Sarau Brasilis celebra três anos e leva encontros musicais ao CCSP, com homenagem a Lô Borges
Com entrada gratuita, edição de aniversário reúne gerações de artistas e homenageia Lô e a família Borges neste domingo, 1º de novembro
O Sarau Brasilis celebra três anos neste domingo, 1º de novembro, com uma edição gratuita no Centro Cultural São Paulo (CCSP), a partir das 14h. Criado por Guga Stroeter para promover a convivência artística e novos talentos, o evento terá audição de disco, viola caipira, jam session, artes visuais e palco autoral. O ponto alto ocorre às 20h30, na Sala Adoniran Barbosa, com um show em homenagem póstuma a Lô Borges e à sua família musical, reunindo diversos intérpretes de diferentes gerações.
Neste domingo, 1º de novembro, o Sarau Brasilis comemora três anos com uma edição gratuita e aberta ao público no Centro Cultural São Paulo (CCSP). As atividades começam às 14h e seguem até a noite, com uma homenagem a Lô e à família Borges, da qual participam Telo, Marilton e Rodrigo Borges.
Antes de receber o sarau, a casa já vinha encontrando seu lugar na vida musical de Stroeter. Uma sala que guardava bicicletas, aparelhos de ginástica, livros e outros objetos foi, aos poucos, se tornando estúdio. Na pandemia, o músico decidiu trazer para a residência uma estrutura de gravação que mantinha em outro endereço. Vieram os equipamentos, depois os amigos. Os encontros começaram pequenos.
Stroeter, que já havia mantido casas noturnas voltadas à música e a novos talentos, passou a receber também apresentações de artistas com públicos ainda pequenos. Com o tempo, a reunião ganhou corpo, organização e uma programação que hoje inclui audição de discos, rodas de música, improvisação, apresentações autorais e homenagens.
Na Casa do Guga, a lista é encerrada com 250 convidados. Crescer, para Stroeter, passa também por renovar essa convivência.
"Um sarau, se ele não cresce, implode", diz. A chegada de outras pessoas traz referências e possibilidades de criação. "A grande aquisição foi a ideia de gerar uma estrutura para favorecer diferentes expressões artísticas."
É esse espírito que os organizadores querem levar ao CCSP. "O Brasilis nasceu de encontros esporádicos entre artistas, principalmente para fazer música, novas conexões e homenagear grandes compositores da música brasileira, e esse espírito é uma característica que a gente faz questão de manter até hoje", afirma Luiz Tristão, músico, produtor cultural e coorganizador do Sarau Brasilis.
A edição em um espaço público amplia o acesso a essa experiência. "A gente acaba democratizando esses encontros tão especiais e reunindo ainda mais gente para a nossa causa", diz.
O que nasce de um encontro
Algumas conversas seguem adiante e viram canção. Foi no sarau que Tristão conheceu o compositor Gabriel Moura. Pouco tempo depois, os dois estavam compondo, gravando e lançando "Tempos de Guerra".
"Esse é só um exemplo, mas o sarau tá cheio de histórias de parcerias lindas que nasceram ali", conta. Para ele, parte da riqueza do projeto está em aproximar pessoas, gerações, referências e maneiras de fazer arte.
Quem acompanha o sarau reconhece essa disposição para a troca. Há espaço para mostrar uma composição ainda em busca de ouvintes e para revisitar uma obra que atravessou décadas. Em uma mesma programação, quem começa uma trajetória encontra quem já ajudou a escrever a história da música brasileira.
As homenagens são preparadas a partir de uma pesquisa sobre a vida e o repertório do convidado. Stroeter lembra a passagem de Roberto Menescal pela casa, quando músicos de uma nova geração interpretaram suas canções diante dele.
Outras visitas se desdobram em vínculos. É o caso de Danilo Caymmi, de quem Stroeter fala com carinho: "Ele virou meio que um padrinho, só que tem um jeito como se nós fôssemos os padrinhos dele. É uma relação muito divertida."
