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Matérias sobre Bolsonaros mostram que revistas estão vivas

Presidente diz que parte da mídia é sua "grande inimiga" após reportagens citarem parentes dele

15 set 2019
11h49
atualizado às 11h49
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No final de agosto, a Veja trouxe matéria de capa a respeito do paradeiro de Fabrício Queiroz, ex-assessor do então deputado estadual (e hoje senador) Flávio Bolsonaro.

O ‘caso Queiroz’ envolve movimentação suspeita de 1,2 milhão de reais envolvendo o gabinete do filho mais velho do presidente, o ‘Zero 1’. Esse escândalo produz incômodo e ira no líder do clã Bolsonaro.

Uma reportagem da edição desta semana da ‘Época’ (com chamada na capa) provocou reação igualmente colérica no presidente, que permanece internado em São Paulo.

Revistas semanais brasileiras são alvo constante da fúria do presidente
Revistas semanais brasileiras são alvo constante da fúria do presidente
Foto: Montagem: Blog Sala de TV / Reprodução

O repórter João Paulo Saconi fez sessões on-line de coaching com a psicóloga Heloísa Wolf, mulher do deputado federal Eduardo Bolsonaro, o ‘Zero 03’. Em seu relato, o jornalista revela comentários da nora do presidente a respeito da intimidade em família e de política.

Indignado, Jair Bolsonaro disparou contra os veículos de comunicação em suas redes sociais. “Nossa inimiga: parte da GRANDE IMPRENSA. Ela não nos deixará em paz. Se acreditarmos nela será o fim de todos”, postou. As mensagens foram repercutidas pelos principais portais de notícias do País e mobilizam milhares de apoiadores dos Bolsonaros.

Essas duas reportagens investigativas serviram para mostrar que a imprensa escrita sobrevive, apesar da situação financeira difícil.

O Brasil tem quatro grandes revistas semanais: ‘Veja’ (fundada pela Editora Abril em 1968), ‘Época’ (lançada pela Editora Globo em 1998), ‘Carta Capital’ (mantida pela Editora Confiança desde 1994) e ‘Isto É’ (da Editora Três, em circulação há 43 anos).

Assim como os jornais, as revistas enfrentam crise de longa data. A tiragem da versão em papel tem despencado ano a ano por conta da retração na venda em bancas e do custo da matéria-prima. A salvação do setor tem sido o aumento do número de assinaturas digitais.

Publicação mais influente, ‘Veja’ já teve circulação com mais de 1 milhão de exemplares impressos. Hoje, sai de sua gráfica menos da metade.

Matérias de impacto como a do paradeiro de Queiroz e a do contato direto com a nora do presidente ressaltam o papel das revistas na busca por informações exclusivas – os ‘furos’, no jargão jornalístico.

Com redações cada vez mais enxutas e verba reduzida, os principais veículos de imprensa têm dificuldade em produzir reportagens que exigem dedicação exclusiva de repórteres por um tempo maior. Uma boa apuração não é barata nem pode ser feita às pressas.

Por isso, quando conseguem publicidade espontânea – como nos casos de ‘Veja’ e ‘Época’ nos últimos dias – ganham também um fôlego extra na luta diária para manter a relevância e garantir a sobrevivência diante do massacre imposto pela mídia digital.

Jair Bolsonaro dá contribuição valiosa às publicações tradicionais que ele tanto despreza: sua presidência é uma fábrica ininterrupta de notícias bombásticas.

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