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Nos bastidores do Cirque du Soleil: como funciona a 'pequena vila' do espetáculo que está em SP

'Estadão' viu de perto os preparativos de 'Alegría - In A New Light', que estreia na quinta-feira, 20, e espera atrair 200 mil pessoas até novembro no Parque Villa-Lobos

19 ago 2026 - 06h06
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Antes de o primeiro acrobata se aquecer, a engrenagem do Cirque du Soleil já funciona há dias. Desde o início do mês, os preparativos no Parque Villa-Lobos estão a todo vapor para a estreia de Alegría - In A New Light, que ficará em cartaz de 20 de agosto a 8 de novembro na capital paulista e depois seguirá para uma temporada em Curitiba até dezembro.

Esta é a primeira parada do show na América Latina após dois anos e meio em cartaz na Europa, de onde foram trazidos 85 contêineres com 2.500 toneladas de equipamentos. A Grande Tenda erguida no parque paulistano ostenta 19 metros de altura e capacidade para 2,5 mil pessoas. É uma espécie de miniarena em que a visibilidade é privilegiada de todos os assentos, proporcionando imersão total.

O espetáculo é itinerante, mas tenta garantir estabilidade para quem vive na estrada, amparado por estrutura de alto nível. A nova turnê produzida pela IMM, que também passará pelo Chile, é uma operação milionária que reúne 119 profissionais, entre eles 54 artistas de vários países, incluindo oito brasileiros.

Roxane Semiankiv, artista do Cirque du Soleil, se prepara para ensaio no trapézio
Roxane Semiankiv, artista do Cirque du Soleil, se prepara para ensaio no trapézio
Foto: Taba Benedicto/Estadão / Estadão

Os gringos chegaram a São Paulo na última quarta-feira, 12, e serão tratados como popstars pelos próximos três meses. Estão hospedados em bons apartamentos, contam com serviço de traslado, chefs particulares preparando 250 refeições por dia e recebem todos os cuidados necessários para que se preocupem apenas com a performance.

"É como se fosse uma pequena vila", diz o chefe de comunicação do Cirque du Soleil, Francis Jalbert, à equipe do Estadão, durante uma visita pelos bastidores, ressaltando que por ali são ouvidos 14 idiomas - "é também uma pequena ONU", brinca.

Sob ar climatizado, alheio às bruscas variações de temperatura que ocorrem na região, as estrelas do circo se exercitam e treinam seus números complexos, enquanto um time de costureiras se dedica aos 150 figurinos vistos durante a apresentação. Ao todo, são cerca de 600 peças levadas na turnê. Tudo é produzido à mão na sede da companhia, em Montreal, no Canadá, e confeccionado sob medida para o corpo dos integrantes. A equipe só não possui maquiadores: os próprios artistas são responsáveis pelas pinturas faciais.

O espaço para preparação de figurino da equipe do Cirque du Soleil
O espaço para preparação de figurino da equipe do Cirque du Soleil
Foto: Taba Benedicto/Estadão / Estadão

O êxito desta engrenagem também depende da manutenção física dos performers, alguns com passado atlético e outros com trajetória circense. Massagistas, fisioterapeutas e instrutores de pilates estão à disposição para prevenir ou tratar eventuais incômodos. Em caso de lesão ou doença, há sempre um substituto preparado para assumir a função.

Ex-dançarina, a britânica Rachel Lancaster serve como diretora artística do projeto e cuida para que tudo saia conforme o planejado. "O maior desafio para manter o nível do espetáculo é, de certa maneira, administrar a repetição. Fazemos de oito a dez apresentações por semana e chegamos a 300 por ano. Então, uma grande parte do meu trabalho é manter todos envolvidos e comprometidos com suas performances", ela explica.

Nova versão de 'Alegría'

Alegría - In A New Light revisita o espetáculo Alegría, apresentado pelo Cirque du Soleil entre 1994 e 2013. A montagem original foi vista por mais de 14 milhões de espectadores em 255 cidades ao redor do mundo. A nova versão atualiza a estética, a narrativa e os números acrobáticos. A trilha sonora inclui a faixa Alegría, que recebeu indicação ao Grammy Awards após seu lançamento, em 1995. Criado em 2019, o remake já passou por dez países. Em São Paulo, a expectativa dos organizadores é atrair 200 mil pessoas.

"Passamos bastante tempo pensando no que faz Alegría ser Alegría. Parte disso está nos personagens, parte na narrativa, na música e no visual. A nova versão mantém os fundamentos do original. Ao mesmo tempo, aquilo que era possível fazer acrobática e tecnicamente em 1994 evoluiu muito até 2019. Até elementos mais simples, como a iluminação, mudaram e se tornaram mais avançados", analisa Rachel.

A história se passa em um reino que perdeu seu rei. Enquanto o bobo da corte tenta assumir o trono, surge uma agitação que questiona a ordem existente e busca mudanças. "O show não utiliza linguagem falada; assim, você pode ter 7 ou 90 anos, vir do Brasil, da Alemanha ou do Japão, e terá sua própria interpretação", conta Jalbert.

Ensaio dos artistas integrantes do Cirque du Soleil para o espetáculo 'Alegría', montado no Parque Villa Lobos, em São Paulo
Ensaio dos artistas integrantes do Cirque du Soleil para o espetáculo 'Alegría', montado no Parque Villa Lobos, em São Paulo
Foto: Taba Benedicto/Estadão / Estadão

Um dos principais movimentos do show é o trapézio sincronizado em dupla, no qual dois artistas realizam acrobacias coordenadas a metros de altura, exigindo extrema precisão, força e flexibilidade. Por haver alto risco, eles usam cintos de segurança. Os encarregados do número são Nicolai Kuntz, alemão oriundo de família circense, e Roxane Semiankiv, suíça que se encantou com a modalidade durante a infância.

Eles afirmam que a parte mais desafiadora do ato é manter a sincronia. "Quando estamos no palco, sabemos o que fazer e temos confiança. Contudo, é normal ficarmos um pouco nervosos porque queremos apresentar o melhor possível todos os dias".

Mas o desgaste físico e psicológico é recompensado pela oportunidade de compartilhar com o público a magia do Cirque du Soleil. "Nosso show permite que as pessoas realmente escapem da rotina e se divirtam", asseguram os trapezistas. "Elas são levadas para um mundo de fantasia, de sonhos e de acrobacias".

Cirque du Soleil: Alegría - In A New Light

  • Onde: Parque Villa-Lobos
  • Quando: 20 de agosto a 8 de novembro de 2026
  • Sessões: quarta e quinta às 20h; sexta às 16h e 20h; sábado às 16h e 20h (com sessões extras em datas específicas); domingo às 15h e 19h
  • Duração: 2h15, com intervalo de 25 minutos
  • Ingressos: R$ 240 a R$ 1,4 mil, pela Eventim
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Estadão
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