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Antigalãs roubam a cena em papéis cômicos na Globo

17 out 2015 - 02h13
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Rosario, Santana e Menezes: boas atuações como coadjuvantes (Fotos: Divulgação/TV Globo)
Rosario, Santana e Menezes: boas atuações como coadjuvantes (Fotos: Divulgação/TV Globo)
Foto: Sala de TV

Eles já não são lolitos nem estampam a beleza clássica exigida de um galã de novela. Não interpretam os protagonistas nem estão nas tramas mais românticas. Mesmo assim conseguem chamar atenção ao exalar simpatia, humor e tarimba em cena.

Os coadjuvantes masculinos de I Love Paraisópolis dão contribuição relevante ao sucesso contínuo da novela de Alcides Nogueira e Mário Teixeira, maior êxito na faixa das 19h da Globo nos últimos anos.

Entre os atores se destacam Babu Santana, o hilário Jávai. O personagem — um contraventor atrapalhado que sonha dominar a comunidade — talvez seja o maior 'sem noção' da novela.

Acha-se lindo e sedutor, e acredita ser temido e respeitado só por fazer cara de mau. Babu o interpreta num inspirado tom caricatural. É aquele tipo de vilão abobalhado que acaba por conquistar a torcida do público.

Após ser escalado repetidas vezes para viver tipos estereotipados, como o 'bandido', o 'assaltante' e o 'bêbado', Babu Santana finalmente consegue na TV o reconhecimento já conquistado no cinema, com atuações elogiadas em filmes como Tim Maia e Estômago.

Outro experiente ator de cinema que enfim alcança notoriedade na Globo é Marcio Rosario, o Bazunga. Com mais de 30 anos de carreira, ele integrou elenco de produções americanas como Efeito Colateral, S.W.A.T.: Comando Especial e Os Mercenários. Participou ainda de Days of our Lives, novela que está no ar desde 1965 no canal NBC.

Marcado pelos tipos brutamontes, Rosario transformou o capanga Bazunga num ogro romântico e quase sensível. Tem impagáveis cenas de 'paixão' com a doméstica Melodia (Olívia Araújo).

Ele é mais um artista capaz de interpretar papéis muito diferentes do tipo suscitado por sua aparência. Conseguir livrar-se do rótulo é uma façanha nada simples em TV, onde os atores costumam ser 'categorizados' e são chamados para viver personagens quase sempre parecidos.

Na pele do mordomo esnobe Júnior, Frank Menezes começou de mansinho nos primeiros capítulos e hoje aparece tanto quanto os principais astros de I Love Paraisópolis. Comediante dos bons, fez de um personagem antipático um bufão irresistível.

Saído da favela, onde se apresentava num cabaré sob a alcunha Juneca Purpurina, ele agora se faz de nobre do Morumbi. Gay enrustido, arrumou uma noiva e vive no momento uma pouco convincente mas divertida fase hétero. Menezes garante o alívio cômico que o telespectador do início de noite tanto procura após um dia estressante.

Ribeiro e Fontana: talento no vídeo, apesar das cenas curtas (Fotos: Divulgação/TV Globo)
Ribeiro e Fontana: talento no vídeo, apesar das cenas curtas (Fotos: Divulgação/TV Globo)
Foto: Sala de TV

Em seu quarto papel na TV, Daniel Ribeiro também é refém do estereótipo estético: só viveu personagens rústicos, como jagunços violentos. Na atual trama das 19h interpreta o malandro Timbó. Mais um artista que, ao seu modo, transforma cenas rápidas, com poucas falas, em uma oportunidade de exibir o talento.

O caso de Claudio Fontana é peculiar. O ator, que tem inaparentes 53 anos, já foi galã na Globo, em novelas como Deus Nos Acuda (1992) e Fera Ferida (1993). Depois alternou pequenos papéis e períodos longe da TV até ressurgir como Dilson, o porteiro boa gente. Em cena ele deixa a marca registrada: o carisma.

Todos os atores aqui citados têm contrato por obra com a Globo. Ou seja, com o fim da novela, deixarão de ter vínculo com a emissora. Se bobear, serão recrutados pela Record, que costuma valorizar os talentos subestimados pela concorrente. Prova disso é Os Dez Mandamentos, produção recheada de ex-globais que agora, finalmente, colhem o merecido reconhecimento.

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