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Morte de entrevistado é um alerta sobre superexposição na TV

Muitas pessoas abrem a intimidade diante das câmeras sem ter noção das possíveis consequências dramáticas

16 mai 2019
14h25
atualizado às 14h26
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Um entrevistado morreu dias após contar um drama pessoal na gravação de um episódio do programa de Jeremy Kyle, popular apresentador do canal britânico ITV.

Steve Dymond foi encontrado morto depois de falhar num teste de detector de mentiras. Ele tentava provar que não havia traído a noiva.

No estúdio, a plateia disse que o homem seria reprovado no polígrafo. Dito e feito. Nervoso, Dymond chorou.

A causa da morte não foi divulgada, mas a imprensa daquele País fala em suicídio. A polícia não confirma nem nega.

Steve Dymond e, no detalhe, o apresentador Jeremy Kyle: a exploração na TV de suposta infidelidade terminou em tragédia
Steve Dymond e, no detalhe, o apresentador Jeremy Kyle: a exploração na TV de suposta infidelidade terminou em tragédia
Foto: Reprodução

A repercussão foi tão negativa que a emissora encerrou a atração depois de 14 anos de boa audiência.

Entidades de saúde mental protestaram contra o formato que coloca os convidados sob forte pressão emocional.

Nas redes sociais, ex-participantes do Jeremy Kyle Show contaram ter pensado em dar fim à própria vida porque o programa os mostrou de maneira pejorativa.

A televisão brasileira já teve várias produções semelhantes, nas quais o participante era submetido a um julgamento equivocado e vexatório.

No momento, o Casos de Família, comandado por Christina Rocha nas tardes do SBT, é o que se aproxima mais desse estilo.

Bem-sucedido, registra média de 7 pontos, o equivalente a 1,5 milhão de telespectador somente na Grande São Paulo.

A atração acerta ao embalar as situações com bom humor – ainda que ocorra bate-boca ruidoso frequentemente – e dar aos convidados a orientação imediata de uma psicóloga.

Quem se dispõe a ir a um programa de TV para falar de um aspecto íntimo precisa estar ciente do que vai enfrentar.

Dar a cara a tapa diante do público do estúdio e de casa pode resultar em trauma.

Entre as consequências prováveis estão a perda momentânea da privacidade e o linchamento moral nas redes sociais.

Pode acontecer ainda, como no caso de Steve Dymond, um esgotamento emocional severo – e uma consequência trágica.

A superexposição na mídia é o sonho de muita gente interessada nos tais 15 minutos de fama. Pela visibilidade, sujeita-se a escrachar questões delicadas.

O glamour dá espaço à angústia quando os refletores se apagam e o julgamento impiedoso acontece no círculo familiar, no trabalho, nas ruas, na internet.

Recomenda-se pensar bem, muito bem mesmo, antes de permitir que uma história pessoal seja transformada em novela da vida real na televisão.

E os programas que se baseiam nesse tipo de dinâmica precisam oferecer apoio efetivo a quem se expõe.

O planeta vive uma epidemia de transtornos como depressão e bipolaridade.

Não se pode desdenhar os efeitos traumáticos de uma participação bombástica na TV.

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