à toa, foi eleita uma das três melhores publicidades daquele ano.
Cite alguns grandes colegas de cena: Mateus Solano, ótimo ator, vai do humor simples ao drama profundo. Ralou muito e é um camarada. Leandro Hassum, para mim um dos melhores no Brasil, e humilde, sem estrelismo. Adnet é gênio, faz eu gargalhar tomando café, quando esbarro com ele na padaria aqui perto de casa. (O ator mora no Humaitá, bairro da zona sul do Rio).
Um autor de TV com quem quer trabalhar: Aguinaldo Silva. Os personagens dele nunca são uma coisa só. Têm mistério.
Em uma novela, gostaria de fazer o herói ou o vilão? Herói, vilão, galã, bandido… Personagem bom não se nega. Afinal de contas, a gente vive pra quê?
Uma atriz com quem desejaria fazer uma cena romântica: Alinne Moraes.
Um ícone da profissão: Tantos, mas vamos lá: Tony Ramos e Bibi Ferreira.