Em "Renascer", Globo descobre que LGBT beija igual a hetero
Troca de afeto entre Lilith (Lucy Alves) e Zinha (Samantha Jones) foi além do selinho. Finalmente!
Desde a proibição do beijo entre homens em "América", em 2005, a Globo tem sido observada de perto na questão do afeto LGBT. Tanto em tramas como "Amor à Vida", "Em Família" e "Malhação", aconteceram beijos, todos comedidos, mas, recentemente, em "Vai na Fé", na emissora chegou a censurar a troca de carinho entre duas personagens femininas.
Em "Renascer", na última quinta-feira, foi ao ar mais um beijo entre Lilith (Lucy Alves) e Zinha (Samantha Jones). Dessa vez, ao contrário das tentativas de "aliviar" a cena para não chocar as famílias mais conservadoras, a emissora decidiu optar pelo óbvio: mostrar que a igualdade importa e relações homoafetivas não beijam de maneira distinta.
Em suma, a Globo pareceu descobrir que LGBTs beijam igual a heterossexuais. Antes tarde do que nunca. A cena, muito bonita, não se resume a selinho. Tampouco pode ser considerada vulgar - primeiro argumento dos preconceituosos. Ela mostra o encontro honesto e afetuoso entre duas mulheres. E assim tem de ser. Nem mais, nem menos. Apenas igual.
Obviamente, ainda há um longo caminho a ser percorrido. Cenas na mesma cama ou indicações de sexo parecem fora de cogitação. Casais heterossexuais têm direito a nudes e sequências para lá de quentes. Ainda assim, "Renascer" marca um avanço na questão - e também uma reparação histórica sobre as falas do autor da versão original, Benedito Ruy Barbosa, que foi acusado de homofobia quando ainda escrevia.
Que venham mais beijos.
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