Caso Suzy: ao se desculpar, Globo critica Bolsonaro e cia
Nota lida no JN desaprova autoridades que se manifestaram contra a emissora antes da confirmação dos crimes da entrevistada
Nos minutos finais da edição de terça-feira (10) do Jornal Nacional, a Globo se posicionou com firmeza a respeito da polêmica do momento no jornalismo e nas redes sociais: a descoberta de que a detenta transexual Suzy de Oliveira, entrevistada no Fantástico do dia 1º e abraçada por Drauzio Varella na reportagem, foi condenada por violentar, matar e ocultar o cadáver de um menino de 9 anos, Fábio dos Santos Lemos. O gesto de apoio do médico gerou enorme empatia e repercussão. Houve também reação gigantesca — surpresa, indignação e rejeição — quando começaram a circular as primeiras informações sobre a ficha criminal da entrevistada.
O JN exibiu o vídeo divulgado ontem por Dr. Drauzio. "Posso imaginar a dor e peço desculpas para a família do menino que foi involuntariamente envolvida no caso”, diz o médico na gravação. Mesmo sem ter tido conhecimento prévio dos crimes de Suzy, ele justificou a atitude de se solidarizar com a entrevistada que se mostrou solitária atrás das grades. “Para quem acha que eu errei, desculpa, mas esse é meu jeito."
Ao vivo, William Bonner falou em nome da emissora. "Pelos mesmos motivos do Dr. Drauzio Varella, também o Fantástico e a Globo pedem desculpas à família da vítima e a todos os telespectadores. A trans Suzy não foi presa por roubo nem furto. Ela cumpre pena de prisão por estupro e assassinato de um menino."
O âncora e editor-chefe do telejornal de maior audiência da televisão brasileira aproveitou a oportunidade para contestar personalidades públicas que atacaram a Globo, o Fantástico, Drauzio Varella e a presidiária Suzy antes da confirmação do delito que a levou à prisão. "Apenas depois da exibição do quadro, o Fantástico tomou conhecimento da gravidade do crime e só nesta terça-feira a Globo se manifesta com mais clareza sobre o assunto porque respeitou protocolos de segurança, protocolos que autoridades públicas não seguiram."
A conclusão óbvia é de que um dos alvos do recado foi Jair Bolsonaro. Pelo Twitter, o presidente havia atacado a emissora da família Marinho. “Enquanto a Globo tratava um criminoso como vítima, omitia os crimes por ele praticados: estupro e assassinato de uma criança", escreveu. "Graças à internet livre, o povo não é mais refém de manipulações”, registrou na mesma postagem.
Outras autoridades da política, como o ministro da Educação Abraham Weintraub e o deputado federal Eduardo Bolsonaro, condenaram o canal pela reportagem do Fantástico e a demora em admitir o erro por não passar a informação completa sobre a trans Suzy ao público. Mesmo sob forte pressão na internet, a Globo esperou os dados oficiais da Secretaria da Administração Penitenciária de SP para só então tratar do assunto diante das câmeras.

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