Nos bastidores do Cirque du Soleil: como funciona a 'pequena vila' do espetáculo que está em SP
'Estadão' viu de perto os preparativos de 'Alegría - In A New Light', que estreia na quinta-feira, 20, e espera atrair 200 mil pessoas até novembro no Parque Villa-Lobos
Antes de o primeiro acrobata se aquecer, a engrenagem do Cirque du Soleil já funciona há dias. Desde o início do mês, os preparativos no Parque Villa-Lobos estão a todo vapor para a estreia de Alegría - In A New Light, que ficará em cartaz de 20 de agosto a 8 de novembro na capital paulista e depois seguirá para uma temporada em Curitiba até dezembro.
Esta é a primeira parada do show na América Latina após dois anos e meio em cartaz na Europa, de onde foram trazidos 85 contêineres com 2.500 toneladas de equipamentos. A Grande Tenda erguida no parque paulistano ostenta 19 metros de altura e capacidade para 2,5 mil pessoas. É uma espécie de miniarena em que a visibilidade é privilegiada de todos os assentos, proporcionando imersão total.
O espetáculo é itinerante, mas tenta garantir estabilidade para quem vive na estrada, amparado por estrutura de alto nível. A nova turnê produzida pela IMM, que também passará pelo Chile, é uma operação milionária que reúne 119 profissionais, entre eles 54 artistas de vários países, incluindo oito brasileiros.
Os gringos chegaram a São Paulo na última quarta-feira, 12, e serão tratados como popstars pelos próximos três meses. Estão hospedados em bons apartamentos, contam com serviço de traslado, chefs particulares preparando 250 refeições por dia e recebem todos os cuidados necessários para que se preocupem apenas com a performance.
"É como se fosse uma pequena vila", diz o chefe de comunicação do Cirque du Soleil, Francis Jalbert, à equipe do Estadão, durante uma visita pelos bastidores, ressaltando que por ali são ouvidos 14 idiomas - "é também uma pequena ONU", brinca.
Sob ar climatizado, alheio às bruscas variações de temperatura que ocorrem na região, as estrelas do circo se exercitam e treinam seus números complexos, enquanto um time de costureiras se dedica aos 150 figurinos vistos durante a apresentação. Ao todo, são cerca de 600 peças levadas na turnê. Tudo é produzido à mão na sede da companhia, em Montreal, no Canadá, e confeccionado sob medida para o corpo dos integrantes. A equipe só não possui maquiadores: os próprios artistas são responsáveis pelas pinturas faciais.
O êxito desta engrenagem também depende da manutenção física dos performers, alguns com passado atlético e outros com trajetória circense. Massagistas, fisioterapeutas e instrutores de pilates estão à disposição para prevenir ou tratar eventuais incômodos. Em caso de lesão ou doença, há sempre um substituto preparado para assumir a função.
Ex-dançarina, a britânica Rachel Lancaster serve como diretora artística do projeto e cuida para que tudo saia conforme o planejado. "O maior desafio para manter o nível do espetáculo é, de certa maneira, administrar a repetição. Fazemos de oito a dez apresentações por semana e chegamos a 300 por ano. Então, uma grande parte do meu trabalho é manter todos envolvidos e comprometidos com suas performances", ela explica.
Nova versão de 'Alegría'
Alegría - In A New Light revisita o espetáculo Alegría, apresentado pelo Cirque du Soleil entre 1994 e 2013. A montagem original foi vista por mais de 14 milhões de espectadores em 255 cidades ao redor do mundo. A nova versão atualiza a estética, a narrativa e os números acrobáticos. A trilha sonora inclui a faixa Alegría, que recebeu indicação ao Grammy Awards após seu lançamento, em 1995. Criado em 2019, o remake já passou por dez países. Em São Paulo, a expectativa dos organizadores é atrair 200 mil pessoas.
"Passamos bastante tempo pensando no que faz Alegría ser Alegría. Parte disso está nos personagens, parte na narrativa, na música e no visual. A nova versão mantém os fundamentos do original. Ao mesmo tempo, aquilo que era possível fazer acrobática e tecnicamente em 1994 evoluiu muito até 2019. Até elementos mais simples, como a iluminação, mudaram e se tornaram mais avançados", analisa Rachel.
A história se passa em um reino que perdeu seu rei. Enquanto o bobo da corte tenta assumir o trono, surge uma agitação que questiona a ordem existente e busca mudanças. "O show não utiliza linguagem falada; assim, você pode ter 7 ou 90 anos, vir do Brasil, da Alemanha ou do Japão, e terá sua própria interpretação", conta Jalbert.
Um dos principais movimentos do show é o trapézio sincronizado em dupla, no qual dois artistas realizam acrobacias coordenadas a metros de altura, exigindo extrema precisão, força e flexibilidade. Por haver alto risco, eles usam cintos de segurança. Os encarregados do número são Nicolai Kuntz, alemão oriundo de família circense, e Roxane Semiankiv, suíça que se encantou com a modalidade durante a infância.
Eles afirmam que a parte mais desafiadora do ato é manter a sincronia. "Quando estamos no palco, sabemos o que fazer e temos confiança. Contudo, é normal ficarmos um pouco nervosos porque queremos apresentar o melhor possível todos os dias".
Mas o desgaste físico e psicológico é recompensado pela oportunidade de compartilhar com o público a magia do Cirque du Soleil. "Nosso show permite que as pessoas realmente escapem da rotina e se divirtam", asseguram os trapezistas. "Elas são levadas para um mundo de fantasia, de sonhos e de acrobacias".
Cirque du Soleil: Alegría - In A New Light
- Onde: Parque Villa-Lobos
- Quando: 20 de agosto a 8 de novembro de 2026
- Sessões: quarta e quinta às 20h; sexta às 16h e 20h; sábado às 16h e 20h (com sessões extras em datas específicas); domingo às 15h e 19h
- Duração: 2h15, com intervalo de 25 minutos
- Ingressos: R$ 240 a R$ 1,4 mil, pela Eventim
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