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Alto Astral: comédia pastelão usa o espiritismo sem fazer ofensa

3 fev 2015 - 08h21
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Caíque (Sergio Guizé) e seu espírito mentor Castilho (Marcelo Médici). (Foto: João Miguel Jr./TV Globo)
Caíque (Sergio Guizé) e seu espírito mentor Castilho (Marcelo Médici). (Foto: João Miguel Jr./TV Globo)
Foto: Sala de TV

A religião sempre foi usada como argumento para a guerra. Mas também é uma fonte inesgotável de inspiração para uma atividade essencialmente pacífica: o humor.

Na novela das 19h da Globo, Alto Astral, escrita por Daniel Ortiz, o espiritismo determina os rumos do personagem principal, o médico e médium a contragosto Caíque, papel de Sergio Guizé.

Por interagir de maneira espalhafatosa com seus guias invisíveis aos não sensitivos, ele já foi tratado como esquizofrênico.

A família de sua amada, Laura (Nathalia Dill) o considera um perigo ambulante. Para a maioria dos moradores da fictícia cidade de Nova Alvorada, é apenas esquisitão.

A trama tem ainda Samantha Paranomal (Claudia Raia, em excelente performance), uma vidente que perdeu seus poderes e se tornou uma charlatã em busca de fama e fortuna.

No capítulo exibido na segunda-feira (2), o time de espíritos — Dr. Castilho (Marcelo Médici), Voz (Simone Gutierrez) e Bella (Nathália Costa), entre outros — ganhou novo membro: o 'espírito cozinheiro' interpretado por Rodrigo Lopez.

O tal foi expulso do corpo do jovem Afeganistão (Gabriel Godoy), que tinha o hábito de cozinhar de olhos fechados durante as madrugadas, como se fosse sonâmbulo.

Ao contrário do tom doutrinador de novelas como A Viagem (1975 e 1994) e Escrito nas Estrelas (2010), Alto Astral se exime de enaltecer ou contestar os princípios espíritas.

A religião difundida pelo francês Allan Kardec sai ilesa da comédia pastelão. Ainda assim, é interessante notar a tolerância dos praticantes do espiritismo.

Por muito menos, membros de outras religiões já fizeram protestos ruidosos contra produções da Globo que abordaram sua crença.

Em tempos de tantas vítimas do radicalismo religioso (reféns decapitados na Síria, cartunistas assassinados na França, meninas sequestradas na Nigéria), é um alívio constatar que no Brasil a religião ainda pode ser embalada pelo humor.

Seja para fazer rir, provocar reflexão ou como crítica social, sem a ameaça de uma resposta violenta.

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