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Atriz de 69 anos rouba a cena ao mostrar os seios em Hebe

Stella Miranda faz interpretação impagável de Dercy Gonçalves no filme sobre a saudosa rainha da TV

11 out 2019
11h39
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(Atenção: este texto contém spoilers.)

Ícone da comédia escrachada, Dercy Gonçalves (1907-2008) mostrou os seios várias vezes durante participações no sofá de Hebe Camargo.

Como o programa era sempre ao vivo, os câmeras do estúdio nem tinham tempo de mudar o ângulo para não focalizar o topless da comediante.

Um desses momentos quase surreais é reproduzido no longa Hebe, em cartaz desde o final de setembro.

Stella Miranda como Dercy ao lado de Andréa Beltrão (Hebe) no filme sobre a apresentadora
Stella Miranda como Dercy ao lado de Andréa Beltrão (Hebe) no filme sobre a apresentadora
Foto: Divulgação/Warner Bros

Na sequência, Dercy afirma ser mais bonita do que a transexual Roberta Close, coloca-se em pé diante do auditório e levanta a blusa.

No switcher (a sala de controle), um diretor da Band – emissora na qual Hebe trabalhou no início da década de 1980 – oscila entre a perplexidade e a fúria.

O diretor do filme, Maurício Farias, escalou uma veterana do humor para viver a bufônica Dercy.

Stella Miranda, de 69 anos, é atriz com formação na França. No teatro, além de atuar, ela escreve, produz e dirige. Estrelou vários musicais e se notabilizou ao viver Carmem Miranda em um espetáculo do gênero.

Estreou na TV em 1987 na novela Direito de Amar, na Globo. Tornou-se parceria de Miguel Falabella na teledramaturgia do multiartista.

Acima, Stella Miranda caracterizada como Álvara e Almira; abaixo, na pele de Carmem Miranda e ao natural
Acima, Stella Miranda caracterizada como Álvara e Almira; abaixo, na pele de Carmem Miranda e ao natural
Foto: Divulgação/TV Globo

Fez com ele Salsa e Merengue (1996), A Lua Me Disse (2005), Aquele Beijo (2011), Pé na Cova (2013) e Brasil a Bordo (2018). A personagem mais popular foi a síndica Álvara, vilã debochada do seriado Toma Lá Dá Cá (2007 a 2009).

A aparição mais recente da atriz foi como a gélida rainha Getrudes na reta final de Deus Salve o Rei, no ano passado.

Sua marca registrada é o domínio da voz. Consegue diferentes registros – do cômico ao dramático, do agudo ao grave.

Assim como Dercy sempre foi destemida, Stella Miranda demonstra ter a coragem dos atores que se entregam de corpo (literalmente) e alma à personagem, despidos de pudor em nome da arte.

A cena dos seios à mostra não tem nada de apelativa. Está absolutamente integrada ao contexto do roteiro e à mensagem contra a censura empunhada pela cinebiografia de Hebe.

Na luta em defesa das liberdades individuais, Dercy usava o próprio corpo de maneira política.

E, cá entre nós, aqueles belos seios desnudos chocavam menos do que o palavrório saído de sua boca incontrolável.

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