Nova sede do Itaú Cultural na Paulista terá 19 andares em terreno que custou R$ 49 milhões; conheça
Instituição apresentou projeto do prédio que vai construir perto do Masp e revelou detalhes como previsão de inauguração
O Itaú Cultural anunciou na manhã desta segunda-feira, 8, os detalhes de sua nova sede na Avenida Paulista. O prédio, de 19 andares - 11 acima do solo e seis no subsolo - será construído ao lado da Fiesp, no número 1.267, em um terreno de 1.300 metros quadrados. A inauguração está prevista para 2031.
A nova sede vai abrigar as atividades culturais que atualmente ocorrem no prédio localizado no número 149 da Avenida Paulista - o local, inaugurado há quase 30 anos, foi inicialmente concebido para ser um centro de pesquisa e, ao longo dos anos, foi adaptado para receber outras atividades, como exposições.
O escritório escolhido para o projeto foi o Estúdio Módulo, que, no Rio de Janeiro, assina o Centro Cultural Rio-África, na região do Porto Maravilha. O escritório também tem participação no projeto do Museu da Memória e dos Direitos Humanos em Santiago, no Chile.
A escolha do projeto vencedor foi feita por uma comissão que, entre outros membros, incluía Alfredo Setubal, presidente do Conselho Curador da Fundação Itaú, Elizabeth Machado, do MAM-SP, e Jader Rosa, superintendente do Itaú Cultural.
O representante do Módulo, Marcus Vinicius Damon, explicou como concebeu a nova sede: o desenho mostra uma entrada sem portão, catracas ou vidros, funcionando como uma extensão da avenida. A ideia é reforçada por uma faixa de pedestres bem em frente que, se não mudar de lugar, ficará praticamente alinhada com a entrada e o pátio do prédio.
O pavimento do térreo será de pedra portuguesa, em referência ao antigo piso da avenida e à ideia de uma praça
"O térreo será aberto, como uma praça de acolhimento ao público. Queremos que as pessoas se sintam confortáveis, acolhidas por espaços que podem ou não ser preenchidos pela curadoria", afirma Damon. O terraço no primeiro andar terá vista para a Paulista, conforme indica o desenho apresentado.
A fachada terá uma parte envidraçada virada para a Paulista. Na lateral, brises (ou quebra-sóis) metálicos ou cerâmicos (definição ainda pendente), pintados de branco, darão um movimento cinético para quem olhar o prédio pelo lado de fora. A ideia será reforçada por placas coloridas instaladas atrás dos brises.
"De uma certa distância, o prédio parece branco. Mas, na verdade, são brises ritmados, quase em um compasso musical. É como se as cores vibrassem, criando uma dinâmica e uma surpresa para quem está caminhando pela Paulista", detalha o arquiteto.
Distribuição dos espaços
Um dos andares abrigará exclusivamente as mostras da série Ocupação Itaú Cultural, com 360 metros quadrados. Outros dois pisos serão destinados a exposições temporárias, onde o pé-direito será de seis metros. Para as mostras permanentes, como a coleção Brasiliana Itaú — que conta com mais de 900 itens, entre pinturas, caricaturas, desenhos e mapas —, serão dedicados três andares, com quatro metros de pé-direito.
Os subsolos abrigarão, entre outros espaços, um grande foyer, um teatro com mais de 400 lugares (com palco italiano que permitirá diferentes configurações, como arena ou semi-arena) e um auditório com 104 lugares. No primeiro subsolo, será instalado um café-restaurante, além de uma loja de produtos culturais. Um clareira com vegetação de sub-bosque garantirá que, mesmo abaixo da terra, os espaços tenham certa iluminação natural.
"Tentamos criar uma relação para que a pessoa não se sentisse em um subsolo, utilizando foyers, passarelas e jardins. O prédio busca ser funcional, mas também agradável em qualquer lugar", explica Damon.
Por conta dos seis subsolos — um deles será uma área técnica —, a construção terá de escavar 30 metros de profundidade. Não haverá estacionamento para visitantes no prédio.
Também estão previstos dois estúdios para produções audiovisuais: um com cerca de 64 metros quadrados e outro com quase 80 metros quadrados e um janelão voltado para a Paulista.
Oito elevadores estarão disponíveis para os visitantes - um deles terá capacidade para até 40 pessoas -, atendendo a diferentes andares e também ao terraço do prédio.
'A demanda por arte não para de crescer', diz Alfredo Setubal
Alfredo Setubal, presidente do Conselho Curador da Fundação Itaú, diz que anúncio do novo prédio é o início das comemorações dos 40 anos do Itaú, a serem completados em 2027.
"Queremos uma nova sede funcional e bonita arquitetonicamente. A demanda por arte no Brasil não para de crescer, felizmente. No ano passado, recebemos quase 500 mil visitantes. Nosso prédio atual não comporta mais esse volume. Ele atende, mas não atende bem", diz Setubal, citando limitações como salas pequenas, pé-direito baixo e falta de banheiros suficientes.
"Chegamos a cogitar demolir o atual prédio e construir outro no lugar. Tivemos boas discussões com nosso conselho curador e, no fim, optamos pelo novo terreno. Será um centro cultural vertical, uma sede totalmente planejada e adaptada para atender às demandas das nossas exposições", completa.
Sem revelar o orçamento do projeto, Setubal afirma que os valores serão definidos na próxima fase, quando as obras se iniciarem.
De acordo com Eduardo Saron, presidente da Fundação Itaú, foram seis meses de trabalho intenso para a escolha do projeto, que contou com seis escritórios convidados, todos brasileiros. A ideia sempre foi permanecer na Paulista. "A avenida é um corredor cultural. Foi difícil comprar o terreno; só havia dois livres. Lutamos por algum tempo e conseguimos", revela.
O terreno, adquirido em 2025, custou R$ 49 milhões. No local, segundo um representante do Estúdio Módulo, originalmente seria construído um shopping vertical, projeto que não saiu do papel (apenas um pavimento de estacionamento chegou a ser feito).
Segundo Saron, os recursos destinados à construção do edifício serão integralmente da Fundação Itaú, ou seja, sem a utilização de leis de incentivo fiscal. Ele reforça que, na nova sede, o Itaú Cultural manterá sua vocação educacional, oferecendo cursos, programas e mestrados sempre gratuitos.
O Itaú Cultural ainda não decidiu se vai desativar sua atual sede, localizada em prédio próprio, que recebeu cerca de 11 milhões de visitantes ao longo dos últimos 30 anos. A intenção, de acordo com a diretoria, é adquirir novos imóveis no entorno da nova sede para instalar a parte administrativa da instituição, que atualmente funciona em outro edifício na região da Paulista.
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