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Mocinha clássica, Clara exige paciência que o público não tem

Protagonista de ‘O Outro Lado do Paraíso’ apresenta excesso de ingenuidade e sofrimento

11 nov 2017
14h43
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Antigamente, bastava uma heroína de novela ser a maior injustiçada do mundo para que o telespectador se tornasse cúmplice da personagem.

Clara (Bianca Bin): difícil torcer por uma heroína com tão pouco senso de autopreservação
Clara (Bianca Bin): difícil torcer por uma heroína com tão pouco senso de autopreservação
Foto: Raquel Cunha/TV Globo

Vivemos outros tempos. Os autores sofrem dobrado para despertar a empatia do público. O brasileiro que consome teledramaturgia não se compadece mais com tanta facilidade.

Em ‘O Outro Lado do Paraíso’, Clara é uma mocinha clássica: sofre, sofre e sofre. Mais até do que a maioria das antecessoras.

A professorinha interpretada por Bianca Bin apanha constantemente do marido bipolar, Gael (Sergio Guizé), e sofre pressão psicológica de uma sogra abominável, Sophia (Marieta Severo).

Foi colocada em um universo paralelo: sem celular, sem contato com amigos, vigiada e oprimida. E seu calvário está apenas começando. Logo será trancafiada num hospício, onde vai padecer por muitos anos.

Não se pode dizer que Clara seja uma personagem ruim. Mas falta a ela o carisma essencial capaz de fazer o público sofrer junto e torcer pela virada na trama.

O excesso de ingenuidade e um certo masoquismo – que mulher aguentaria um marido daquele por acreditar em sua hipotética mudança de comportamento? – fazem da heroína um tipo pouco verossímil na ficção contemporânea, ainda que represente milhões de mulheres reais.

Clara não é uma heroína para ser amada pelos noveleiros, como o foram tantas protagonistas. Exige grau de paciência e compreensão que o atual público de novela não tem.

Contudo, o autor do folhetim, Walcyr Carrasco, merece aplausos pela coragem de abordar a desgraça social da violência doméstica no horário nobre da Globo.

Trata-se de um tema de difícil digestão e com potencial para fazer muita gente trocar de canal. Ao invés de servir como escapismo do estresse cotidiano, ‘O Outro Lado do Paraíso’ oferece um choque de realidade. Desconfortável, mas necessário.

Na próxima fase do novelão, Clara ressurgirá transformada. Sai a coitadinha vítima de múltiplas violências e entra uma mulher amadurecida à força e decidida a se vingar.

Está previsto até um novo grande amor em seu caminho. Clara, enfim, poderá conquistar a torcida do público, que prefere vilãs divertidas do que mocinhas como ela, excessivamente puras e insossas.

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Fonte: Especial para Terra

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