'Stuart Não Consegue Salvar o Universo': como personagens secundários de 'The Big Bang Theory' viraram protagonistas em novo spin-off
Em entrevista à Rolling Stone Brasil, Stuart, Barry, Denise e Bert falaram sobre a nova série e a transição radical
Quando The Big Bang Theory terminou, em 2019, após 12 temporadas, a despedida foi épica. Sheldon Cooper enfim encontrou o amor verdadeiro com Amy Farrah Fowler e, juntos, conquistaram o Prêmio Nobel de Física. No discurso de aceitação, aquele homem que passou a série inteira rechaçando afeto simplesmente pediu desculpas aos amigos: "Peço desculpas se não fui o amigo que vocês merecem, mas quero que saibam que, à minha maneira, amo todos vocês". Era o fechamento perfeito. Leonard e Penny esperavam um bebê. Raj finalmente conseguia um encontro com seus ídolos. E o elevador quebrado do prédio — aquele que nunca funcionava — continuava quebrado. Como se a série dissesse: alguns finais não precisam de respostas.
Mas o universo de The Big Bang Theory não tinha acabado, tinha apenas dado uma pausa. Nos anos seguintes, Chuck Lorre, criador e produtor executivo da série, passou a explorar novos ângulos desse mundo. Primeiro veio Young Sheldon, que voltou à infância do gênio no Texas dos anos 1990. Depois, Georgie e Mandy: Seu Primeiro Casamento, centrada no irmão mais velho de Sheldon construindo uma vida adulta. Eram expansões cuidadosas: derivadas que preservavam a essência sem simplesmente repetir a fórmula.
E agora, em 2026, a HBO Max apresenta Stuart Não Consegue Salvar o Universo, uma série que, com ousadia, coloca os coadjuvantes no centro. Stuart Bloom, o dono da loja de quadrinhos cuja graça vinha justamente de ser… bem, secundário. Barry Kripke, aquele físico irritante. Denise e Bert, personagens que assumem o protagonismo pela primeira vez.
Na trama, Stuart é encarregado de restaurar a realidade após quebrar acidentalmente um dispositivo criado por Sheldon e Leonard, provocando um "Armagedom multiversal". Para salvar o universo, conta com a ajuda de sua namorada Denise, seu amigo geólogo Bert e do físico quântico (e incômodo profissional) Barry Kripke. Durante a jornada, eles encontram versões alternativas dos personagens que os fãs já conhecem e amam de The Big Bang Theory. Como o título sugere, as coisas não correm nada bem.
E para falar sobre essa ressuscitação radical do universo, a Rolling Stone Brasil conversou com Kevin Sussman (Stuart), John Ross Bowie (Barry), Lauren Lapkus (Denise) e Brian Posehn (Bert) — os novos personagens principais.
"Chuck me chamou para ir ao escritório dele, e eu não o via havia sete anos. Aí ele disse: 'Você sabe por que está aqui?', e eu não fazia ideia", contou Sussman quando o convite chegou. A proposta era tão radical que, por um instante, ele precisou fingir que estava considerando. "E ele realmente perguntou: 'É algo em que você estaria interessado?', e eu fingi que estava pensando (risos). 'Ah, sim, acho que é algo interessante'." A verdade é que ele já tinha deixado a TV para trás e cogitava uma pós-graduação.
Para John Ross Bowie, o chamado foi diferente. Sussman conhecia Lorre desde 2007, mas Bowie só foi conversar com ele por telefone de fato no ano passado, quando veio o convite: "Ei, estamos fazendo esse show. Você gostaria de fazer parte?"
Bowie não fingiu desinteresse; foi direto demais. "Eu não sou bom em parecer difícil. Eu soei um pouco ansioso." Ainda assim, o convite tinha algo de inteligente: aquilo não era uma extensão do original, e sim um projeto de outra natureza.
"Era uma ruptura tão clara com tudo o que Chuck já tinha feito que em nenhum momento eu pensei: 'Ok, isso vai ser mais do mesmo'".
Para Lauren Lapkus e Brian Posehn, a mudança foi igualmente transformadora. Afinal, ao longo das 12 temporadas de The Big Bang Theory, eles foram coadjuvantes, aparições ocasionais, momentos pontuais. De repente, passaram a ser o coração da nova série. "Para mim, foi um sonho realizado", refletiu Lapkus.
"Eu não participei de muitos episódios de The Big Bang Theory, então poder fazer isso foi simplesmente incrível. Foi muito emocionante", completou. Na prática, a virada foi visceral. "Mais trabalho. Você está em mais cenas e, enfim, precisa estar pronta para trabalhar o dia todo e totalmente presente", explicou.
A reação ao roteiro foi unânime entre os quatro. Quando receberam o material, todos ligaram um para o outro, imediatamente. "Meu Deus… acho que todo mundo se telefonou dizendo: 'Meu Deus, olha só o que a gente vai fazer. Que legal!'", contou Bowie. O texto era tão diferente, tão ousado, que parecia impossível ser real.
"É ficção científica, mas é uma comédia. Então você mistura o humor de The Big Bang Theory com situações de altíssimas apostas", explicou. "Cada episódio é completamente diferente do anterior, e a gente se mete em situações realmente loucas. Foi muito divertido de interpretar".
O que mais impressionava, porém, era a profundidade. Em The Big Bang Theory, Denise e Bert eram superficiais por design — quase piadas ambulantes. Aqui, ganham dimensão de verdade.
"Foi divertido interpretar personagens que já conhecíamos, mas em situações insanas; a partir daí, construir e expandir quem eles são. Todo mundo ficou um pouco mais profundo, porque deixou de ser só algo superficial", refletiu Brian.
Havia também um desafio delicado: atrair um novo público sem afastar fãs históricos. "Os fãs da série original vão gostar muito, porque o humor é bem parecido — e vocês vão ver muitos rostos familiares", garantiu. "Mas também acho que quem nunca assistiu ao original vai gostar por motivos diferentes."
E, além de tudo isso, havia pressão, claro. Fazer um spin-off de uma das séries mais assistidas da história da TV americana não é uma responsabilidade leve. "Eu realmente não tinha pensado nisso", brincou Kevin. Mas John foi honesto: "Eu penso nisso o tempo todo. A gente simplesmente confiou nos caras. Sabíamos que os roteiros eram muito fortes, então ia dar certo", confirmou. E havia também o peso emocional — alguns tinham familiares superfãs. "Minha sogra é a maior fã de The Big Bang Theory de todos os tempos. O tempo todo eu penso: 'Deus, eu só quero deixá-la feliz. Não quero…'", confessou Lauren, rindo. Brian ecoou: "Mesma coisa. Tenho parentes que eu fico pensando: 'Tomara que vocês venham com a gente. É um pouco diferente'".
Mas "diferente" era exatamente o ponto. Stuart, Barry, Denise e Bert — personagens que sempre ficaram na sombra — finalmente ganham permissão para ocupar o centro. E a série que nasce desse risco é algo que nenhum deles teria imaginado uma década atrás: uma em que os secundários viram heróis, o dono da loja de quadrinhos precisa salvar o multiverso e a lógica de estar à margem, enfim, vale a pena.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.