Tribunal russo condena escultor alemão à revelia por retratar Putin e patriarca em ato sexual
O escultor alemão Jacques Tilly, criador de um carro alegórico de carnaval que mostrava o presidente russo Vladimir Putin e o patriarca da Igreja Ortodoxa Kirill praticando um ato sexual, foi condenado à revelia por um tribunal de Moscou na quinta-feira a oito anos e seis meses de prisão.
A agência de notícias independente SOTAvision informou que o tribunal considerou Tilly culpado de divulgar "informações falsas" sobre os militares e insultar os fiéis religiosos.
O caso também incluiu uma entrevista de 2024 à Deutsche Welle, na qual Tilly condenou o que ele chamou de "todos os crimes sangrentos cometidos pelos militares russos" na Ucrânia.
Tilly, que é famoso por suas criações carnavalescas provocativas, denunciou as acusações como um ataque à liberdade de expressão.
"Não há motivo para impor uma punição tão severa a uma pessoa só porque ela expressou críticas -- críticas satíricas .... Há algo de ridículo no fato de um Estado como a Rússia ter medo de fantoches, personagens e críticas satíricas", disse ele à Reuters na quinta-feira.
O juiz Konstantin Ochirov, do Tribunal Basmanny de Moscou, sentenciou Tilly a cumprir a pena em uma colônia penal, pagar uma multa de 200.000 rublos (US$2.490) e ser impedido de administrar sites por quatro anos, sendo que nenhuma dessas penas pode ser aplicada, pois ele não reside na Rússia.
A SOTAvision disse que os promotores leram depoimentos idênticos de três testemunhas que se disseram indignadas com a escultura, mas não compareceram ao tribunal.
Entre outras criações de Tilly estão um carro alegórico mostrando Putin chafurdando em sangue em uma banheira com as cores azul e amarela da bandeira ucraniana. Outro retratava ele e o presidente dos EUA, Donald Trump, devorando a Europa.
Tilly disse que seus carros alegóricos têm a intenção de provocar e desafiar o poder político, tendo como alvo uma série de líderes, incluindo Putin, Trump e o presidente da Turquia, Tayyip Erdogan.