Filmes para assistir no Dia do Documentário Brasileiro
Confira dicas de longas nacionais disponíveis nas plataformas digitais
Neste dia 7 de agosto é comemorado o Dia do Documentário Brasileiro - criado para trazer visibilidade ao gênero documental no país. A data foi escolhida para homenagear o nascimento do cineasta e documentarista Olney São Paulo, um dos expoentes do Cinema Novo no Brasil. Seu primeiro longa-metragem, O Grito da Terra, foi realizado em 1964, abordando a realidade da região nordeste.
Segundo estudiosos do tema, o documentário nasceu no Brasil com a filmagem da Baía Guanabara, no final do século 19. Desde então, o gênero se consagrou no país com nomes importantes como Eduardo Coutinho, Vladimir Carvalho, Leon Hirszman e Glauber Rocha e, mais recentemente, Jorge Furtado, José Padilha, João Moreira Salles e Petra Costa.
Mas, para além dos clássicos, muitas produções atuais têm ganhado a atenção da crítica e dos espectadores. Para valorizar a resistência e a força do cinema nacional, separamos alguns títulos lançados recentemente que estão disponíveis em plataformas digitais. Confira abaixo as sugestões:
Estou Me Guardando Para Quando o Carnaval Chegar (Marcelo Gomes)
A cidade de Toritama é um microcosmo do capitalismo implacável: a cada ano, mais de 20 milhões de jeans são produzidos em fábricas de fundo de quintal. Durante o Carnaval – o único momento de lazer do ano -, eles transgridem a lógica da acumulação de bens, vendem seus pertences e fogem para as praias da região. Quando chega a Quarta-feira de Cinzas, um novo ciclo de trabalho começa. Disponível na Netflix.
Eleições (Alice Riff)
É época de eleições para o grêmio estudantil e secundaristas se organizam para a corrida eleitoral. Quatro grupos de estudantes, com opiniões e visões de mundo diferentes, criam propostas, debatem estratégias de campanha e lutam por melhorias na escola. Os conflitos e tensões entre as chapas revelam suas diferenças políticas, e a contundência da realidade cotidiana convive com a resistência do sonho, da amizade e do direito de criar caminhos para o mundo em que se acredita. Disponível para compra no Youtube.
Torre das donzelas (Susanna Lira)
O documentário Torre das Donzelas revisita o período em que o Brasil vivia sob uma ditadura militar e se concentra em um grupo de ex-presas políticas do sexo feminino que dividiu uma cela no Presídio Tiradentes, em São Paulo. Entre elas, a ex-presidente Dilma Rousseff. Disponível no Vivo Play.
Alvorada (Lô Politi e Anna Muylaert)
Na intimidade do Palácio da Alvorada, o cotidiano da presidente Dilma Rousseff, primeira e única mulher a governar o Brasil, durante o desenrolar dramático do golpe que a tirou do poder. Rodado entre julho e setembro de 2016, o filme testemunha a tensão e a perplexidade que escalavam no círculo da presidente e, ao mesmo tempo, revela uma personalidade surpreendente nas conversas informais em que Dilma fala de política, história, literatura – e de si própria. Disponível para compra no Youtube.
Auto de Resistência (Natasha Neri e Lula Carvalho)
Um documentário sobre os homicídios praticados pela polícia contra civis, no Rio de Janeiro, em casos conhecidos como "autos de resistência". O filme acompanha a trajetória de personagens que lidam com essas mortes em seus cotidianos, mostrando o tratamento dado pelo Estado a esses casos, desde o momento em que um indivíduo é morto, passando pela investigação da polícia, até as fases de arquivamento ou julgamento por um tribunal do júri. Vencedor do É Tudo Verdade 2018. Disponível no Amazon Prime Video.
Babenco - Alguém tem que ouvir o coração e dizer: Parou (Bárbara Paz)
“Eu já vivi minha morte, agora só falta fazer um filme sobre ela” – disse o cineasta Hector Babenco a Bárbara Paz, ao perceber que não lhe restava muito tempo de vida. Ela aceitou a missão e realizou o último desejo do companheiro: ser protagonista de sua própria morte. Babenco fez do cinema remédio e alimento para continuar vivendo. Babenco é o primeiro filme de Bárbara Paz mas, também, de certa forma, a última obra de Hector - um filme sobre filmar para não morrer jamais. Disponível para compra no Youtube.
Libelu - Abaixo a Ditadura (Diógenes Muniz)
Liberdade e Luta foi uma tendência estudantil universitária surgida em 1976. Impulsionado por uma organização clandestina internacionalista, um grupo ganhou fama ao retomar a palavra de ordem “abaixo a ditadura”. Seus integrantes eram famosos pela irreverência e abertura cultural. Passadas quatro décadas, onde estão e o que pensam os jovens trotskistas que foram às ruas contra os generais? Vencedor do É Tudo Verdade 2020. Disponível para compra no Youtube.
Para ver e rever
É possível assistir a alguns títulos do cineasta Eduardo Coutinho, grande mestre do documentário brasileiro, na plataforma Looke. Entre eles, Jogo de Cena (2007), Edifício Master (2002), Peões (2004), As canções (2011), O fim e o princípio (2015) e Últimas Conversas (2015).