SP-Arte Design aproxima móveis e utilitários da órbita dos objetos de desejo
Mostra que ocorre dentro da SP-Arte celebra 10 anos e afirma-se como a grande vitrine da produção nacional de design
Há pouco mais de uma década, falar em design colecionável, tendo como base objetos que se aproximam da arte, mas sem perder sua vocação funcional, poderia soar um tanto quanto distante para o público em geral, além de ser recebido com certo ceticismo pela crítica especializada. Hoje, porém, o cenário é outro. Reflexo de um movimento internacional que encontrou terreno fértil também por aqui, a SP-Arte Design completa uma década, consolidando-se como referência nacional no setor.
Assim, o segmento de design da SP-Arte - que hoje ocupa todo o andar térreo do Pavilhão da Bienal no Parque do Ibirapuera -, afirma-se como a grande vitrine da produção nacional. Um painel eclético que reúne desde designers independentes, em busca de visibilidade e legitimação, até galerias especializadas em mobiliário que buscam posicionar o design no patamar das obras de arte. Isso sem falar em grandes marcas do setor empenhadas em associar suas imagens ao universo cultural abordado pela mostra.
Móveis assinados, objetos utilitários e joias
O móvel assinado segue como o centro da produção apresentada, mas a oferta tem se ampliado consideravelmente nos últimos anos, incluindo desde objetos utilitários, artigos para iluminação, cerâmicas e até joias. Uma diversidade valorizada pela curadoria do evento, mas que busca não perder de vista a essência do design colecionável, traduzida em peças únicas ou produzidas em edição limitada, criadas não apenas para atender a uma função prática, mas também para emocionar, afirmar identidade e contar histórias.
Vista em retrospectiva, a qualidade dos produtos avançou de forma significativa. Matérias-primas genuinamente brasileiras passaram a ser usadas de maneira mais eficaz e criativa, enquanto os designers ganharam maior domínio das técnicas de produção. Como resultado de processos fabris mais refinados, e da atenção crescente aos detalhes, o leque de acabamentos também se ampliou, revelando maior sofisticação estética e uma identidade cultural mais clara e definida.
"Por aqui procuramos retornar aos primórdios da SP-Arte Design, quando ela ocupava apenas parte do terceiro andar do Pavilhão da Bienal", explica Patricia Dranoff, que ao lado de Livia Debbane, assina a curadoria de NOW: mostra paralela que estreia no evento, reunindo dez estúdios independentes, que apostam na pesquisa de materiais e na inovação formal. "Buscamos criar condições, inclusive financeiras, para que os novos talentos possam continuar a expor, preservando a diversidade das participações", resume ela.
Uma preocupação de fato pertinente, dada a relevância e o interesse despertado pela SP-Arte Design junto a grandes marcas do cenário nacional, igualmente interessadas em garantir presença no evento. "Ampliar nosso repertório, fortalecendo o papel do design como expressão cultural, e elemento indissociável dos nossos móveis. É uma de nossas metas prioritárias", afirma Paulo Bacchi, CEO global da Artefacto, um dos principais fabricantes de mobiliário de alto padrão do País, com forte presença no mercado norte-americano, que participa da mostra, com espaço próprio, há três edições.
"Trata-se de uma feira única. A troca cultural com outros profissionais é intensa e o público, muito interessado em descobrir coisas novas. Queremos voltar", comenta Victor Hugo Xavier, do Assimply Studio, um ateliê formado pelo designer e por seu sócio, Søren Hallberg, dedicado à produção artesanal de móveis e objetos, utilizando materiais reutilizados, e que este ano retorna ao evento para lançar uma mesa com aparas cerâmicas, além da primeira cadeira assinada pela dupla, produzida em escala industrial.
Bem feitas as contas, portanto, o saldo é positivo. Afinal, em apenas uma década, a mostra paulistana não apenas triplicou de tamanho, como também descobriu novos talentos, aproximou o setor do consumidor médio e ainda contribuiu para atenuar, ao menos em parte, as restrições do mercado de arte.
O desafio agora é manter o equilíbrio. Crescer, sim. Mas sem abrir mão do compromisso com a dimensão cultural do design: fator essencial para assegurar a diversidade da mostra, bem como preservar a credibilidade conquistada.
Serviço - SP-Arte
- Onde: Pavilhão da Bienal (av. Pedro Álvares Cabral, s/n, portão 3, Parque Ibirapuera, São Paulo, SP)
- Quando: Abertura dia 8/4 exclusiva para convidados; Visitação do público de 9 a 12/4 de 2026
- Quanto: R$ 60 (meia) e R$ 120 (inteira)
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