Neste aniversário, o encontro será em torno dos Borges. A relação com a família passa pela homenagem a Márcio, realizada em 2024. Havia também o desejo de receber Lô, cuja morte completa um ano no próximo dia 2.
"A ideia era fazer uma edição em homenagem ao Lô também, em algum momento, mas ele faleceu antes que isso fosse possível. Mesmo assim, a gente decidiu manter a ideia e fazer essa homenagem, não só ao Lô, mas a toda a família Borges", afirma Tristão.
Alguns dos maiores sucessos da música mineira foram compostos pela família Borges e eternizados no aclamado disco Clube da Esquina.
Às 20h30, na Sala Adoniran Barbosa, canções de Lô, Márcio, Telo e Marilton vão reunir intérpretes de diferentes gerações. Telo, Marilton e Rodrigo Borges participam cantando e contando histórias. Entre os convidados estão Analu Sampaio, Grazi Medori, Fábio Nogara, Selma Fernands, Daniel Conti, Cacá Lima, Tata Martinelli, Luiz Tristão e Elisa Dias. A entrada na sala será por ordem de chegada.
A canção que ainda vai chegar
A celebração do repertório brasileiro divide espaço com a escuta do que está sendo criado agora. No Palco Autoral, das 19h às 20h, participantes sorteados entre os inscritos no local apresentam suas composições a uma banca de profissionais da cultura. O autor da composição escolhida como "canção da noite" recebe um violão do luthier Samuel Carvalho.
Essa atenção a quem compõe traduz um dos desejos de Stroeter para o projeto. "Apesar de não ter um mercado fácil para a MPB, convivemos com gerações e gerações que vêm insistindo na criação da canção."
Ao longo da tarde, haverá outras formas de compartilhar música. Às 14h30, o público poderá ouvir o disco Sereia Bossa Nova, de Vanessa Ereia. Depois, às 15h30, uma roda de viola caipira reúne convidados. Às 16h30, a jam session terá banda de apoio, microfone aberto e instrumentos disponíveis para músicos profissionais que queiram se juntar à improvisação.
As artes visuais e a literatura também fazem parte do encontro, com exposição de Sandra Martinelli, apresentação de obras literárias e pintura ao vivo com Marcella Metne. O fotógrafo Angelo Pastorello, que há dois anos documenta o sarau, apresenta uma exposição dessa fotografias e, durante o evento, faz retratos dos artistas e do público.
Para Stroeter, a convivência presencial tem um valor que permanece mesmo com a expansão da vida digital. Ele encontra esse sentido no próprio gesto de fazer música: "Do dedo que fere a corda, da mão que golpeia o couro, do sopro para dentro do trompete... São experiências que repercutem demais na vida afetiva da gente."
É essa proximidade entre quem faz e quem ouve música que o Sarau Brasilis leva agora da Casa Estúdio Gugastro para o CCSP. A casa abriu as portas. Seguimos celebrando a música que alimenta a alma e os encontros como pulsão de vida.
Sarau Brasilis — 3 anos e homenagem a Lô e à família Borges
- Quando: domingo, 1º de novembro, a partir das 14h.
- Onde: Centro Cultural São Paulo — Rua Vergueiro, 1000. Espaço Missão e Sala Adoniran Barbosa.
- Entrada: gratuita. Acesso à homenagem por ordem de chegada.
Programação
- 14h: abertura, com apresentação do projeto e dos expositores.
- 14h30: audição do disco Sereia Bossa Nova, de Vanessa Ereia.
- 15h30: roda de viola caipira com convidados.
- 16h30: jam session voltada a músicos profissionais, com banda de apoio, microfone aberto e instrumentos disponíveis.
- Das 19h às 20h: Palco Autoral, com sorteio entre os inscritos no local. Inscrições no dia, com uma música autoral. O autor da canção vencedora recebe um violão do luthier Samuel Carvalho.
- 20h30: homenagem a Lô e à família Borges, na Sala Adoniran Barbosa.
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