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'O Falcão Vingador' discute a importância de desfazer laços e seguir os próprios sonhos

Ao lado do ator Luccas Papp, autor do texto, Maria Clara Gueiros vive mãe que mantém vivo o desejo de o filho realizar o feito que o marido não pôde

23 jul 2022 - 05h11
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As relações tensas e, muitas vezes, conflituosas entre pais que estabelecem um plano de vida para seus filhos, e os filhos que rompem com as expectativas dos pais, é o que move O Falcão Vingador, terceiro espetáculo escrito e estrelado por Luccas Papp apenas no primeiro semestre de 2022. A montagem, que sucede títulos como MEN.U e O Anjo de Cristal, está no palco do Teatro Nair Bello até 28 de agosto.

A obra narra um momento na vida do jovem Victor que, durante toda a vida, foi treinado pela mãe para cumprir o projeto de seu falecido pai: voar com as asas que ele mesmo projetou. Com as anotações do patriarca, Victor monta suas asas e planeja um voo rasante sobre os habitantes de uma pequena cidade, que se reúnem em peso para assistir ao feito prometido ao longo de anos.

Montado originalmente em 2015, O Falcão Vingador é o resultado de uma série de percepções de Papp acerca das aulas de teatro que vinha ministrando quando tinha ainda 22 anos. Ao longo do tempo, o autor percebeu que muitos alunos ingressavam nos estudos, mas, ao completar certa idade - 18 anos, geralmente - desistiam da profissão muitas vezes por pressão da família.

"Comecei a perceber o quanto as pessoas vivem o sonho do outro num mundo em que acabamos projetando e sendo a projeção de sonhos alheios. Esse tema sempre me tocou, porque me machuca perceber as pessoas não vivendo o que sonharam, ou não buscando caminhos próprios porque há essa pressão da família para que tomem outros caminhos."

Novo patamar

Após a primeira encenação, o texto permaneceu engavetado, ganhando uma nova chance neste 2022. "Quando fiz a peça, há alguns anos, eu tinha uma carreira menor, com menos visibilidade. Hoje, depois da TV, de espetáculos grandes, eu senti que era hora de levar esse texto a outro patamar."

E, dentro desse novo planejamento, o artista agregou um grupo de profissionais do quilate do já antigo parceiro Ricardo Grasson, com quem encenou obras como O Ovo de Ouro e Bicicleta de Papel, e a atriz Maria Clara Gueiros, que topou de imediato após ler o texto.

"Essa peça falou diretamente comigo. Falou na maternidade, sabe? Duas semanas antes de o Luccas me falar desse texto, eu propus ao meu filho, que também é ator - Bruno Jablonski -, fazermos uma peça juntos, e ele me deu uma esnobada, disse que não, que queria fazer as coisas dele. E eu meio que me vi nesse lugar de tentar planejar as escolhas dele", revela a atriz.

Na montagem, Gueiros dá vida à mãe do personagem principal, que mantém vivo o sonho de ver o filho realizar o feito que o marido não pôde. "Vai fazer as pessoas pensarem. A vida está sendo programada de geração em geração, mas os filhos podem ser tudo o que quiserem, até o que você nem imaginou. Quando eles nascem, já têm um rosto que você olha e é diferente do que você espera. É uma metáfora para tudo! Ele vai gostar de coisas de que você não gostava, vai lhe ensinar coisas, essa é a beleza, criar para que voem com as asas deles e não com as que você projetou."

Sob a direção de Ricardo Grasson, o espetáculo cumpre temporada com uma produção feita com recursos próprios. "Nós decidimos fazer agora porque tudo coincidiu. As agendas, a pauta do teatro e o desejo de todo mundo estar junto, até porque era a única forma. Muita coisa ficou represada nesses últimos anos, e o que se está fazendo agora é o que estava parado. Nada tem sido aprovado na (Lei) Rouanet, não podemos contar com o âmbito federal e no campo municipal e estadual ainda temos alguma coisa, mas leva-se um tempo gigantesco. Então, esse foi o único jeito", acrescenta.

Seca

"E aqui são dois relatos diferentes, São Paulo e Rio", complementa Gueiros. "No Rio há uma seca cultural triste, os teatros fechando, virando igreja, a TV Globo desempregando um monte de atores, que ficam no mercado para fazer teatro, e não é possível, daí vem todo mundo para São Paulo, que tem um mercado mais aquecido em teatro e audiovisual. A gente fazer teatro guerrilha é a maneira de viabilizar."

Para Papp, a produção se faz necessária ao retratar algo que, acredita, seja um mal geracional. "A peça toca nessa necessidade de ser feliz apenas na grandeza, de deixar um legado, e isso toca a mim e a qualquer artista. Olhamos a grandeza e a imortalidade como sinônimo de sucesso e não precisa ser assim. Nossa geração cresceu com a ideia de que temos de ser grandes, fazer sucesso, passar na faculdade pública, mas ninguém precisa nada. E quem quiser fazer assim, maravilha, faça. É mais sobre permitir que cada um tenha o tamanho que quer", finaliza.

Serviço:

O Falcão Vingador

Teatro Nair Bello

. Rua Frei Caneca, 569 (Shopping Frei Caneca 3º Piso), Consolação.

Sextas e Sábados, às 21h; e Domingos às 19h.

Ingressos: R$ 80. Até 28/8.

Estadão
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