Na TV, Rosane fala de magia negra de Collor contra Silvio Santos
Entrevistadora perspicaz, a apresentadora Catia Fonseca, do programa Mulheres da TV Gazeta de São Paulo, extraiu declarações interessantes da ex-primeira dama Rosane Collor, que hoje assina Rosane Malta, durante conversa exibida na tarde de sexta-feira (15).
Entre os assuntos abordados, destaque para o ímpeto do então candidato a Presidência Fernando Collor de Melo para impedir a candidatura do apresentador e empresário Silvio Santos, visto por ele como único oponente capaz de derrotá-lo na eleição de 1989.
Rosane relatou uma conversa entre Collor e o então diretor do instituto de pesquisas Vox Populi, Marcos Coimbra, em Belo Horizonte. "O Marcos disse a Fernando: 'A única pessoa que vai te prejudicar, caso seja candidato, é Silvio Santos. Aí Fernando respondeu: 'Então fico tranquilo, porque estive há uns quinze dias com o Silvio e ele disse que não seria candidato'. Voltamos para Maceió e uma semana depois saiu na televisão que Silvio seria candidato."
A entrevistada contou que seu então marido chamou imediatamente Mãe Cecília, uma das mães de santo mais famosas de Alagoas. "Fernando disse: 'como vai ser?' Ela falou: 'pode ficar tranquilo, vou fazer um trabalho para ele não ser candidato. O eleito será você'. Coincidência ou não, aconteceu. Silvio Santos deixou a candidatura e Fernando se elegeu."
Catia Fonseca questionou se Rosane Malta acredita que aqueles 'trabalhos' de magia negra influenciaram na chegada de Collor ao Palácio do Planalto. "Creio que foi uma determinação de Deus. Deus escolhe as pessoas que vão governar nosso país", respondeu a administradora, de 51 anos.
Rosane converteu-se evangélica poucos meses depois da separação tumultuada de Fernando Collor, em 2005. Atualmente circula pelo país para divulgar sua biografia, 'Tudo o Que Vi e Vivi', da editora Leya.
O valor de um bom papo
A ótima entrevista de Rosane Malta a Catia Fonseca suscita o questionamento de uma falha grave da programação da TV aberta: falta de espaço para boa conversa.
A maioria das emissoras adotou um ritmo insuportavelmente acelerado na expectativa de surpreender o telespectador a cada minuto e, com isso, tentar impedi-lo de fazer o zapping.
Fica a sensação de que o público não sabe ou não merece ver e ouvir uma entrevista longa. Há outro elemento complicador: a audiência em tempo real.
Os canais são reféns do Ibope. Alguns programas chegam a interromper os entrevistados e encerram abruptamente a conversa quando os números são correspondem à expectativa.
Não é preciso ser especialista em comunicação para saber que, em TV, audiência alta não significa necessariamente qualidade de conteúdo.
O programa Mulheres, no ar há quase 35 anos, é uma exceção a esse imediatismo do veículo. A atração tem como base a interação entre as pessoas, com tempo suficiente para ouvir o que se tem a dizer, opinar, refletir, contestar.
Autêntica e popular, Catia Fonseca conduz a atração como se estivesse na sala de sua casa: não há censura nos comentários, o humor às vezes é debochado e existe interesse assumido pelas notícias sobre a vida alheia. Ao se divertir, ela provoca a mesma reação em quem a acompanha pela TV.
Em tempos de comunicação individualista por meio de mensagens nos smartphones e pelas redes sociais, o Mulheres ainda aposta no agradável 'papo de vizinhos'. A fórmula parece datada, mas continua imbatível.
Enquanto isso, vários programas de TV parecem ter pressa descontrolada. Poucos chegam a algum lugar — e a maioria dos telespectadores é deixada no meio do caminho.