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Paris: Fundação Louis Vuitton apresenta Alexander Calder, inventor da escultura em movimento

Os móbiles são objetos decorativos frequentemente associados ao universo infantil: figuras coloridas suspensas por fios que se movem com o vento ou por meio de mecanismos simples. De tempos em tempos, também retornam às tendências de design e moda, muitas vezes com uma estética futurista. Mas por trás desse objeto intrigante está o artista norte-americano Alexander Calder (1898-1976), tema de uma grande retrospectiva na Fundação Louis Vuitton, em Paris.

26 jun 2026 - 13h16
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Patrícia Moribe, da RFI em Paris

Vindo de uma família de escultores, Calder formou-se originalmente em engenharia, uma base técnica que seria fundamental para sua inventividade mecânica. Suas primeiras experiências com o movimento remontam a 1907, quando, aos nove anos, criou um pato de latão capaz de balançar ao ser tocado — considerado seu primeiro móbile.

O circo sempre foi um tema recorrente na obra de Alexander Calder, em exposição em Paris.
O circo sempre foi um tema recorrente na obra de Alexander Calder, em exposição em Paris.
Foto: RFI

Em 1926, Calder mudou-se para Paris, então o grande centro artístico mundial. Sobre sua chegada à capital francesa e a ruptura que promoveu em relação à tradição familiar, o curador Olivier Michelon explica:

"Calder vem para Paris porque Paris é o centro do mundo à época. Os artistas vêm de todos os lugares: Espanha, países do Norte, América do Sul, Ásia. Ele chega sendo já um artista há várias gerações, pois é neto de escultor e filho de escultor; ele é o terceiro Alexander Calder da linhagem. Mas ele inventaria uma nova forma de esculpir. Seu pai e seu avô eram escultores tradicionais, que modelavam adicionando matéria ou talhavam removendo-a. Calder, em vez disso, vai desenhar no espaço."

O artista norte-americano encantou a vanguarda parisiense com seu Cirque Calder, um circo em miniatura feito de arames, rolhas e tecidos, que ele próprio animava em apresentações ao vivo. Embora movidas manualmente, as figuras do circo — trapezistas que voavam e acrobatas que se equilibravam — serviram de laboratório para a exploração dos conceitos de equilíbrio e cinética que marcariam toda a sua obra.

Cena do Circo Calder, em exposição em Paris, em 19 de junho de 2026.
Cena do Circo Calder, em exposição em Paris, em 19 de junho de 2026.
Foto: RFI

Guinada para o abstrato

A virada decisiva ocorreu em 1930, após uma visita ao ateliê do pintor holandês Piet Mondrian, experiência que o impulsionou em direção à abstração e à incorporação do movimento real em suas esculturas.

A "Viúva Negra", de 1948, de Alexander Calder, no Instituto dos Arquitetos do Brasil, exposto em Paris, em 19 de junho de 2026.
A "Viúva Negra", de 1948, de Alexander Calder, no Instituto dos Arquitetos do Brasil, exposto em Paris, em 19 de junho de 2026.
Foto: RFI

Para Olivier Michelon, essa transição redefiniu a escultura moderna. "O que Calder trouxe para a escultura foi o movimento e, ao trazê-lo, trouxe o tempo", explica. "A escultura e a pintura, na tradição clássica, são artes do espaço; com Calder, a escultura torna-se uma arte do tempo. Rapidamente, ele deixa de confiar na mecânica para se fiar no acaso, no vento e no equilíbrio. Ele não representa a natureza, mas produz o efeito da natureza. Suas formas evocam organismos vegetais ou animais, mas não se assemelham precisamente a nenhum deles; ele queria criar o vivo, de certa forma".

Obras de Alexander Calder, na Fundação Louis Vuitton, em Paris, em 19 de junho de 2026.
Obras de Alexander Calder, na Fundação Louis Vuitton, em Paris, em 19 de junho de 2026.
Foto: RFI

O termo "móbile" foi cunhado por Marcel Duchamp, em 1931, para descrever as construções cinéticas de Calder, enquanto Jean Arp sugeriu o nome "stabile" para as peças estáticas. A distinção entre ambos, contudo, vai além da simples presença ou ausência de movimento, segundo o curador.

"O móbile exterioriza o movimento: ele cria o movimento, ele é o próprio movimento. Já o stabile implica o movimento do espectador, que é obrigado a circular ao redor da obra. A grande dificuldade de uma exposição como esta é que são obras que ocupam volume, desdobram-se no espaço e nem sempre apresentam a mesma configuração, pois mudam conforme o ar. Como se transformam ao longo do tempo, o visitante nunca verá duas vezes a mesma exposição."

Obra de Alexander Calder, em Paris, na Fundação Louis Vuitton, em 19 de junho de 2026.
Obra de Alexander Calder, em Paris, na Fundação Louis Vuitton, em 19 de junho de 2026.
Foto: RFI

A retrospectiva Calder. Rêver en Équilibre, na Fundação Louis Vuitton, reúne cerca de 300 obras, de retratos em arame a esculturas monumentais, passando por pinturas e colares. A mostra estabelece um diálogo direto entre as formas suspensas de Calder e a arquitetura de Frank Gehry, permanecendo aberta ao público em Paris até 16 de agosto de 2026.

O curador Olivier Michelon foi entrevistado por Nathalie Amar, da RFI.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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