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Seu Jorge narra documentário sobre a classificação histórica de Cabo Verde para a Copa do Mundo

'Um Milagre no Atlântico', dirigido pelo brasileiro Cadu Machado, conecta futebol, identidade e diáspora cabo-verdiana; estreia prevista para o último trimestre de 2026

16 jun 2026 - 12h11
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Seu Jorge será o narrador de Um Milagre no Atlântico, documentário que acompanha a inédita classificação de Cabo Verde para a Copa do Mundo da FIFA. Dirigido e roteirizado pelo brasileiro Cadu Machado, vencedor de um Emmy, o filme foge do formato esportivo convencional: usa o futebol como fio condutor para mergulhar na história de uma nação marcada pela escravidão, pela migração e por uma notável capacidade de resistência.

Foto: Divulgação / Rolling Stone Brasil

Bisneto de uma mulher cabo-verdiana, Seu Jorge tem com o projeto uma ligação que vai além da narração. "Narrar este documentário foi uma forma muito especial de me reconectar às minhas raízes, à força de um povo que transformou desafios em identidade e resistência", afirmou o cantor, que também atua como produtor executivo.

Em 2025, Cabo Verde celebrava 50 anos de independência, mas o mesmo ano foi atravessado por enchentes devastadoras em São Vicente e Santo Antão. "Era o jubileu da independência, mas 2025 também ficou marcado por grandes enchentes que devastaram a região. A possível classificação poderia representar a consagração do país e trazer esperança depois do que aconteceu meses antes", contou Cadu Machado.

A vaga veio, e o gol decisivo teria sido marcado por Stopira, veterano da seleção que há anos perseguia o feito. "Sempre foi meu grande sonho. Desde criança, assistia aos jogos do Brasil, de Portugal e das equipes africanas e pensava: 'Será que um dia estaremos lá com Cabo Verde?'", disse o zagueiro.

Filmado entre as ilhas do arquipélago e diferentes polos da diáspora cabo-verdiana, Um Milagre no Atlântico alterna entrevistas íntimas, imagens de arquivo e observação dos bastidores da campanha. Entre os personagens acompanhados estão o técnico e ex-pastor Pedro "Bubista", o grande goleiro Vozinha, o atacante Dailon Livramento e o próprio Stopira. A voz de Seu Jorge atravessa o material como uma presença invisível, conduzindo o espectador por uma jornada de identidade que ecoa a própria trajetória do artista.

O filme é produzido pelo português Enrico Saraiva, com trabalhos exibidos nos festivais de Berlim, Tribeca, Telluride e Veneza, e coproduzido pelo cabo-verdiano Pedro Soulé, cujo longa Kmêdeus passou pelo International Film Festival Rotterdam. A combinação de olhares lusófonos sobre uma história cabo-verdiana, narrada por uma voz brasileira, reflete o tema central do documentário: a dispersão e o reencontro de um povo que se reconhece para além das fronteiras.

O lançamento de Um Milagre no Atlântico está previsto para o último trimestre de 2026, em um período em que Seu Jorge vive uma fase especialmente prolífica, com o álbum Baile à la Baiana (2025) e The Other Side (2026), projeto desenvolvido ao longo de 16 anos ao lado de Mario Caldato Jr., com participações de Marisa Monte, Maria Rita, Beck e Zap Mama.

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