Script = https://s1.trrsf.com/update-1785845726/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Publicidade

Peça 'Mazal Tov - Quando a Vida Sorri' retrata superação das diferenças religiosas pelo afeto

Sob a direção de Dan Rosseto, versão teatral do livro da autora belga J. S. Margot, baseado em uma história real, é protagonizada por Dinah Feldman e Otávio Martins

4 ago 2026 - 18h13
Compartilhar
Exibir comentários

Em uma das cenas do espetáculo Mazal Tov - Quando a Vida Sorri, que estreia nesta terça, 4, no Teatro Moise Safra, a universitária Margot (papel de Dinah Feldman) estende a mão ao se apresentar ao joalheiro judeu Aron Schneider (interpretado por Otávio Martins), que hesita em retribuir o gesto. "Apenas desta vez. Vamos dispensar esse tipo de cumprimento daqui para a frente. Não é da nossa tradição tocar numa mulher que não seja a esposa", responde.

Um espectador que assistiu ao ensaio aberto na quarta passada, dia 29, contestou a cena, alegando que, mesmo entre os judeus mais ortodoxos, não seria comum a falta de cortesia. O diretor da montagem, Dan Rosseto, disse ao público, de 90 pessoas, que a passagem está descrita no livro que originou a peça e, mesmo com as liberdades possíveis, nada na versão teatral era inventado.

Otávio Martins e Dinah Feldman protagonizam a peça 'Mazal Tov – Quando a Vida Sorri'
Otávio Martins e Dinah Feldman protagonizam a peça 'Mazal Tov – Quando a Vida Sorri'
Foto: Mare Martin/Divulgação / Estadão

"Eu fiquei satisfeito com esta reação porque o que nos interessa é a contradição", afirma ele, que adaptou a peça ao lado de Fernando Dourado Filho do livro Mazal Tov - Minha Surpreendente Amizade com uma Família de Judeus Ortodoxos, de J. S. Margot, pseudônimo da jornalista belga Margot Vanderstraeten, publicado no Brasil em 2023. "Quanto mais opiniões divergentes, melhor, mas sempre tendo cuidado com os limites de cada um, porque assim os dois lados serão ouvidos."

Mazal Tov - Quando a Vida Sorri parte de uma experiência real da autora para falar de uma convivência multicultural, choques de tradições e exercícios de tolerância. Em 2022, Margot lançou o livro e, premiada na Holanda e na Polônia, além de traduzida para nove idiomas, escreveu uma continuação, Quase Kasher, em 2024, sobre sua relação com outros judeus a partir de palestras referentes ao tema.

Como é o enredo da peça

No começo da década de 1990, o casal Aron e Moriel Schneider (vivido por Martins e Giovana Yedid), judeus ortodoxos na fechada comunidade de Antuérpia, contratam uma tutora para orientar os filhos adolescentes, Jacob e Elzira (representados por Gabriel Brener e Thay Bergamin). Margot é ateia, usa saia curta, salto alto e namora Nima, um refugiado iraniano (papel de João Baldasserini).

"Aron é um homem que quer criar os filhos com uma ampla visão de mundo e não presos a uma bolha", define Martins. "Seus pais morreram nos campos de concentração de Auschwitz, ele foi criado por uma família católica e, mesmo seguindo o judaísmo e desejando que os filhos façam o mesmo, valoriza o diálogo entre as diferenças."

Nima, o namorado muçulmano, é o ápice do conflito, pautado pelo convite de Aron para que ele passe o Sabat, o dia de descanso sagrado celebrado pela cultura judaica, com a família Schneider. O patriarca se surpreende com a reação conservadora do filho diante da presença do rapaz. "Os filhos sofrem preconceitos por serem judeus e não percebem que podem discriminar outros povos", afirma Martins. "Aron e Margot, apesar das divergências, são dois humanistas e é isso que o faz confiar a ela a educação dos filhos."

O respeito às diferenças religiosas é o mote da peça 'Mazal Tov – Quando a Vida Sorri'
O respeito às diferenças religiosas é o mote da peça 'Mazal Tov – Quando a Vida Sorri'
Foto: Mare Martin/Divulgação / Estadão

Os trabalhos para levar Mazal Tov - Quando a Vida Sorri aos palcos começaram em 2023 e, com o texto em estágio avançado, uma leitura foi realizada em 2024 na Sinagoga Beth El, no Jardim Paulista. Os ataques do Hamas a Israel confirmaram a atualidade da peça, e a equipe entendeu quais eram os principais pontos da dramaturgia. "A questão é como dois mundos, representados por Margot e Aron, se conectam a ponto de virar amizade", diz o diretor.

Rosseto explica que parte desta empatia vem dos perfis dos personagens. Margot é acolhedora e compreensiva, mas mostra provocadora e questionadora, principalmente diante dos adolescentes. Aron, por sua vez, receptivo e até bonachão, é o oposto do que se espera de um judeu ortodoxo. "À medida que eles convivem, caem os rótulos e se estabelecem as relações", complementa Dinah. "É a instituição que dá as regras desafiada pelo humano, representado pela casa e a família."

Outras peças que abordam a cultura judaica

A cultura judaica serviu de tema para diferentes espetáculos. Um dos mais lembrados é o musical Um Violinista no Telhado, de Joseph Stein, Sheldon Harnick e Jerry Bock, sobre um pai diante de dilemas com as filhas. Outro clássico, A Noviça Rebelde, de Howard Lindsay e Russel Crouse, tem como pano de fundo a perseguição nazista aos judeus para a história da freira que impõe disciplina aos filhos do capitão Georg von Trapp.

Rosseto comenta que Um Violinista no Telhado e A Noviça Rebelde foram citados nos ensaios como referências para atiçar a memória afetiva do público. Dinah concorda até certo ponto com a comparação, mas encontra poucas afinidades entre Margot e governanta Maria Reiner. "Olha, faz tempo que vi A Noviça Rebelde e talvez devesse rever, mas a Margot é mais apimentada, ousada. Talvez seja uma versão empoderada da Noviça Rebelde", justifica.

Serviço - Mazal Tov - Quando a Vida Sorri

  • Teatro Moise Safra. Rua Professor Walter Lerner, 315, Barra Funda.
  • Terça a quinta, 20h.
  • R$ 110.
  • Até 30 de setembro. A partir de terça, 4/8.
📊 Fofoca Awards: vote nos seus favoritos
Estadão
Compartilhar
TAGS

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra