Campanha de vídeos da Globo é inútil para ajudar o Brasil
Mensagens ‘fofas’ do público são romantização desnecessária em momento decisivo no País
A exibição repetitiva de tutoriais para ensinar o telespectador a gravar vídeo com o celular – “na horizontal”, viu? – se tornou uma chatice nos telejornais da Globo.
Não seria mais prático acionar as dezenas de emissoras próprias e afiliadas para entrevistar cidadãos anônimos de todas as partes do Brasil?
Ouso afirmar que boa parte dos vídeos recebidos pelo canal não irá ao ar por falta de qualidade técnica ou ter mensagens fora do ‘padrãozinho’ exigido.
Essa tentativa de mobilizar milhões de brasileiros é uma boa intenção que não passa disso. Na prática, serve apenas para dar um verniz mais humano ao telejornalismo global.
Prevê-se um festival de clichês: “quero um Brasil melhor”, “um País mais justo”, “uma nação sem desigualdade” etc. Uma romantização inapropriada em período tão denso e tenso da nossa história recente.
Será um blá-blá-blá de palavras esperançosas em um momento cuja prioridade são mudanças de consciência e atitude de uma população acomodada com o caos em vários setores da sociedade.
Transmitir a retórica do povo a respeito do ‘Brasil que se quer para o futuro’ não vai ajudar a combater a corrupção, a diminuir a violência nem contribuir para distribuição de renda menos desigual.
Justamente em ano eleitoral, com a televisão como maior cabo eleitoral dos presidenciáveis, a Globo resolveu dar espaço privilegiado aos eleitores-internautas-telespectadores.
Mais útil seria se a emissora usasse seu poderoso tempo para pressionar os homens e mulheres que detêm as rédeas do poder a trabalhar efetivamente pelo desenvolvimento e a moralização do Estado.
Há, inegavelmente, um interesse corporativo por trás desta iniciativa do canal da família Marinho.
Assustada com o avanço da internet, a Globo, assim como as demais emissoras, tem feito o possível para ampliar a interatividade com o brasileiro comum.
Nada mais apropriado do que fazê-lo usar o celular – aparelho que se tornou o grande concorrente da televisão – nessa interação de que depende o futuro do mais popular veículo de comunicação de massa.
Antes, as pessoas não tiravam o olho da TV; agora, os mantêm fixos na tela do smartphone, mesmo diante da TV ligada.
Na prática, a exibição de vídeos ‘fofos’ não vai contribuir em nada com o Brasil. A televisão pode (e deve) fazer muito mais do que isso. Basta quer.