Paris: Fundação Louis Vuitton apresenta Alexander Calder, inventor da escultura em movimento
Os móbiles são objetos decorativos frequentemente associados ao universo infantil: figuras coloridas suspensas por fios que se movem com o vento ou por meio de mecanismos simples. De tempos em tempos, também retornam às tendências de design e moda, muitas vezes com uma estética futurista. Mas por trás desse objeto intrigante está o artista norte-americano Alexander Calder (1898-1976), tema de uma grande retrospectiva na Fundação Louis Vuitton, em Paris.
Patrícia Moribe, da RFI em Paris
Vindo de uma família de escultores, Calder formou-se originalmente em engenharia, uma base técnica que seria fundamental para sua inventividade mecânica. Suas primeiras experiências com o movimento remontam a 1907, quando, aos nove anos, criou um pato de latão capaz de balançar ao ser tocado — considerado seu primeiro móbile.
Em 1926, Calder mudou-se para Paris, então o grande centro artístico mundial. Sobre sua chegada à capital francesa e a ruptura que promoveu em relação à tradição familiar, o curador Olivier Michelon explica:
"Calder vem para Paris porque Paris é o centro do mundo à época. Os artistas vêm de todos os lugares: Espanha, países do Norte, América do Sul, Ásia. Ele chega sendo já um artista há várias gerações, pois é neto de escultor e filho de escultor; ele é o terceiro Alexander Calder da linhagem. Mas ele inventaria uma nova forma de esculpir. Seu pai e seu avô eram escultores tradicionais, que modelavam adicionando matéria ou talhavam removendo-a. Calder, em vez disso, vai desenhar no espaço."
O artista norte-americano encantou a vanguarda parisiense com seu Cirque Calder, um circo em miniatura feito de arames, rolhas e tecidos, que ele próprio animava em apresentações ao vivo. Embora movidas manualmente, as figuras do circo — trapezistas que voavam e acrobatas que se equilibravam — serviram de laboratório para a exploração dos conceitos de equilíbrio e cinética que marcariam toda a sua obra.
Guinada para o abstrato
A virada decisiva ocorreu em 1930, após uma visita ao ateliê do pintor holandês Piet Mondrian, experiência que o impulsionou em direção à abstração e à incorporação do movimento real em suas esculturas.
Para Olivier Michelon, essa transição redefiniu a escultura moderna. "O que Calder trouxe para a escultura foi o movimento e, ao trazê-lo, trouxe o tempo", explica. "A escultura e a pintura, na tradição clássica, são artes do espaço; com Calder, a escultura torna-se uma arte do tempo. Rapidamente, ele deixa de confiar na mecânica para se fiar no acaso, no vento e no equilíbrio. Ele não representa a natureza, mas produz o efeito da natureza. Suas formas evocam organismos vegetais ou animais, mas não se assemelham precisamente a nenhum deles; ele queria criar o vivo, de certa forma".
O termo "móbile" foi cunhado por Marcel Duchamp, em 1931, para descrever as construções cinéticas de Calder, enquanto Jean Arp sugeriu o nome "stabile" para as peças estáticas. A distinção entre ambos, contudo, vai além da simples presença ou ausência de movimento, segundo o curador.
"O móbile exterioriza o movimento: ele cria o movimento, ele é o próprio movimento. Já o stabile implica o movimento do espectador, que é obrigado a circular ao redor da obra. A grande dificuldade de uma exposição como esta é que são obras que ocupam volume, desdobram-se no espaço e nem sempre apresentam a mesma configuração, pois mudam conforme o ar. Como se transformam ao longo do tempo, o visitante nunca verá duas vezes a mesma exposição."
A retrospectiva Calder. Rêver en Équilibre, na Fundação Louis Vuitton, reúne cerca de 300 obras, de retratos em arame a esculturas monumentais, passando por pinturas e colares. A mostra estabelece um diálogo direto entre as formas suspensas de Calder e a arquitetura de Frank Gehry, permanecendo aberta ao público em Paris até 16 de agosto de 2026.
O curador Olivier Michelon foi entrevistado por Nathalie Amar, da RFI.
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